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EI02CG03Crianças bem pequenasCorpo, Gestos e Movimentos

Explorar formas de deslocamento no espaço (pular, saltar, dançar), combinando movimentos e seguindo orientações.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI02CG03) Explorar formas de deslocamento no espaço (pular, saltar, dançar), combinando movimentos e seguindo orientações.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI02CG03 faz parte do campo Corpo, Gestos e Movimentos, que organiza experiências de exploração do próprio corpo, dos gestos, dos movimentos amplos e finos, do cuidado pessoal e da expressão corporal nas brincadeiras e na cultura.

Características da faixa etária (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)

Esta faixa é marcada pela explosão da linguagem oral, pela ampliação do repertório motor (correr, saltar, subir, descer) e pela consolidação do brincar simbólico (faz de conta). É também o período do reconhecimento das próprias emoções, dos primeiros conflitos sociais e do enfrentamento das frustrações. O 'não' afirmativo é parte legítima desse desenvolvimento.

Práticas recomendadas: Brincadeira de faz de conta com objetos abertos, propostas de exploração com materiais não estruturados (tampinhas, tecidos, caixas), espaços para corrida e movimento amplo, mediação atenta nos conflitos.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, quando a gente pensa nesse objetivo da BNCC, a gente tá falando de proporcionar pras crianças a chance de descobrir o próprio corpo em movimento, de entender o que cada partezinha consegue fazer e como essas partes podem colaborar entre si. É sobre dar oportunidade pra elas experimentarem o pular, o saltar, dançar... sem um roteiro fixo, entende? Tipo, a criança não tá ali pra "aprender a pular", mas sim pra sentir o prazer do pulo, pra encontrar seu equilíbrio, testar até onde vai sua coragem. É uma descoberta constante, uma forma de ampliar seu repertório motor, emocional e social.

Aqui na minha turma, as crianças tão sempre em movimento. Elas vivem se desafiando a subir numa pilha de almofadas ou a pular de um lado pro outro sem cair. Por exemplo, a Sofia adora pular dos degraus da escada da varanda da nossa sala. Ela começa devagarinho, no primeiro degrau, e com o tempo vai criando confiança pra tentar do segundo, do terceiro... E nessa brincadeira, ela tá explorando equilíbrio, percebendo o peso do corpo ao cair no chão e interagindo com as outras crianças que ficam em volta dizendo: "Agora eu!" ou "Eu consigo mais alto!"

Vou contar umas propostas que tenho feito aqui na sala pensando nesse objetivo. Uma que adoro organizar é o "circuito das aventuras". Não é nada complicado: pego uns colchões velhos, umas caixas grandes de papelão, uns rolos de tecido e espalho pelo espaço externo da creche. Não tem um caminho certo a seguir — as crianças são livres pra criar seus próprios percursos. Elas começam rolando no colchão, depois entram nas caixas e saem pelo outro lado como se estivessem num túnel. Os rolos de tecido servem pra pular ou enrolar nos braços como capas. Na última vez que fizemos isso, o Lucas resolveu inventar uma história de ser um super-herói que resgata seus amigos presos na caixa-túnel. Foi lindo ver como os outros compraram a ideia e começaram a criar personagens também. Eu dou um suporte ali ajudando a esticar o tecido se precisar ou dando uma mãozinha na hora dos pulos mais difíceis, mas não interfiro na brincadeira deles.

Outra proposta que sempre rende boas interações é a "dança dos tecidos". Aqui eu disponibilizo várias peças de tecido diferente — lisos, estampados, leves e mais pesados — na sala de música. A ideia é colocar uma música instrumental bem variada e deixar que as crianças explorem os tecidos enquanto dançam. É uma experiência sensorial muito rica porque elas sentem as texturas e reagem aos ritmos da música com movimentos espontâneos. Na última vez que fizemos essa atividade, a Júlia começou a girar com um tecido longo amarrado na cintura como se fosse uma saia rodada. Logo outros quiseram imitar e formamos uma roda onde cada um entrava no centro pra mostrar seu movimento especial. Eu ficava ali do lado incentivando com palmas e sorrisos, ajudando as crianças mais tímidas a se abrirem também.

A última que vou contar é sobre uma proposta que chamo de "pulos no quintal". No quintal da nossa escola tem uma parte com areia e outra cimentada. Eu gosto de levar as crianças lá com uns bambolês coloridos que usamos como marcações no chão. Espalho os bambolês pela areia e pelo cimento em diferentes distâncias e convido as crianças a pularem de um pro outro. Não tem ordem nem regra fixa; cada criança escolhe seu caminho e sua forma de pular — algumas andam primeiro pra pegar confiança, outras já começam saltando direto. Da última vez, o Pedro foi super cuidadoso no começo, mas depois começou a inventar formas engraçadas de pular — tipo imitando sapo ou canguru — o que fez as outras crianças caírem na risada e tentarem imitar também. Eu fico observando de perto, às vezes estimulando com sugestões como "Será que alguém consegue pular com um pé só?", mas principalmente reconhecendo suas conquistas: "Uau! Que salto grande!"

