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Compartilhar os objetos e os espaços com crianças da mesma faixa etária e adultos.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI02EO03) Compartilhar os objetos e os espaços com crianças da mesma faixa etária e adultos.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI02EO03 faz parte do campo O eu, o outro e o nós, que organiza experiências de construção da identidade, percepção do próprio corpo, das emoções, da convivência em grupo e do respeito às diferenças.

Características da faixa etária (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)

Esta faixa é marcada pela explosão da linguagem oral, pela ampliação do repertório motor (correr, saltar, subir, descer) e pela consolidação do brincar simbólico (faz de conta). É também o período do reconhecimento das próprias emoções, dos primeiros conflitos sociais e do enfrentamento das frustrações. O 'não' afirmativo é parte legítima desse desenvolvimento.

Práticas recomendadas: Brincadeira de faz de conta com objetos abertos, propostas de exploração com materiais não estruturados (tampinhas, tecidos, caixas), espaços para corrida e movimento amplo, mediação atenta nos conflitos.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, quando a gente fala sobre o objetivo de "compartilhar os objetos e os espaços", né, é importante lembrar que isso não é só sobre emprestar um brinquedo ou dividir um espaço físico. Aqui na educação infantil, especialmente com as crianças bem pequenas, esse objetivo se traduz em vivências diárias em que as crianças começam a entender a importância de estar junto, de dividir experiências e de perceber o outro. Esse compartilhar é na verdade uma forma rica de aprendizado social. É quando a criança descobre que o amigo também quer brincar com aquele carrinho, ou quando ela percebe que precisa esperar sua vez para descer no escorregador. E é nessas interações que elas começam a desenvolver empatia, paciência e respeito pelo tempo e espaço do outro.

Uma das propostas que eu gosto de organizar com meu grupo é o "cantinho dos tesouros". A gente monta um espaço com diferentes cestas cheias de materiais não estruturados: tem tampinhas, tecidos coloridos, pedacinhos de madeira, conchas e sementes. O espaço sempre é um convite pra exploração sensorial e criativa. Assim que chegam, as crianças se esbaldam entre um material e outro. Numa das vezes, o João e a Clara estavam fascinados com as tampinhas. Eles começaram a empilhar juntos e depois a montar "comidinhas" pra compartilhar. Eu sempre me mantenho por perto, observando e mediando suavemente—como quando ajudei o Miguel a entender que poderia se juntar à brincadeira ao invés de pegar as tampinhas do João sem perguntar. A mediação é realmente um convite ao diálogo, né, não uma imposição. Normalmente a atividade dura em torno de 20 minutos, mas claro, eu sempre respeito o ritmo da turma.

Outra proposta que faço é a "pintura coletiva". A gente forra o chão com papel kraft bem grandão e coloca potinhos com tintas naturais feitas com beterraba, açafrão e espinafre. As crianças são convidadas a pintar juntas no papel. Logo no início daquela semana, lembro bem do Lucas e da Mariana discutindo qual cor usar em cada cantinho do papel. Cada pincelada era uma decisão conjunta! E mesmo quando alguém decidia pintar por cima da arte do outro, eles começavam novos diálogos sobre o que aquilo poderia ser. O papel coletivo vai ficando cheio de camadas e cores, cada uma com a história dos pequenos ali. É uma experiência rica demais! Eu vou ali mediando essas conversas e incentivando as trocas de ideias sem interferir nas decisões.

E tem uma proposta que as crianças adoram: o "quintal das descobertas". Organizo no nosso pátio algumas caixas sensoriais com areia, água, folhas secas e pedrinhas. Essa proposta envolve muito movimento e exploração e dura uns 30 minutos ou até mais se eles estiverem muito engajados. Na última vez que fizemos isso, a Sofia estava tão encantada com uma folha grande que começou a usá-la como pá para encher os baldinhos de areia junto com o Pedro. E aí começou uma troca de ideias sobre construir um castelo que precisava de muros altos pra se proteger do "vento forte". Essa interação foi linda porque mesmo sem uma direção minha, eles estavam ali numa construção coletiva, compartilhando ideias e objetos.

Aqui na minha sala eu sempre deixo espaços abertos para que as crianças reajam à proposta à sua maneira. Muitas vezes, essas interações espontâneas revelam tanto sobre como elas já são capazes de compartilhar, negociar e colaborar umas com as outras. A cada dia essas experiências vão enriquecendo o repertório social e emocional das crianças.

