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Apropriar-se de gestos e movimentos de sua cultura no cuidado de si e nos jogos e brincadeiras.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI02CG01) Apropriar-se de gestos e movimentos de sua cultura no cuidado de si e nos jogos e brincadeiras.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI02CG01 faz parte do campo Corpo, Gestos e Movimentos, que organiza experiências de exploração do próprio corpo, dos gestos, dos movimentos amplos e finos, do cuidado pessoal e da expressão corporal nas brincadeiras e na cultura.

Características da faixa etária (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)

Esta faixa é marcada pela explosão da linguagem oral, pela ampliação do repertório motor (correr, saltar, subir, descer) e pela consolidação do brincar simbólico (faz de conta). É também o período do reconhecimento das próprias emoções, dos primeiros conflitos sociais e do enfrentamento das frustrações. O 'não' afirmativo é parte legítima desse desenvolvimento.

Práticas recomendadas: Brincadeira de faz de conta com objetos abertos, propostas de exploração com materiais não estruturados (tampinhas, tecidos, caixas), espaços para corrida e movimento amplo, mediação atenta nos conflitos.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, quando a gente fala sobre as criancinhas se apropriarem de gestos e movimentos da cultura delas, eu entendo isso como elas se descobrindo no mundo, sabe? É ver como elas vão pegando jeito nas coisas do dia a dia, nos cuidados com elas mesmas, e até mesmo nas brincadeiras. É tipo ver o Joãozinho puxando a blusa pra cima porque tá calor ou a Ana tentando amarrar o cadarço do próprio tênis. E claro, também nas brincadeiras, quando eles imitam a gente ou inventam jeitos novos de brincar com os amigos. Elas não estão ali "aprendendo" a vestir a blusa ou "decorando" movimentos novos; elas estão vivendo experiências e se apropriando desses gestos e movimentos com o tempo.

No nosso dia a dia aqui com o Grupo 2, a gente tem várias propostas que ajudam as crianças a se apropriarem desses gestos e movimentos. Uma coisa que eu gosto muito de fazer é montar um espaço de exploração sensorial com materiais não estruturados. Por exemplo, a gente junta umas tampinhas de garrafa, uns tecidos coloridos e umas caixas de tamanhos diferentes. A ideia é deixar eles livres pra mexer, tocar, empilhar, derrubar. Um dia coloquei esse canto na sala e a primeira reação foi aquela bagunça boa: tampinhas voando, caixas se transformando em carros e naves espaciais! A Maria logo pegou um tecido e começou a correr pela sala com ele no pescoço, igual uma capa de super-herói. Eu vou mediando essas brincadeiras meio de longe, só observando como eles interagem entre si e com os materiais. Se alguém fica meio perdido, dou uma sugestão: "Olha só como o Pedro tá empilhando as caixas, será que você consegue fazer igual ou diferente?" Mas deixo eles experimentarem bastante.

Outra proposta que sempre rende muita coisa boa é o circuito de movimentos. Na área externa da creche, a gente organiza alguns materiais: cordas no chão pra eles equilibrarem em cima, pneus pra pular dentro e fora, bambolês pendurados pra passar por baixo. A gente organiza em estações e deixa as crianças fazerem no tempo delas. Não tem ordem certa nem tempo contado; é tudo no ritmo deles. Na última vez que fizemos isso, o Gustavo ficou um tempão só pulando nos pneus - ele adora! Enquanto isso, a Júlia tentava passar pelo bambolê bem devagarinho. Eu dou umas dicas quando vejo que alguém quer tentar algo novo ou precisa de apoio: "Vamos ver se você consegue passar por baixo do bambolê sem encostar!" E vou junto quando precisa de ajuda, mas sempre incentivando eles a tentarem sozinhos.

E tem também os jogos simbólicos que são incríveis pra essa faixa etária. A gente monta um cantinho da casa com panelinhas de alumínio, colheres de pau, paninhos que parecem toalhas ou lençóis. Eles adoram imitar a rotina da casa: "cozinham", "servem café", colocam as bonecas pra "dormir". Uma vez o Lucas estava fazendo uma sopa com tampinhas dentro de uma das panelinhas e chamou a Elisa pra tomar um pouco. Ela pegou um pano e fingiu que tava limpando a mesa antes de sentar. É nessas horas que eu chego perto e pergunto: "O que vocês estão preparando aí? Posso provar?" A ideia é mediar sem dirigir; quero mais é ver como eles organizam esses gestos do jeito deles.

Respeitar o tempo das crianças é fundamental em tudo isso. Não tem pressa para eles aprenderem exatamente como segurar uma colher ou como passar pelo circuito sem cair. O importante é a experiência em si e como eles vão ganhando autonomia e ampliando seus repertórios corporais dia após dia.

