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EI03CG01Crianças pequenasCorpo, Gestos e Movimentos

Criar com o corpo formas diversificadas de expressão de sentimentos, sensações e emoções, tanto nas situações do cotidiano quanto em brincadeiras, dança, teatro, música.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI03CG01) Criar com o corpo formas diversificadas de expressão de sentimentos, sensações e emoções, tanto nas situações do cotidiano quanto em brincadeiras, dança, teatro, música.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI03CG01 faz parte do campo Corpo, Gestos e Movimentos, que organiza experiências de exploração do próprio corpo, dos gestos, dos movimentos amplos e finos, do cuidado pessoal e da expressão corporal nas brincadeiras e na cultura.

Características da faixa etária (4 anos a 5 anos e 11 meses)

Nesta faixa, a criança já narra com fluência, planeja brincadeiras complexas com pares, formula hipóteses, faz registros gráficos representativos e demonstra autonomia em diversas tarefas do cotidiano. É o período de aprofundamento das investigações sobre o mundo e de preparação (sem antecipação) para a transição ao Ensino Fundamental.

Práticas recomendadas: Projetos investigativos a partir de interesses das crianças, registros gráficos diversos, contato sistemático com a cultura escrita em situações reais, brincadeiras com regras simples.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Oi, minha gente! Hoje quero compartilhar um pouco de como a gente trabalha aquele objetivo da BNCC que fala sobre criar com o corpo formas de expressão. Olha, é um objetivo lindo porque a gente tá falando de ajudar as crianças a se expressarem do jeito delas, com o corpo todo. Não é sobre fazer uma coreografia certinha, mas sobre sentir as coisas e deixar que o corpo mostre isso. É importante lembrar que na Educação Infantil a gente não tá ensinando "conteúdo" como se fosse uma aulinha de matemática ou português. A gente tá proporcionando experiências para ampliar o repertório das crianças e ajudá-las a se expressarem de forma mais rica e criativa.

Aqui na minha turma, com as crianças de 4 a 5 anos e 11 meses, eu percebo que elas têm uma capacidade incrível de usar o corpo pra mostrar como estão se sentindo ou o que estão pensando. Sabe quando uma criança tá brincando de ser um dragão e você vê ali toda a expressão? É isso! Elas usam o corpo para criar mundos e pra mostrar emoções de formas que muitas vezes a gente nem espera. Seja numa brincadeira livre, numa música ou até mesmo no jeito de caminhar pela sala.

Agora vou contar um pouco de como eu organizo algumas propostas aqui na sala, sempre pensando nesse objetivo e nos eixos de interações e brincadeiras. Primeiro, tem uma atividade que eu adoro fazer chamada "Dança dos Tecidos". Eu coloco vários tecidos de cores, tamanhos e texturas diferentes espalhados pelo chão. Aí coloco uma música instrumental e deixo as crianças livres para pegarem os tecidos que quiserem. Elas podem enrolar no corpo, dançar, criar cabanas... A música ajuda a dar aquele clima especial, mas também tiro a música em alguns momentos pra ver como elas reagem ao silêncio. A última vez que fizemos isso, a Mariana pegou um tecido azul e começou a rodar em volta dele como se estivesse num mar agitado. O Lucas, por outro lado, usou dois tecidos verdes como se fossem asas de um passarinho. Eu fico ali observando, faço perguntas abertas tipo "o que esse tecido é pra você agora?" ou só comento "que movimento bonito!". Não fico dando ordem, deixo que as crianças sejam as guias desse momento.

Outra proposta interessante é a "Caixa dos Sons". Numa roda, eu trago uma caixa cheia de objetos que fazem sons variados: tampinhas de garrafa, sementes em potes pequenos, gravetos pra bater no chão, papel amassado... deixo elas explorarem livremente. Essa atividade geralmente dura uns 30 minutos porque eles ficam muito curiosos com cada som novo que descobrem. O João adorou chacoalhar um pote com feijão e começou a marchar pela sala seguindo o som que fazia. Já a Ana pegou dois gravetos e começou a batucar nas pernas dela mesma como se tivesse num desfile. Eu vou provocando conversas: "qual som você mais gostou?" ou "como seria se esse som fosse um animal?". E olha, às vezes nem precisa dizer nada... só olhar nos olhos delas já diz muito!

Pra finalizar, tem uma proposta que é sucesso garantido: "Teatro das Emoções". Eu monto um palco improvisado com umas caixas grandes viradas de lado e uns panos pendurados como cortina. As crianças escolhem personagens em conjunto — pode ser qualquer coisa: rei, rainha, dragão ou até mesmo uma flor falante! — e começam a criar suas histórias ali mesmo. Dou umas máscaras simples sem detalhes que elas podem usar se quiserem (feito de papelão). O mais interessante é ver como elas negociam entre si sobre quem vai ser quem, o que vai acontecer na história. Dura o tempo que elas quiserem levar, mas geralmente uns 40 minutos tá bom pra essa faixa etária. Na última vez, o Gabriel ficou emocionado ao ser escolhido como o rei e fez um discurso todo pomposo dizendo como ia cuidar do reino dele (que era o parquinho do lado de fora!). Eu ajudo mediar se aparece algum conflito tipo quem quer ser o mesmo personagem ou quando alguém fica meio tímido pra entrar na cena.

