Olha, quando a gente fala desse objetivo EI03CG05 da BNCC, estamos pensando em como as crianças pequenas vão desenvolvendo suas habilidades manuais enquanto lidam com diferentes situações do dia a dia. É tipo quando a gente vê a criançada amarrando o cadarço do sapato pela primeira vez, tentando abrir uma embalagem, ou até mesmo desenhando e pintando de um jeito mais intencional. Elas estão aprendendo a coordenar suas mãozinhas, mas isso vai muito além de só segurar um lápis, viu?
Aqui na minha sala, eu percebo que essa coordenação manual é uma habilidade que se constrói pela exploração e pela repetição de movimentos em contextos variados. A criança dessa faixa etária está na fase de experimentar o mundo com as mãos: apertar, puxar, empilhar, recortar. Elas fazem isso porque estão curiosas, com vontade de entender como as coisas funcionam. E é aí que entra o nosso papel de mediar essas experiências de forma que elas possam explorar essa coordenação de maneira significativa.
Agora vou contar pra vocês umas propostas que eu costumo organizar aqui na sala com esse objetivo em mente. Isso não é receita de bolo não, mas quem sabe acende uma luzinha aí pra vocês também!
Uma coisa que a gente faz bastante são as mesas de descobertas. Eu monto um espaço com vários tipos de materiais não estruturados como tampinhas de garrafa, pedaços de tecido, caixas de papelão, sementes e gravetos. O legal dessas mesas é que elas não têm um jeito certo ou errado de brincar. As crianças chegam e vão logo mexendo em tudo. Da última vez, a gente deixou à disposição também umas colheres e potinhos e foi lindo ver a interação: o Pedro começou empilhando tampinhas e acabou inventando um jogo de colher tampinhas sem usar as mãos. A Paula quis fazer colagens com gravetos e tecidos. Eu fico por ali acompanhando, comentando um pouquinho do que vejo “Nossa, Pedro, olha como a torre tá alta!” ou perguntando “Paula, o que você tá pensando em fazer agora?” Isso ajuda a refletir sobre o que tão fazendo sem direcionar.
Outra proposta que eu adoro é a brincadeira com água e corantes naturais. No calorão daqui de Salvador, nada melhor que uma brincadeira molhada! A gente coloca bacias com água e oferece corantes feitos de beterraba, cenoura e espinafre. Tem também uns recipientes como copinhos e frascos vazios. As crianças adoram ver a água mudar de cor enquanto misturam tudo. Da última vez, o Lucas tava tão empolgado que passou uns bons minutos só misturando corantes e observando as mudanças. A Sofia inventou que era uma cientista e começou a explicar pros colegas o que tava fazendo. Aqui eu fico mais atenta às interações: “Lucas, o que aconteceu com a água quando você colocou aquele corante?” ou “Sofia, você pode mostrar pros amigos como fez essa cor?”
Também já fizemos uma experiência bem bacana com tecelagem simples usando papelão e lã colorida. Cada criança recebeu um pedaço de papelão com cortes nas laterais pra passar os fios. Não tem um objetivo final certinho — a ideia é deixar eles explorarem a técnica do jeito deles. Na última vez fizemos isso no pátio, na grama mesmo. Algumas crianças teceram só um pedacinho, outras quiseram fazer desenhos mais complexos. A Maria foi super concentrada nesse dia; ela disse que tava fazendo uma casa pro passarinho! Eu ajudo principalmente se precisar dar um nó ou ajustar algo no papelão, mas sempre pergunto se posso ajudar antes.
E aí, minha gente, acho importante lembrar que nessas vivências a criança tá sempre interagindo com o espaço e com os colegas. Elas brincam juntas, compartilham descobertas e isso faz parte do aprendizado também! As interações entre eles são muito ricas — às vezes eles aprendem muito mais um com o outro do que só comigo falando.
Tudo isso ajuda as crianças a coordenarem suas habilidades manuais em situações que fazem sentido pra elas. Não é sobre ensinar como segura o lápis ou qual é o jeito certo de pintar dentro das linhas — é sobre oferecer oportunidades ricas pra elas explorarem seus interesses e necessidades através das mãos.
Espero que essas ideias inspirem vocês! Às vezes a gente precisa só lembrar que as experiências mais simples podem ser as mais significativas pras crianças.
Até a próxima conversa!
