Olha, esse objetivo da BNCC é daqueles que faz a gente perceber como o corpo das crianças é um mundo em descoberta, sabe? Quando a gente fala de deslocar o corpo no espaço e usar noções de localização, estamos falando de uma vivência que as crianças já estão experimentando naturalmente desde bem pequenas. Elas são curiosas por natureza e estão sempre explorando o ambiente ao seu redor, se perguntando "o que acontece se eu me mover assim ou assado?". É aquele momento em que uma criança de dois anos está tentando pegar um brinquedo que está embaixo da cadeira e, nesse processo, ela percebe que precisa se agachar ou esticar o braço de uma forma diferente para alcançar o objeto.
O interessante é que, nessa faixa etária, as crianças estão desenvolvendo não só a coordenação motora, mas também a percepção espacial. Elas aprendem que quando se movem para trás, o corpo faz um caminho diferente do que quando andam para frente. E isso sem alguém ficar ditando: "vai para frente", "vai para trás". Elas vão ajustando isso sozinhas, na prática. E é aí que a gente entra, mediando esse processo com propostas que incentivem essas descobertas.
Aqui na minha turma do Grupo 2 e 3, eu adoro montar circuitos de movimento. Não precisa de nada muito elaborado, viu? O espaço em si já é uma grande ferramenta. O material que a gente usa é bem simples: almofadas grandes, caixas de papelão vazias, pedaços de tecido colorido e algumas cordas. A ideia é criar um percurso onde as crianças possam engatinhar por baixo das cordas, pular sobre as almofadas e sair e entrar dentro das caixas. Durar uns 30 minutos já tá ótimo, respeitando o tempo de atenção e interesse deles. Uma vez, o Miguel estava tão entretido tentando passar por uma corda baixa sem tocá-la que parecia estar num jogo só dele. Eu só precisava estar por perto para garantir que ele não se machucasse e pra valorizar sua tentativa ao final com um "Uau, você passou direitinho!"
Outra proposta bacana é a brincadeira do esconder e achar com panos grandes. Nós espalhamos alguns panos pelo chão da sala e as crianças se escondem ou escondem objetos debaixo deles. Os panos podem ser levantados para ver quem ou o quê está embaixo. Essa atividade tem tanto potencial porque elas adoram o mistério de se esconderem ou de esconder os brinquedos umas das outras. Num dia desses, a Júlia colocou uma boneca embaixo do pano e saiu correndo gritando "Cadê? Cadê?", enquanto seus colegas procuravam pela sala toda. Quando alguém finalmente levantou o pano e "achou" a boneca, foi uma festa!
E tem também as nossas manhãs no jardim da creche. A gente leva alguns baldes, copinhos plásticos e colherinhas de pau pra brincar com água e areia. As crianças adoram transferir a areia de um recipiente pro outro, derramar água no chão e observar pra onde ela vai. Essa brincadeira é ótima porque elas vão percebendo noções como dentro e fora ao transferirem os materiais entre os recipientes. Da última vez, a Ana ficou fascinada ao perceber que quando ela jogava água do balde no chão, criava uma poça “embaixo” dela.
A mediação nessas propostas é sutil. Eu evito ao máximo interferir nas descobertas delas com comandos diretos. Prefiro fazer perguntas ou comentários observacionais que ampliem a percepção delas no momento, como "Você viu como a água correu rápido?" ou "O que será que acontece se você tentar entrar na caixa maior?". Nossa presença é mais pra garantir a segurança física das crianças e pra ajudar a criar um ambiente onde elas se sintam seguras pra explorar.
Além disso, as interações entre elas são fundamentais nesse processo todo. Muitas vezes uma criança observa o movimento do colega e tenta imitá-lo ou modificar aquilo que viu à sua maneira. Isso enriquece demais o aprendizado delas porque não só estão trabalhando com as próprias noções espaciais como também estão aprendendo umas com as outras.
Olha só, acho que o segredo é esse: oferecer espaços ricos em possibilidades de exploração e deixar as crianças guiarem suas próprias experiências de aprendizado, intervindo apenas quando realmente necessário. Dá trabalho? Dá! Mas ver cada pequena descoberta delas compensa qualquer esforço nosso. Até mais!
percepção espacial e a autoconfiança, viu? E é bem aí que a gente entra, observando atentamente esses movimentos, essas tentativas e conquistas do dia a dia.
