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EI01CG02BebêsCorpo, Gestos e Movimentos

Experimentar as possibilidades corporais nas brincadeiras e interações em ambientes acolhedores e desafiantes.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI01CG02) Experimentar as possibilidades corporais nas brincadeiras e interações em ambientes acolhedores e desafiantes.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI01CG02 faz parte do campo Corpo, Gestos e Movimentos, que organiza experiências de exploração do próprio corpo, dos gestos, dos movimentos amplos e finos, do cuidado pessoal e da expressão corporal nas brincadeiras e na cultura.

Características da faixa etária (0 a 1 ano e 6 meses)

Nesta faixa, o desenvolvimento é marcado pela exploração sensorial intensa, pela construção do vínculo afetivo com o adulto cuidador e pelas primeiras conquistas motoras (rolar, sentar, engatinhar, andar). A intencionalidade pedagógica acontece nos momentos de cuidado (banho, alimentação, sono) e nas propostas de exploração do entorno. A linguagem se constrói através de balbucios, gestos, olhares e primeiras palavras.

Práticas recomendadas: Espaços seguros e estimulantes, materiais sensoriais variados (texturas, sons, cores), rotinas previsíveis com ritmo respeitoso, vínculo individualizado com a referência educadora.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, minha gente, trabalhar com bebês é uma experiência mágica e desafiadora. Quando a gente pensa no objetivo de "experimentar as possibilidades corporais", é como se a gente estivesse falando sobre permitir que os bebês descubram o mundo com o próprio corpo, entendeu? Nessa fase, eles estão começando a se entender como parte do mundo à sua volta, então tudo é novidade. Imagina só: um bebê de 6 meses descobrindo que pode rolar pra lá e pra cá ou que pode agarrar um chocalho e fazer barulho. É disso que estamos falando quando falamos de explorar o corpo. Eles não estão simplesmente "aprendendo" a pegar um brinquedo — eles estão vivenciando experiências que ampliam seu repertório sensorial e motor. Cada interação e cada movimento são oportunidades de experimentação.

Agora, deixa eu contar pra vocês sobre algumas propostas que eu organizo na minha sala com isso em mente. Primeiro, vou falar da nossa sessão de "Tecidos Mágicos". Eu ofereço uma variedade de tecidos — alguns mais leves, outros com texturas diferentes — e simplesmente coloco eles espalhados no chão da sala. A ideia aqui é deixar que os bebês explorem livremente. Uns adoram apenas ficar sentados sentindo a textura, enquanto outros tentam puxar ou até mesmo se enrolar. Numa dessas vezes, o pequeno Davi se encantou com um tecido brilhante e ficou todo empolgado tentando levantar e balançar ele no ar. A Júlia, por outro lado, foi mais contida, observando atentamente cada movimento do tecido quando balançava com o vento. Eu fico ali por perto, incentivando mas sem interferir demais, sempre atenta para garantir a segurança deles. Geralmente deixo essa atividade durar uns 20 minutos, porque é o tempo que eles costumam manter o interesse.

A segunda proposta é a nossa famosa "Caixa das Surpresas". Eu pego uma caixa grande e coloco dentro objetos não estruturados como tampinhas de garrafa, colheres de pau, potinhos de plástico e até algumas sementes grandes (sempre pensando na segurança). Disponho tudo num cantinho da sala onde eles possam alcançar facilmente. A ideia é que os bebês explorem o conteúdo da caixa livremente. Na última vez que fizemos isso, o Lucas se divertiu colocando as tampinhas dentro dos potinhos e depois despejando tudo pra fora outra vez. Ele estava totalmente concentrado nessa tarefa e cada nova tentativa trazia uma descoberta diferente. Já a Ana ficou fascinada pelas texturas dos diferentes materiais e passou boa parte do tempo explorando isso com as mãos e a boca (sempre sob supervisão). Eu vou mediando pegando algumas peças para mostrar para eles quando percebo que alguma criança está mais perdida ou desinteressada.

Por fim, temos a "Piscina de Água" que é sempre um sucesso nos dias mais quentes. Aqui na creche tenho uma área externa onde posso colocar uma piscininha rasa cheia de água. Coloco também alguns recipientes pequenos para que os bebês possam encher e esvaziar à vontade. A interação entre eles sempre é muito rica nessa atividade; um puxa daqui, outro empurra dali, e as risadas são garantidas. Lembro-me claramente da Sofia tentando encher um potinho enquanto o Pedro insistia em jogar mais água no potinho dela — foi uma cena hilária de se ver! Eu fico ali perto atenta para intervenções necessárias, mas geralmente deixo que resolvam entre eles as pequenas "disputas". Essa atividade costuma durar uns 15 minutos porque os pequeninos logo se cansam ou ficam com frio.

O importante de todas essas atividades é lembrar sempre do papel das interações e brincadeiras. Não estamos ali só pra oferecer brinquedos ou propostas soltas; estamos construindo experiências interativas onde o bebê é protagonista da própria descoberta. As brincadeiras permitem aos bebês explorar suas capacidades motoras de forma prazerosa e significativa, enquanto as interações — tanto comigo quanto entre eles — trazem a segurança emocional necessária para essa exploração livre.