Ah, minha gente, observando o desenvolvimento das crianças em relação a esse objetivo EI03CG05, a gente precisa mesmo tá atenta aos detalhes do dia a dia, viu? Aqui na minha turma, eu fico de olho nas pequenas conquistas e nos desafios que as crianças enfrentam. Por exemplo, quando elas tão lá tentando fechar o zíper da blusa sozinhas, isso já é um sinal de que tão avançando na coordenação. Tem também aquela hora do lanche, que é um momento riquíssimo pra gente observar como elas lidam com os talheres, a forma como pegam a colher ou o jeito que tentam cortar uma banana com a faca de plástico. Aí, você vê ali uma tentativa de controlar os movimentos das mãos e dedos.
As falas também são ótimas pistas. Escuto muito as crianças comentando entre si coisas como "Olha o que eu consigo fazer!" ou "Consegui!" quando finalmente acertam alguma coisa que tão tentando há um tempo. Outro dia, o Lucas tava empilhando uns blocos e falou assim: "Agora é a vez do azul aqui em cima", apontando pro bloco certo e encaixando direitinho. Esse tipo de fala mostra como eles estão pensando e planejando os movimentos.
Tem também aquelas escolhas que as crianças fazem nas brincadeiras livres. A Ana adora brincar na área de sucata, ela sempre vai direto nos rolos de papelão e nas tampinhas. Isso me diz que ela tá interessada em explorar materiais diferentes e testar suas habilidades motoras com eles. E quando o Felipe escolhe desenhar e já separa os lápis de cor que quer usar? Dá pra ver que ele tá mais seguro dos movimentos, selecionando e segurando os lápis com mais confiança.
Eu gosto muito de usar registros pra acompanhar esse desenvolvimento. Normalmente, anoto num caderninho algumas observações do dia, tipo um diário mesmo. Às vezes tiro fotos ou faço um videozinho curto do momento em que a criança tá realizando uma atividade específica. Esses registros ajudam muito na hora de planejar as próximas propostas pras crianças. Se vejo que a maioria ainda tá com dificuldade em algum movimento específico, posso propor mais atividades relacionadas àquilo. É um ajuste contínuo, sempre buscando o que faz sentido pra turma naquele momento.
Sobre os direitos de aprendizagem, eu vejo muito forte aqui na minha turma o Brincar, Explorar e Expressar. A hora da brincadeira livre é fundamental porque é quando as crianças têm a liberdade de escolher o que querem fazer e como querem fazer. É nesse momento que elas experimentam novos movimentos sem medo de errar, testando possibilidades. Por exemplo, quando propomos uma caixa de itens sensoriais, o brincar se torna ainda mais rico. As crianças pegam, sacodem, analisam cada objeto com um interesse genuíno.
Explorar também tá presente nas atividades ao ar livre. Quando vamos pro pátio ou pro jardim da creche, deixo as crianças soltas pra investigar o espaço ao redor. Elas correm atrás de formigas, coletam folhas caídas no chão ou tentam escalar pequenos obstáculos. Isso tudo ajuda no desenvolvimento motor e no conhecimento do próprio corpo.
E Expressar não fica por trás não! Quando vejo as crianças desenhando ou pintando, elas estão ali colocando suas ideias no papel através dos movimentos das mãos. É lindo ver as histórias que contam enquanto desenham.
Agora falando do João e da Bia: olha só, com o João, que tem suspeita de TEA, eu tento sempre deixar bem claro qual é a proposta do dia usando imagens visuais pra ele compreender melhor o que vamos fazer. Também adapto algumas atividades pra serem menos desafiadoras sensorialmente pra ele. Um exemplo foi quando fizemos uma atividade com massinha: deixei ele usar luvas porque ele não gosta muito da textura pegajosa da massinha nas mãos.
Pra Bia, que tem esse atraso de linguagem, eu uso muitas músicas e cantigas na roda pra estimular a fala e também dou bastante tempo pra ela se expressar do jeito dela sem pressa. Na hora das atividades manuais, ofereço pincéis mais grossos porque ela ainda tá desenvolvendo força nos dedinhos.
Organizo o espaço sempre pensando em acessibilidade: deixo materiais ao alcance de todos e reservo cantinhos mais tranquilos pra quem precisa de mais calma. Ainda tô tentando encontrar maneiras novas de incluir cada vez mais esses dois na rotina do grupo sem que sintam tanta diferença.
E é isso aí! Compartilho essas experiências porque sei como pode ser desafiador encontrar os melhores caminhos pra cada criança nesse mundo tão diverso da educação infantil. Espero ter ajudado um pouquinho com essas histórias do nosso dia a dia por aqui. Um abraço apertado pra todas vocês!