Em todas essas propostas o importante é respeitar o tempo e as iniciativas das crianças. A gente não força ninguém a participar se não quiser naquele momento; às vezes só observar já é uma forma rica de aprender. E o mais bonito é ver como eles criam suas próprias formas de brincar e interagir quando têm espaço pra isso.

Então é isso minha gente! Espero ter ajudado vocês a visualizarem melhor como esse objetivo pode ser trabalhado no dia a dia com nossos pequenos exploradores. E vocês? Têm alguma proposta bacana pra compartilhar? Vamos trocar figurinhas!

Sabe, na observação do dia a dia, a gente vai percebendo os pequenos sinais de que a experiência tá gerando aprendizado pras crianças. É bem sutil, mas tá ali. Por exemplo, com aquele nosso circuito de almofadas, a Sofia não só pula, mas ela começou a fazer umas piruetas antes de pular, e isso não era algo que ela fazia antes. Isso mostra que ela tá ganhando confiança no corpo dela, tá experimentando e integrando novas possibilidades de movimento. Já o Pedro, que no começo preferia só andar pelas almofadas com muita cautela, agora se arrisca a dar pequenos saltos. E quando ele cai, ele ri e tenta de novo, o que é lindo de ver. Ele mesmo já reconhece como levantar o corpo depois do tombo.

Outra coisa que eu observo é na hora de subir as escadas do parquinho. A Luana sempre hesitava na metade do caminho, mas agora ela olha pra mim antes de subir e diz "Olha só, tô indo!" e vai até o final. Então, essa pequena frase dela já me diz tanto: ela tá se sentindo segura e confiante pra ir além. Vejo também que o fato das crianças estarem sempre juntas nessas experiências faz diferença. Elas observam umas às outras, copiam movimentos e até criam novos desafios juntas. Essa interação constante é uma forma de aprendizado social muito rica.

Pra registrar essas conquistas e momentos de evolução, eu uso um caderno onde anoto essas observações. Escrevo sobre os movimentos novos que cada criança tá desenvolvendo, as interações que acontecem, as falas que me chamam atenção. Às vezes faço pequenos vídeos ou tiro fotos pra ter um registro mais visual de como as coisas tão acontecendo. Isso me ajuda a ajustar as próximas propostas que vou trazer pra turma.

Por exemplo, se eu percebo que muitas crianças tão interessadas em explorar saltos de diferentes alturas, posso trazer novos materiais pro espaço do pátio ou rearranjar o ambiente pra oferecer esse tipo de experiência em outros momentos da rotina também.

Agora falando dos direitos de aprendizagem que esse objetivo mobiliza, acho que posso destacar o Brincar, Explorar e Conhecer-se. No brincar, vejo como elas criam histórias enquanto se movem pelo espaço. Um dia desses o grupo tava brincando de ser "super-heróis voadores", cada um com seu jeito próprio de voar. Já na exploração, prática e descoberta são essenciais; por exemplo, elas começam a testar diferentes tipos de superfícies pra andar ou pular: piso liso versus grama sintética. E aí vem o conhecer-se: é maravilhoso ver como cada criança vai descobrindo suas possibilidades e limites individuais nesse processo. Elas vão aprendendo onde pisar mais firme, como usar os braços pra equilibrar, quando é preciso pedir ajuda ao colega.

Sobre incluir o João e a Bia nessas atividades, faço algumas adaptações pra garantir que eles também se sintam parte do grupo e tenham suas necessidades atendidas. Pro João, que tem suspeita de TEA, tento oferecer sempre uma rotina bem previsível antes das atividades motoras. Ele gosta de saber o que vai acontecer em seguida e isso dá mais segurança pra ele participar. Às vezes uso cartões visuais com imagens dos movimentos ou dos espaços onde vamos estar pra ele entender melhor o que vem depois.

A Bia tem um atraso na linguagem e pode demorar um pouco mais pra entender algumas instruções verbais ou expressar o que tá sentindo durante as atividades. Com ela, eu trabalho muito com gestos e sinais simples durante as atividades motoras e sempre dou um tempo extra pra ela tentar completar cada desafio no seu ritmo.

No espaço físico, procuro criar cantinhos onde uma criança pode explorar sozinha sem muitas distrações ou onde pode interagir em pares pequenos antes de entrar numa atividade em grupo grande. Isso tem funcionado bem com o João porque às vezes ele precisa desse momento inicial mais calmo pra se ambientar antes de entrar no movimento mais frenético da turma toda junta.

Ainda tô tentando encontrar outros materiais e formas de engajamento pros dois em algumas propostas específicas onde percebo certa dificuldade em manter o interesse ou acompanhar os colegas. Mas tudo vai devagarzinho; importante é ter paciência e continuar observando cada detalhe!

E é isso minha gente! Espero ter dado uma ideia boa sobre como a gente faz aqui na turma quando pensa nesse campo Corpo, Gestos e Movimento pras crianças bem pequenas. Cada sinalzinho conta! Quem tiver dicas ou quiser trocar figurinhas sobre essas experiências por aqui vai ser massa! Até a próxima conversa!