O mais importante é criar um ambiente seguro onde as crianças possam explorar essas emoções sem medo de errar ou serem julgadas. Cada gesto conta uma história e cada movimento expõe um pedacinho do mundo interior delas. A gente tá aqui pra valorizar isso e aprender junto com elas nesse processo.

Então é isso aí, minha gente! Espero ter dado umas ideias legais pra vocês trabalharem esse objetivo tão maravilhoso da BNCC nas suas turmas também. Até mais!

Olha, minha gente, o que eu mais faço no dia a dia é observar as crianças. Parece simples, mas é assim que a gente reconhece os sinais de desenvolvimento ligado ao objetivo de expressar com o corpo. Por exemplo, tem a Larissa, que antes ficava mais quietinha nos cantos, mas depois de algumas semanas participando das atividades de movimento livre, comecei a notar que ela agora tá se soltando mais, arriscando uns passos diferentes quando tá fazendo as atividades. E olha só o Davi, que adora inventar suas próprias danças e até faz umas narrações enquanto se movimenta. Ele me contou outro dia que era um super-herói voando pra salvar o mundo. Isso tudo é sinal de que a experiência tá mobilizando algo importante ali dentro.

Sabe, eu não tô aqui pra avaliar se “acertaram” ou “erraram” a dança ou o movimento. Eu registro esses momentos preciosos com muito carinho. Uso meu caderninho de anotações pra escrever essas observações do dia a dia e às vezes faço vídeo curto, só pro meu uso mesmo, pra lembrar de como as coisas tão fluindo e pensar em como posso ajustar as próximas propostas. Esses registros me ajudam a perceber padrões, ver quem tá se conectando mais com o quê e como eu posso oferecer novas possibilidades de exploração.

Esse objetivo mobiliza muito os direitos de aprendizagem do Conviver, Explorar e Expressar. Conviver, porque nas atividades em grupo, as crianças aprendem a respeitar o espaço do outro, a dançar juntos sem esbarrar nem atropelar o amiguinho. Tive uma situação linda outro dia com o Pedro e a Sofia: eles estavam tentando sincronizar seus pulos numa música que inventaram na hora e foi uma farra ver como se esforçaram pra fazer juntos.

Explorar é um direito que essas experiências também ativam bastante. Tem dias que eu vejo as crianças descobrindo como podem usar o corpo de formas novas: andar na ponta dos pés como se fosse um gato ou saltitar igual um coelho. A Maria Clara pegou um lençol outro dia e virou uma capa de super-herói, explorando como o vento fazia o tecido balançar enquanto ela corria.

E Expressar é um direito central aqui, né? Porque todo esse trabalho com movimento corporal é sobre isso: deixar as crianças colocarem pra fora o que sentem e pensam através dos gestos e do corpo todo. O Lucas adora fazer caretas engraçadas enquanto dança, é o jeitinho dele de colocar humor nas histórias que cria enquanto se move.

Agora falando do João e da Bia... Olha só, pra incluir todo mundo nas atividades do nosso grupo é preciso pensar bem no espaço e nos materiais. O João tem suspeita de TEA, então eu procuro criar um ambiente mais previsível pra ele. Tenho usado figuras visuais no canto da sala que ele pode consultar quando quiser saber qual atividade vem a seguir. Ajuda muito na segurança dele saber o que vem depois.

Pro João eu também introduzi texturas diferentes nos materiais; ele adora tocar em tecidos variados enquanto dança. Já percebi que materiais como pelúcia ou aquele tecido brilhante chamam mais atenção dele. Isso tem ajudado ele a participar mais ativamente das propostas.

Com a Bia, que tem um atraso de linguagem, eu uso muito gestos junto com as palavras pra garantir que ela entenda bem o que estamos fazendo. Nas atividades de dança e movimento, costumo usar músicas com uma batida mais marcada porque percebo que assim ela consegue acompanhar melhor os ritmos. Também dou um tempo maior para ela explorar cada atividade sem pressa.

Uma coisa que funcionou bem com os dois foi usar fitas coloridas presas nos pulsos ou tornozelos durante as danças. Isso ajuda não só na questão sensorial mas também na percepção visual do movimento próprio e dos outros colegas.

E olha, ainda estou tentando algumas coisas... O desafio ainda é garantir que todos tenham voz (ou melhor dizendo, corpo!) nas atividades e se sintam parte do grupo. Às vezes me pego pensando em novas formas de adaptar os materiais ou dar mais suporte individual quando necessário.

E assim a gente vai seguindo, sempre ajustando as velas conforme o vento muda. É uma jornada constante essa nossa com as crianças! Vou ficando por aqui hoje. Espero ter colaborado com vocês e estou curiosa pra saber como vocês lidam com esses desafios por aí também! Até a próxima!