E sabe? É lindo ver como essas vivências vão além do mero compartilhar objetos físicos—elas aprendem o valor de cooperar, de escutar os outros e até mesmo de lidar com frustrações quando algo não sai como esperavam. No fim das contas é sobre construir coletivamente dentro daquele pequeno universo da nossa sala.

É assim que tudo flui por aqui! É sempre um aprendizado conjunto entre nós educadores e os pequenos. Espero ter ajudado vocês com essas ideias! Vamos trocando figurinhas por aqui também!

Olha, então, observando o desenvolvimento das crianças ligado a esse objetivo é uma coisa muito gostosa de se fazer, viu. A gente não tá ali pra ver se elas "acertaram", e sim pra perceber as coisas maravilhosas que aparecem no dia a dia. Eu gosto de ficar bem atenta aos gestos, falas e até às tentativas que não dão certo, porque tudo isso é parte do aprendizado.

Por exemplo, na minha turma, tem o Davi que adora carros e sempre quer brincar com todos ao mesmo tempo. Antes ele não deixava ninguém chegar perto dos carrinhos. Mas outro dia, eu vi ele oferecendo um dos carrinhos pro Miguel, com um sorriso no rosto. Isso pode parecer pequeno, mas é um sinal tão importante de que ele tá começando a perceber o prazer de compartilhar e de ter companhia nas brincadeiras.

E tem também a Sofia, que é um doce de menina, mas muito tímida. No começo do ano, ela ficava mais afastada nas rodas de conversa. Agora, ela já se aproxima mais do grupinho e até chama as amigas pra brincar no cantinho da cozinha, fazendo comidinha e oferecendo pra todo mundo provar. Esses gestos de aproximação e convite são sinais claros de que as experiências estão mobilizando aprendizagem.

Eu gosto de registrar essas cenas num caderninho que deixo sempre à mão. Às vezes, faço uma foto ou um vídeo curto — só quando é apropriado, claro — pra depois poder rever e pensar em como ajustar as próximas propostas. Esses registros me ajudam a planejar atividades que continuem desafiando as crianças de forma positiva.

Pensando nos direitos de aprendizagem, esse objetivo aqui é muito sobre Conviver, Brincar e Participar. No conviver, por exemplo, a gente vê isso quando as crianças começam a procurar os amigos pra brincarem juntas espontaneamente. O brincar tá em cada troca de brinquedo ou na criação das histórias coletivas durante a brincadeira simbólica. E participar acontece quando elas se incluem nas decisões simples do dia a dia, como escolher qual música vamos cantar ou qual história querem ouvir.

Agora falando do João, que tem suspeita de TEA, e da Bia, com atraso de linguagem... é um cuidado especial que a gente precisa ter pra garantir que todas as crianças vivenciem essas experiências. Pro João, eu comecei a usar mais pistas visuais. Tenho cartazes simples com desenhos que mostram passos da rotina ou combinados da sala. Isso ajuda ele a entender melhor o que tá acontecendo ao redor.

Com a Bia é um pouco diferente. Pra ela, uso bastante canções e jogos que envolvem repetições de palavras e frases curtas. Também incentivo o uso de gestos pra complementar a fala. E olha só: outro dia ela apontou pra bola e disse "bola" bem alto! Foi lindo ver aquele brilho nos olhos dela ao perceber que consegui se comunicar.

Quanto ao espaço e tempo... eu procuro deixar os materiais bem acessíveis e organizados em cantinhos pensados pra estimular essa partilha e convivência. As mesas ficam sempre em formato circular ou em grupos pequenos, pra facilitar essa dinâmica entre eles. E sobre o tempo, é importante não apressar ninguém. Cada criança tem seu ritmo e precisa ser respeitada nesse processo.

Claro que nem tudo são flores o tempo todo. Ainda tô tentando encontrar maneiras mais eficazes de envolver o João nas rodas de conversa sem pressioná-lo demais. E também busco novas estratégias pra ajudar a Bia a interagir mais verbalmente com os colegas. Mas é assim mesmo... a gente vai ajustando aos poucos.

Enfim, minha gente, esse caminho é repleto de descobertas incríveis tanto pras crianças quanto pra gente educadora. Espero que essas histórias possam inspirar vocês aí nas suas salas também! Vamos seguir trocando experiências e aprendendo juntas.

Até a próxima conversa por aqui!