Ah, pessoal, espero ter conseguido passar um pouquinho do encantamento que é trabalhar essa faixa etária com vocês! Quando a gente possibilita essas vivências ricas em interações e brincadeiras, estamos dando aos bebês as melhores ferramentas para começarem a entender o mundo à sua volta através do próprio corpo. É um trabalho lindo ver como cada bebê reage e descobre coisas novas todos os dias. Então vamos nessa juntas, sempre respeitando o tempo deles e promovendo ambientes desafiantes mas acolhedores. Até a próxima conversa!

Agora, deixa eu contar como eu observo o desenvolvimento das criancas ligado a esse objetivo. O interessante aqui é que a gente não tá olhando se o bebê “acertou” ou não. Estamos atentas às descobertas e conquistas que eles fazem ao longo do tempo. Eu vou te dar um exemplo: a Ana, uma bebezinha encantadora, começou a tentar se levantar sozinha segurando nas barras do berço. No início, ela só puxava os bracinhos e ficava meio desajeitada, mas aí, com o tempo, foi ganhando confiança e equilíbrio, até que um dia ela conseguiu ficar em pé por alguns segundos e sorriu aquele sorrisão de quem tá orgulhosa de si mesma. Esses momentos são quando a gente percebe que a experiência tá mobilizando a aprendizagem. Outro exemplo é o Dudu. Ele adora ficar no tapetinho com vários brinquedos ao redor e cada dia escolhe um jeito diferente de se movimentar até lá. Um dia rola, no outro rasteja, e assim ele vai inventando mil modos de se deslocar.

Esses gestos, essas escolhas das crianças em como utilizar o espaço e os objetos à sua volta me dizem muito sobre como eles estão explorando suas possibilidades corporais. Eu registro essas conquistas de diferentes formas: às vezes é uma anotação rápida no meu caderninho sobre uma nova habilidade que eu observei, outras vezes é uma foto daquele momento em que eles estão concentrados em uma nova tentativa, ou até mesmo um vídeo curto que capta aquele instante especial. Esses registros ajudam não só a mim, mas também toda a equipe a ajustar as próximas propostas. Se eu percebo que a turma tá mostrando interesse em algo específico, como subir em superfícies mais altas, por exemplo, posso pensar em organizar o espaço de forma a oferecer desafios seguros para que explorem essa nova habilidade.

Ah, e quando falamos dos direitos de aprendizagem que esse objetivo mais mobiliza… fico pensando logo em Explorar, Brincar e Conhecer-se. Ao experimentarem as possibilidades do próprio corpo, os bebês estão explorando o mundo e seus limites. A gente vê isso claramente quando o Lucas descobre que pode empurrar um carrinho e ele sai rolando longe. Ele tá explorando as relações de causa e efeito e também testando sua força. Já a Maria adora brincar de esconde-esconde atrás das almofadas grandes — esse brincar tá cheio de descobertas sobre permanência do objeto e também sobre espaço.

E conhecer-se, né? A cada movimento novo que eles conseguem fazer ou a cada som diferente que produzem com um brinquedo, estão se entendendo melhor como sujeitos capazes de agir no mundo. É aquela expressão de surpresa ou orgulho que a gente vê estampada na carinha deles.

Agora vamos falar do Joao e da Bia. O Joao tem suspeita de TEA e a Bia tem um atraso de linguagem, então eu preciso ajustar algumas coisas pra garantir que eles também possam vivenciar essas experiências de forma significativa. Pro Joao, eu tento criar um ambiente mais previsível e seguro. A organização do espaço é fundamental: ter caminhos bem definidos com fitas coloridas no chão ajuda ele a entender melhor o espaço onde pode se movimentar livremente. Além disso, uso brinquedos que oferecem uma resposta sensorial clara, como aqueles que vibram ou fazem barulho ao serem apertados — isso atrai a atenção dele e incentiva o movimento.

Com a Bia, eu coloco mais ênfase na comunicação não-verbal durante as atividades. Uso gestos exagerados pra mostrar como fazer movimentos ou como interagir com os brinquedos. Também ofereço materiais que estimulem som e toque — como tecidos variados ou brinquedos sonoros — pra ajudar ela a se expressar de outras maneiras além da fala.

Ainda tô experimentando e ajustando essas estratégias pra ver o que funciona melhor pra cada um deles. Tem dias em que tudo flui lindamente e outros nem tanto, mas isso faz parte do processo. O importante é estar sempre atenta e aberta pra mudar o que for preciso.

Bom, minha gente, espero ter conseguido compartilhar um pouquinho da minha experiência com vocês aqui no fórum. É sempre bom trocar essas ideias e saber como cada uma de vocês também lida com essas questões no dia a dia da creche. Vamos continuar essa conversa por aí! Até mais!