Aqui na minha turma, eu vou anotando no meu caderninho de registros tudo que me chama atenção. Por exemplo, tem a Luiza que sempre gostou de subir nas estruturas do parquinho. Outro dia, notei que ela encontrou uma forma nova de descer o escorregador, de costas! Eu fiquei acompanhando de perto, respeitei o tempo dela. E olha só, ela tava tão concentrada, percebendo o próprio corpo e os limites. Eu registrei isso num videozinho rápido pra depois refletir sobre como esse desafio corporal tava ajudando ela a entender melhor seu corpo no espaço.
E sabe o que é bacana? Ver os pequenos conversarem entre si enquanto exploram. O Pedro sempre fala “vou pular daqui até ali” e tenta calcular a distância entre dois marcadores no chão. Ele usa palavras como “perto” e “longe” e faz questão de mostrar pros amigos quando consegue alcançar o objetivo.
Esses registros que faço me ajudam muito a planejar as próximas propostas. Com as fotos e vídeos, eu consigo observar se uma criança tá se interessando mais por uma forma de movimento do que por outra. Aí eu vou ajustando: se vejo que muitos estão interessados em escalada, por exemplo, posso pensar em novos desafios com cordas ou até um circuito novo. Não é sobre avaliar se acertaram ou não, mas sobre perceber o quanto eles estão engajados e o que mais pode mobilizar essa curiosidade.
Falando dos direitos de aprendizagem, olha só: esse objetivo tá muito ligado a explorar, brincar e conhecer-se. Quando tão explorando o espaço da sala ou do pátio, as crianças descobrem novas possibilidades de ação. E isso é demais! O brincar tá presente em cada movimento experimentado por elas, e é aí que elas mais aprendem – no faz de conta de que são super-heróis pulando "abismos" ou dançarinas dando piruetas.
Tem dia que eu organizo um circuito no pátio com diferentes formas de movimentação. Além de cones, cordas e bambolês, coloco uma música animada pra eles irem criando coreografias. Aí entra a questão do expressar também. Elas vão botando pra fora o que sentem e pensam através dos gestos e movimentos.
Agora deixa eu te contar sobre como eu adapto essas experiências pro João e pra Bia. O João tem suspeita de TEA e ele se beneficia muito quando organizo o espaço de forma mais previsível. Eu crio uma sequência visual com fotos ou desenhos das atividades do dia pra ajudar ele a entender o que vem depois. Isso dá um conforto maior pra ele explorar sem se sentir perdido. No circuito mesmo, se ele sente que tá muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, eu ajusto diminuindo os estímulos visuais ou sonoros em alguns momentos.
A Bia tem um atraso na linguagem, então eu sempre acompanho suas tentativas de comunicação durante as atividades físicas. Quando ela tá no parquinho ou nas brincadeiras de movimento livre, ofereço objetos ou imagens que a ajudem a expressar escolhas – tipo cartõezinhos com figuras dos brinquedos disponíveis ou das opções de atividade. Assim, ela consegue se comunicar melhor sem ficar frustrada.
Olha só um exemplo que deu certo: durante uma atividade com bambolês espalhados no chão (pra eles pularem dentro), eu percebi que a Bia não tava tão segura pra pular sozinha. Peguei dois bambolês e brinquei junto com ela, mostrando como fazer movimentos mais amplos com os braços pra ganhar impulso. Eita alegria quando ela conseguiu pular sozinha pela primeira vez! A gente comemorou junto com toda turma!
Ainda tem coisa que tô tentando ajustar melhor. Às vezes fico pensando em como variar mais as propostas sem perder a previsibilidade pro João ou em como envolver mais a Bia nas brincadeiras coletivas. A gente vai experimentando juntos.
Então é isso, minha gente! Espero que essas experiências possam inspirar vocês aí também na prática diária com os pequenos. É sempre bom trocar essa vivência rica que temos com as crianças. Vou parando por aqui agora, mas qualquer coisa tô por aqui pra continuar essa conversa outra hora! Até mais!