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EI03CG02Crianças pequenasCorpo, Gestos e Movimentos

Demonstrar controle e adequação do uso de seu corpo em brincadeiras e jogos, escuta e reconto de histórias, atividades artísticas, entre outras possibilidades.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI03CG02) Demonstrar controle e adequação do uso de seu corpo em brincadeiras e jogos, escuta e reconto de histórias, atividades artísticas, entre outras possibilidades.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI03CG02 faz parte do campo Corpo, Gestos e Movimentos, que organiza experiências de exploração do próprio corpo, dos gestos, dos movimentos amplos e finos, do cuidado pessoal e da expressão corporal nas brincadeiras e na cultura.

Características da faixa etária (4 anos a 5 anos e 11 meses)

Nesta faixa, a criança já narra com fluência, planeja brincadeiras complexas com pares, formula hipóteses, faz registros gráficos representativos e demonstra autonomia em diversas tarefas do cotidiano. É o período de aprofundamento das investigações sobre o mundo e de preparação (sem antecipação) para a transição ao Ensino Fundamental.

Práticas recomendadas: Projetos investigativos a partir de interesses das crianças, registros gráficos diversos, contato sistemático com a cultura escrita em situações reais, brincadeiras com regras simples.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Oi, minha gente! Hoje eu vim aqui pra gente bater um papo sobre um objetivo da BNCC que é super importante na nossa prática com os pequenos: o EI03CG02. Esse objetivo fala sobre a criança demonstrar controle e adequação do uso do corpo, e isso envolve muito mais do que só coordenação motora. É sobre como a criança se percebe no espaço, como ela interage com o outro, como ela cria e se expressa. É aquele momento em que a gente vê uma criança se equilibrando numa linha no chão, inventando histórias enquanto brinca de faz de conta, ou mesmo quando ela desenha um mundo só dela numa folha de papel. É um processo cheio de descobertas e aventuras!

As crianças nessa faixa etária de 4 a 5 anos e 11 meses estão realmente desbravando o mundo com seus corpos. Elas correm, pulam, escalam com uma energia que parece inesgotável, mas também começam a se concentrar em atividades mais calmas, como ouvir histórias ou criar algo com suas próprias mãos. Elas estão na fase de tentar entender o que conseguem fazer com seus corpos e como podem se expressar através deles. Cada descoberta é uma conquista e a gente tá aqui pra mediar essas vivências.

Agora, deixa eu contar pra vocês algumas propostas que eu faço aqui na minha turma pra trabalhar esse objetivo.

Uma das coisas que eu adoro organizar é uma sessão de exploração livre de materiais não estruturados. Eu coloco uma diversidade enorme de coisas no meio da sala: tampinhas plásticas de garrafas, pedaços de tecido colorido, gravetos que juntamos no parquinho, caixas de papelão de vários tamanhos, sementes grandes como feijões... A ideia é criar um ambiente rico pra exploração. Não tem certo ou errado nem brinquedo pronto, sabe? As crianças têm todo o tempo que precisarem — geralmente deixo que isso se desenrole ao longo de uma manhã inteira. A reação das crianças é sempre fascinante. Elas pegam os materiais e rapidamente começam a criar suas próprias brincadeiras e histórias. Na última vez que fizemos isso, a Ana pegou as tampinhas e os tecidos e começou a montar uma espécie de mercado imaginário. O Pedro logo se juntou a ela e trouxeram outras crianças pra "comprar" coisas usando semente como dinheiro. Eu fico ali por perto, observando, às vezes fazendo perguntas do tipo "o que você está preparando aí?" ou "como posso ajudar?", mas sem tomar o controle da brincadeira. A ideia é apoiar sem dirigir.

Outra coisa que fazemos bastante aqui é contar histórias em roda e depois brincar de recontar essas histórias através do corpo e dos gestos. Passo um tempinho com eles contando uma história bem envolvente — pode ser um conto tradicional ou uma história inventada na hora. Depois disso, o grupo tem a chance de recriar essa história através da movimentação. Disponibilizo adereços simples como chapéus, capas feitas com panos velhos e até pedaços de corda que podem virar qualquer coisa na imaginação deles. É impressionante ver como eles se envolvem! Na última vez, contamos a história do "João e o Pé de Feijão". E depois, a Luísa decidiu ser o pé de feijão gigante e chamou os amigos pra serem as folhas subindo por todo lado. O Miguel escolheu ser o gigante e fez uns passos lentos e barulhentos pelo espaço. Nesse momento eu também entro na brincadeira: às vezes sou a vaca do João ou até mesmo o narrador que vai ajudando a brincar com as cenas.

E não posso deixar de falar da experiência do circuito motor! Essa é uma proposta onde organizamos um circuito no pátio da escola usando materiais do cotidiano: pneus velhos para pular dentro ou sobre eles, cordas para fazer trilhas no chão ou em suspensão como teia de aranha, tábuas para equilibrar... E assim vai! O circuito é montado pensando nas habilidades motoras que queremos estimular, mas sem rigidez — eles podem explorar conforme o desejo deles. Tem criança que passa horas repetindo um mesmo movimento porque tá gostando daquela sensação no corpo. Na última vez, vi o Lucas se desafiando a andar numa linha reta desenhada com giz no chão enquanto equilibrava um saquinho de areia na cabeça (sem ninguém ter proposto isso!). A Júlia ficava pulando dentro dos pneus enquanto gritava "olha só como eu posso voar!". Eu sempre me coloco ali perto pra garantir segurança e encorajar quando alguém precisa daquele empurrãozinho.

