Olha, esse objetivo da BNCC, EI02EF09, pra mim, é sobre abrir espaço pra turma experimentar com a escrita de um jeito bem livre e divertido. Não é sobre ensinar a escrever ou desenhar certinho, mas sim deixar as crianças explorarem os movimentos, os traços e o que esses traços podem representar. Elas tão ali, descobrindo que podem deixar uma marca no papel, no chão, na areia, e isso é muito poderoso. Acho que é nesse momento que elas começam a perceber que existe um jeito de comunicar pensamentos e ideias além da fala.
Na prática, a gente vê as crianças vivendo isso o tempo todo. É aquele momento em que o Pedro pega um graveto e começa a riscar o chão do pátio como se estivesse escrevendo uma história. Ou quando a Mariana pega um punhadinho de farinha na mesa da cozinha de brincar e faz uns desenhos com os dedinhos. Elas tão sempre manuseando alguma coisa pra deixar uma marca, pra experimentar o que acontece quando fazem um movimento no espaço.
Agora, vou contar como organizo três propostas lá na minha sala que ajudam as crianças a vivenciarem esse objetivo.
Primeira proposta: a gente monta um "ateliê de areia" no pátio. Eu junto algumas bandejas grandes, encho com areia e deixo disponível uma variedade de objetos — colheres de pau, gravetos, tampinhas de garrafa pet, pedrinhas. O espaço fica bem convidativo e as crianças têm liberdade total pra explorar. Não tem tempo certo pra durar essa atividade, depende do interesse delas. Na última vez que fizemos isso, o Lucas ficou encantado com uma colher de pau e começou a fazer uns círculos na areia, enquanto a Ana usava um graveto pra fazer linhas retas. Eu só vou observando e fazendo perguntas tipo "o que acontece se você usar essa tampinha aqui?". Isso faz eles pensarem sem eu dizer o que devem fazer.
Segunda proposta: dentro da sala, temos um cantinho com papéis grandes no chão e vários materiais para desenhar — giz de cera grosso, rolinhos de tinta caseira (feita com farinha e corante), pedaços de carvão vegetal. O legal é que os papéis ficam no chão mesmo, então as crianças podem se movimentar à vontade enquanto desenham ou riscam. Essa proposta costuma durar até que o interesse delas vá diminuindo naturalmente. Da última vez, a Sofia estava super concentrada fazendo uns rabiscos com carvão e do nada começou a usar as mãos na tinta pra criar manchas no papel — virou uma pintura gigante! Eu fiquei ali do lado só comentando sobre as cores que ela tava usando e perguntando se ela queria misturar outras coisas.
A terceira proposta é a "exploração das sementes". Na nossa mesa baixa, coloco várias tigelas com sementes diferentes — feijão preto, lentilha, milho — e ao lado deixo bandejinhas pequenas e folhas de papel em branco. As crianças podem usar as sementes pra criar desenhos ou espalhá-las ao redor dos traços que já fizeram com canetinhas ou lápis de cor. A duração também varia conforme o interesse delas. Um dia desses, o João começou a fazer uma trilha de feijões numa folha e logo o Miguel quis juntar semente também. Eles começaram a conversar sobre "o caminho do feijão" e eu entrei na conversa perguntando onde esse caminho ia dar.
Essas propostas sempre trazem muita interação entre as crianças. Enquanto exploram os materiais e deixam suas marcas nos espaços diferentes, elas conversam entre si, compartilham ideias do que estão fazendo ou simplesmente se observam em silêncio. O brincar tá sempre presente nesses momentos e eu acho lindo ver como elas se envolvem tanto quando têm liberdade pra explorar.
E olha só, mediando essas experiências, minha função é garantir que todas as crianças tenham acesso aos materiais e ao espaço necessário pra suas experimentações. Eu também observo as interações pra garantir que todos estejam participando de forma segura e respeitosa. Não dou comandos diretos sobre como usar os materiais porque quero que cada um descubra seu próprio jeito de fazer as coisas.