E aí tá uma das belezas do nosso trabalho na Educação Infantil: cada dia é diferente do outro! Mesmo quando é a mesma proposta, cada nova vivência traz algo diferente porque cada criança está num momento único de desenvolvimento.

Acho que o mais importante é estar atento às interações entre eles - observando como eles lidam com frustrações, como celebram conquistas juntos - e às brincadeiras que nascem espontaneamente quando o ambiente permite esse tipo de exploração livre.

Enfim... Espero que essas ideias ajudem quem tá começando nessa jornada maravilhosa da Educação Infantil! Vou ficando por aqui agora, mas quem quiser trocar mais figurinhas sobre isso é só dar um alô por aqui mesmo, viu? Até mais!

Ah, então, quando eu tô observando o desenvolvimento das crianças relacionado a esse objetivo do campo Corpo, Gestos e Movimento, eu fico muito atenta aos pequenos sinais que elas dão no dia a dia. Não tem um momento certo pra isso acontecer, sabe? É durante toda a rotina. Por exemplo, quando a gente tá no parquinho e vejo a Sofia se equilibrando sozinha na ponte de madeira pela primeira vez, mesmo que com aquele medinho no começo, já é um sinal de que ela tá ganhando confiança nos movimentos dela. Ou então o Pedro, que sempre foi mais tímido pra explorar o espaço, e num dia desses eu percebo ele tentando escalar o escorregador por um lado diferente. Esses gestos e escolhas são pistas de que as vivências que proporcionamos tão mobilizando aprendizado.

Eu também presto atenção nas falas das crianças. Quando a Camila fala "eu consigo pular daqui!", e realmente tenta, tá demonstrando não só uma compreensão do próprio corpo, mas também uma vontade de se desafiar. E olha, mesmo quando não conseguem na primeira tentativa, o importante é esse movimento de experimentação. Eu lembro uma vez em que o Gustavo passou uma semana inteira tentando jogar uma bola pra bem longe. A cada dia ele mudava a posição do corpo ou tentava com uma força diferente até que conseguiu do jeito que ele queria.

Agora, como eu registro tudo isso? Eu gosto de ter um caderninho à mão pra anotar esses momentos significativos. Às vezes tiro fotos ou faço vídeos curtos também, que ajudam a capturar nuances que podem passar despercebidas no momento. Esses registros são valiosos porque me permitem refletir sobre o que tá funcionando e o que posso ajustar nas próximas propostas. Se percebo que muitas crianças ainda tão inseguras em algum movimento específico, posso pensar em incluir mais brincadeiras ou desafios relacionados a isso na rotina.

Falando dos direitos de aprendizagem, nesse objetivo eu vejo muito acontecendo o Conviver e o Brincar. No brincar, as crianças exploram seu corpo de forma espontânea e criativa. Como quando estão na sala de movimento e começam a criar um circuito com os materiais disponíveis; é pura exploração e descoberta. Já no conviver, quando se ajudam mutuamente em pequenos desafios, como empurrar um amigo no balanço ou segurar a mão de alguém que tá com medo na hora da roda gigante do parquinho. E também tem o Participar que fica evidente quando elas fazem escolhas durante as atividades e expressam suas preferências, tipo quando escolhem entre diferentes instrumentos musicais na roda de música.

Agora falando do João e da Bia… Olha só, pro João, que tem suspeita de TEA, eu tento ser muito clara e previsível nas propostas. Mantenho rotinas consistentes porque isso ajuda ele a se sentir mais seguro. Às vezes uso imagens pra ele entender melhor o que vem depois na rotina do dia. Também dou um tempo maior pra ele processar as informações antes de esperar uma resposta ou ação dele. Com materiais, eu percebi que ele responde bem a brinquedos sensoriais e texturas diversas; então sempre garanto que esses materiais estejam acessíveis.

Com a Bia, que tem um atraso de linguagem, eu procuro sempre ampliar o vocabulário dela durante as atividades. Se estamos na área externa brincando com areia, por exemplo, eu vou nomeando os objetos e as ações: "Bia, olha você tá usando a pá", "Vamos fazer um castelo". Também uso muita música e rimas porque ela responde super bem à musicalidade das palavras. Ainda tô buscando formas mais eficazes de incentivá-la a usar frases mais completas; é um processo contínuo.

O espaço e o tempo são pensados pra acolher essas diferenças todas. Ofereço espaços de calma pro João quando percebo que ele precisa dar uma pausa dos estímulos intensos. E deixo materiais variados à disposição pra Bia escolher o que chama a atenção dela; isso ajuda ela a querer se comunicar mais sobre o que tá fazendo.

E é isso, minha gente! A gente vai ajustando nossas práticas conforme observa os pequenos sinais do dia a dia. Não existe receita pronta; cada criança é única e traz seus jeitinhos especiais pra sala. Espero ter ajudado com essas histórias da minha turma! Um abraço carinhoso pra todos vocês!