Essas propostas são maneiras maravilhosas das crianças vivenciarem esse controle do corpo enquanto exploram sua criatividade e interagem umas com as outras. A gente sabe bem que nesse processo não vale apressar nem focar no produto final — cada uma tem seu tempo e sua forma única de expressão.

E aí? Como vocês têm trabalhado esse objetivo nas suas turmas? Vamos seguir trocando essas ideias preciosas!

Beijo grande!

Ah, aqui na minha turma eu vejo o desenvolvimento das crianças ligado a esse objetivo a cada dia. E sabe como? Observando! É assim que a gente realmente percebe os sinais de aprendizagem, viu? Por exemplo, quando eu proponho uma brincadeira de pular de argola em argola, observo como as crianças escolhem qual pé usar primeiro, como se inclinam pra frente ou pra trás, e, principalmente, como elas reagem quando não conseguem pular tão longe quanto gostariam. Tem o Dudu, que no início sempre dava uma paradinha antes de pular e agora ele já tá conseguindo ir direto de uma argola pra outra, com aquele sorrisão de quem tá se sentindo o máximo. Isso é sinal de que a experiência tá mobilizando aprendizagem.

E no dia a dia, é bem comum ouvir a Ana dizer: "Tia, consegui!" quando ela finalmente acerta um movimento que tava tentando há algum tempo. Essa fala é um indício claro de que ela tá percebendo o próprio corpo e suas capacidades. Já o Lucas é mais quietinho, mas eu percebo pela escolha dele em brincar mais com jogos de encaixe e blocos de montar. Ele vai testando ali as suas habilidades motoras finas e o controle das mãozinhas.

O que eu faço é sempre registrar essas observações num caderno que tenho especialmente pra isso. Anoto as tentativas, as conquistas, os momentos em que eles se desafiam. Às vezes tiro uma foto ou faço um vídeo curto (com autorização dos responsáveis, claro) pra ter um registro mais visual. Uso esses registros pra ajustar as próximas propostas. Se percebo que a turma tá muito focada em atividades que envolvem mais coordenação motora fina, penso em algo que estimule mais a grossa, tipo uma corrida do saco ou um circuito com obstáculos.

Agora, sobre os direitos de aprendizagem, olha só: o EI03CG02 mobiliza muito o direito de Brincar porque as crianças exploram o corpo delas enquanto se divertem, inventam novas formas de se mover e interagem umas com as outras. Tem um dia da semana que deixamos uns tecidos grandes espalhados pelo chão e eles logo começam a fazer cabanas, puxar um ao outro ou dançar enrolados neles. É pura diversão e expressão corporal!

Explorar também é super mobilizado. Quando organizo um espaço com diferentes texturas no chão — tipo grama sintética, pedrinhas e tapetes — eles caminham descalços e vão percebendo como cada superfície provoca sensações diferentes no corpo deles. Eu vejo as carinhas de surpresa ou risadas quando pisam em algo novo. É um contato direto com o mundo!

Participar não fica de fora, viu? Durante as atividades em grupo, como na construção de um castelo gigante com caixas de papelão, eles precisam decidir juntos onde colocar cada peça. E o mais bonito é ver como eles vão desenvolvendo a habilidade de ouvir o outro e respeitar as decisões do grupo.

Quando penso na acessibilidade para o João, que tem suspeita de TEA, eu adapto algumas propostas pra garantir que ele também esteja envolvido. Se estamos numa atividade em roda cantando e dançando, sempre deixo algum objeto concreto pra ele segurar e manipular — pode ser um chocalho ou mesmo uma fitas coloridas — algo que traga sentido pra ele naquele momento. E dou o tempo dele sem apressar. Fico bem próxima pra dar aquele apoio visual ou físico se necessário.

Com a Bia, que tem atraso de linguagem, adoto estratégias semelhantes. Nos circuitos motores, por exemplo, deixo ela explorar os brinquedos no tempo dela e faço bastante uso da repetição de palavras simples relacionadas ao movimento: "pular", "correr", "subir". E ela adora quando eu canto ou faço sons engraçados — isso a incentiva bastante a tentar imitar.

Quanto à organização do espaço e do tempo, procuro sempre ter uma rotina bem estruturada mas flexível. Crio cantinhos específicos para diferentes tipos de exploração: um canto mais calmo para leitura visual ou quebra-cabeças e outro mais dinâmico para atividades motoras intensas. Assim consigo atender às necessidades individuais sem perder a harmonia do grupo.

Ainda tô tentando encontrar outras formas de ajudar o João a se engajar em atividades coletivas sem que ele se sinta pressionado. E com a Bia, tô procurando novos recursos visuais que incentivem ainda mais sua comunicação.

Então é isso minha gente! Falei demais hoje mas espero ter conseguido passar um pouco da riqueza desse processo todo pra vocês. Se tiverem experiências parecidas ou dicas novas compartilhem aqui também! Até mais!