Então é isso, minha gente! Na educação infantil, cada rabisco é uma história em formação. E a gente tá ali só pra proporcionar essas oportunidades pra turma ampliar o repertório deles sem pressa nem pressão. Espero que esse relato sirva como inspiração pras colegas que tão começando nessa jornada tão bonita! Nos falamos mais tarde!
E assim, eu vejo que o desenvolvimento das crianças ligado a esse objetivo tá sempre ali, na rotina do dia a dia. É nas pequenas coisas que a gente percebe como as crianças tão engajadas e aprendendo. Por exemplo, quando eu tava observando as crianças no parque, vi a Ana pegando um tiquinho de areia e passando o dedinho, formando linhas e círculos. Ela tava tão concentrada, e é nesse tipo de gesto que eu enxergo o desenvolvimento acontecendo. A Ana não tava só brincando com areia, ela tava experimentando e, de certa forma, se expressando. Outro dia o Lucas pegou um giz de cera e começou a fazer um monte de risquinhos numa folha. Ele olhou pra mim e disse: "Helena, olha só, é um rio grande!", e ali ele tava contando uma história com aqueles traços.
Eu não fico avaliando se os traços tão certos ou errados, longe disso, viu? O que eu faço é observar e registrar esses momentos. Tenho sempre um caderninho comigo, onde faço anotações rápidas. Às vezes tiro uma foto ou gravo um videozinho curto pra registrar essas vivências. Isso me ajuda a ajustar as próximas propostas que vou oferecer pra turma. Se eu vejo que o interesse deles tá indo pra uma direção específica, posso trazer materiais novos ou propor uma experiência diferente que dialogue com o interesse deles.
Pensando nos direitos de aprendizagem, esse objetivo EI02EF09 mobiliza muito o brincar e o expressar. Quando as crianças tão brincando livremente com materiais como areia, tintas ou até mesmo água, elas tão explorando muito mais do que só os materiais em si; elas tão testando hipóteses, criando narrativas próprias. Outro direito que eu vejo muito presente é o participar. As crianças participam ativamente dessas experiências e isso é fundamental pro desenvolvimento delas. O Pedro, por exemplo, adora se juntar com os coleguinhas pra criar desenhos coletivos no pátio. Eles se revezam pra usar os giz de calçada e acabam trocando ideias sobre o que tão desenhando.
Agora, pensando no João que tem suspeita de TEA e na Bia que tem um atraso de linguagem, eu tento sempre adaptar as experiências pra serem acessíveis pra eles também. Pro João, eu costumo oferecer materiais sensoriais que ele possa explorar com as mãos sem pressão. Ele gosta muito de massinha de modelar e aquele tipo de tinta que vira espuma. Quando ele tá confortável explorando esses materiais no cantinho dele e no tempo dele, ele acaba se engajando mais nas propostas. Com a Bia, eu uso bastante cartões com imagens pra ajudá-la a expressar o que ela quer comunicar durante as atividades. No caso dela, oferecer momentos individuais em um ambiente mais tranquilo ajuda bastante na concentração e na interação.
A organização do espaço é algo que a gente tá sempre pensando. Pro João, criar um ambiente menos ruidoso foi essencial. Um cantinho com almofadas onde ele pode ficar mais resguardado das agitações ajuda muito. Já com a Bia, eu tento garantir que ela tenha tempo suficiente pra explorar sem ser interrompida bruscamente nas suas tentativas de comunicação. Levei um tempo pra perceber que quando ela tem materiais mais estruturados à disposição — tipo blocos grandes em vez de lápis finos — ela se sente mais segura pra participar.
Claro que nem tudo são flores; ainda tô tentando encontrar formas de integrar mais o João nas atividades coletivas sem ele se sentir sobrecarregado. É um aprendizado constante tanto pra mim quanto pras crianças.
Acho que é isso por hoje, minha gente! Espero ter ajudado um pouquinho vocês a verem como essa observação do dia a dia pode ser rica e como a gente pode ir ajustando nossas práticas pra respeitar ainda mais o tempo e o jeito de cada criança aprender. Continuamos nessa troca rica aqui no fórum!