Olha, esse objetivo da BNCC que fala sobre criar movimentos, gestos, olhares e mímicas é uma coisa linda, viu? Na prática, a gente tá falando de permitir que a criança use o corpo pra se expressar de diversas formas. As crianças dessa faixa etária, dos 4 aos 5 anos e 11 meses, estão numa fase em que o corpo é uma ferramenta poderosa de comunicação e exploração do mundo. Elas não aprendem como a gente aprende na escola, decorando e repetindo. Elas vivenciam experiências que vão ampliando o repertório delas, sabe? Então, a gente precisa proporcionar experiências que sejam ricas em possibilidades de movimento e expressão corporal.
Vou te contar umas propostas que faço aqui na minha sala pra trabalhar isso. A primeira delas é uma brincadeira que a turma adora: é o "Baile das Fantasias". Eu trago vários tecidos coloridos, de texturas diferentes, como cetim, algodão, tule... Coloco no chão como um grande tapete de possibilidades. Também tem umas caixas com acessórios variados – chapéus, óculos vazados feitos de papelão, colares de sementes. Deixo tudo organizado num canto da sala e explico pra turma que vamos preparar um baile. A música começa a tocar e as crianças escolhem os materiais que desejam usar.
Olha só que interessante, na última vez que fiz essa proposta, o Felipe pegou um tecido azul bem grande e começou a rodopiar pela sala com ele aberto nas mãos. A Jéssica logo se juntou a ele com um pano vermelho e juntos começaram um diálogo corporal sem palavras. Era como se estivessem dançando uma história que só eles entendiam. Eu observei, fiquei ali por perto pra garantir a segurança e também pra mediar se necessário. Às vezes fazia uma pergunta ou comentava algo sobre os movimentos deles, propondo variações sutis sem interromper a interação deles.
Outra proposta é uma atividade chamada "Teatro das Mãos". Nesse dia, organizo a sala num semicírculo e uso um lençol esticado numa das paredes como fundo pro nosso teatro. Ofereço lanternas pequenas pras crianças explorarem sombras e movimentos com as mãos. A sessão dura em torno de 30 minutos – é importante respeitar o tempo deles e perceber quando começam a perder o interesse. Eles adoram criar personagens com as sombras das mãos na parede. Da última vez, o Pedro inventou uma história sobre um dragão e uma princesa valente só com as mãos e as sombras. A turma toda ficou fascinada! Quando percebo que estão engajados assim, procuro fazer perguntas abertas: "Como será que o dragão está se sentindo agora?" ou "O que será que vai acontecer com a princesa?"
Por fim, tem uma proposta bem querida pelo grupo chamada "A Floresta Encantada". Essa envolve interação direta com elementos da natureza e dura cerca de 40 minutos ou enquanto a turma tiver interesse. Levamos pra área externa pedaços de gravetos, folhas secas, pedrinhas e pedaços de pano verde para simular árvores ou arbustos. Deixo tudo espalhado pelo chão pra eles criarem livremente suas próprias florestas encantadas. Na última vez, vi a Ana Paula amarrando gravetos com um pedaço de pano verde e dizendo que era a casa dela na floresta. Ela convidou o Lucas pra entrar na casa e ali começaram uma brincadeira de faz-de-conta.
Ah, minha gente, essas propostas são mesmo incríveis pra ver como as crianças expressam suas ideias e sentimentos através dos movimentos do corpo. E o mais bonito é observar como elas interagem entre si nessas vivências – como compartilham ideias, constroem narrativas juntas... É muito gratificante! O tempo todo eu estou ali por perto mediando quando necessário, mas sem direcionar demais. É importante dar esse espaço pras crianças criarem sem muita interferência pra que elas realmente possam explorar seu potencial expressivo.
Enfim, essa é uma parte do nosso trabalho na creche que traz muitas alegrias. Quando a gente vê as crianças se soltando assim na dança, no teatro com sombras ou no faz-de-conta na floresta encantada, percebemos o quanto essas experiências são ricas e transformadoras. Espero ter ajudado você a pensar em algumas ideias pra sua turma também! Se precisar de mais dicas ou quiser compartilhar suas experiências também, estamos sempre aqui pra conversar!
Olha, continuando nossa prosa sobre o objetivo EI03CG03, vamos falar um pouquinho de como a gente observa e registra o desenvolvimento das crianças nesse campo do Corpo, Gestos e Movimento. Aqui na minha turma, eu sempre tô atenta ao que elas me mostram no dia a dia. Cada gesto, cada tentativa de movimento, cada escolha delas é um sinal de que alguma coisa ali tá mobilizando uma aprendizagem. Por exemplo, durante o "Baile das Fantasias" que mencionei antes, eu reparo muito em como elas escolhem dançar. Tem criança que no início tá meio tímida, se balançando só um pouquinho, mas depois vai ganhando confiança e se soltando mais. Isso pra mim é um sinal claro de que aquela experiência tá ajudando ela a se expressar melhor com o corpo.
Teve um dia, por exemplo, que o Pedro chegou meio cabisbaixo e não queria participar do baile. Eu respeitei o tempo dele, deixei ele ficar só olhando se quisesse. E não é que depois de um tempo observando os colegas, ele começou a bater o pé no ritmo da música? Foi tão bonito de ver! É nesses momentos que a gente percebe como as vivências estão ampliando o repertório das crianças. E aí vem aquela fala espontânea do tipo "Tia Helena, olha meu passinho novo!", mostrando que ele não só experimentou o movimento como também quis compartilhar essa descoberta.
Pra não deixar esses momentos passarem batido, eu gosto de registrar tudo isso. Tem dias que anoto num caderninho ali na hora mesmo, só palavras-chave pra lembrar depois. Em outras situações, tiro uma foto ou faço um vídeo curtinho (sempre com autorização dos responsáveis). Esses registros são preciosos porque me ajudam a ajustar as próximas propostas. Por exemplo, se vejo que uma criança tá usando mais movimentos de braços nas danças, posso trazer músicas e brincadeiras que incentivem outros tipos de movimentos e posturas.
Falando dos direitos de aprendizagem que esse objetivo mobiliza, dois que eu vejo muito são Brincar e Expressar. O direito de Brincar se revela em cada interação com os colegas durante as atividades corporais. Eles inventam passos novos juntos, riem das tentativas, se apoiam quando alguém tá meio desajeitado. Já Expressar é aquele momento em que a criança usa gestos grandes pra contar uma história com o corpo ou quando ela faz caretas engraçadas imitando um animal na roda de música.
Também noto muito o direito de Explorar sendo exercido. As crianças são curiosas demais! Lembro de uma vez em que fizemos uma proposta com tecidos coloridos pendurados pelo espaço da sala. A ideia era que elas explorassem os movimentos com os tecidos, girassem, jogassem pro alto. Elas foram além e inventaram um jogo de esconde-esconde entre os tecidos! É incrível como elas sempre encontram formas novas de usar o corpo no espaço.
Agora falando do João e da Bia, cada criança é única e merece propostas pensadas nas suas necessidades e interesses. Pro João, que tem suspeita de TEA, eu procuro ter uma rotina bem previsível nas atividades corporais, porque isso ajuda ele a se sentir mais seguro pra participar. No "Baile das Fantasias", por exemplo, uso fones com redução de ruído quando a música tá mais alta e ele fica incomodado. Também crio um canto mais tranquilo na sala onde ele pode observar sem pressão até se sentir à vontade pra se juntar aos outros.
Para a Bia, que tem um atraso de linguagem, eu costumo usar músicas com gestos bem marcados, porque isso facilita a compreensão e a participação dela. Durante as brincadeiras corporais, sempre dou tempo extra pra ela processar o que tá acontecendo e responder no seu ritmo. A gente também usa objetos como lenços ou maracas pra enriquecer as experiências sensoriais.
Ah! E vale mencionar: continuo testando estratégias diferentes pra engajar todos eles. Às vezes funciona melhor com um tipo específico de música ou material; outras vezes preciso ajustar aquilo que pensava ser eficiente. O importante é estar aberta ao processo e às respostas do grupo.
Então é isso! Espero ter contribuído com algumas ideias práticas pra vocês aí também. Qualquer coisa podem me perguntar mais sobre a nossa rotina aqui na creche. Vamos seguir juntas nessa troca por uma educação infantil mais viva e respeitosa! Até a próxima conversa!