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EI02EO01Crianças bem pequenasO eu, o outro e o nós

Demonstrar atitudes de cuidado e solidariedade na interação com crianças e adultos.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI02EO01) Demonstrar atitudes de cuidado e solidariedade na interação com crianças e adultos.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI02EO01 faz parte do campo O eu, o outro e o nós, que organiza experiências de construção da identidade, percepção do próprio corpo, das emoções, da convivência em grupo e do respeito às diferenças.

Características da faixa etária (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)

Esta faixa é marcada pela explosão da linguagem oral, pela ampliação do repertório motor (correr, saltar, subir, descer) e pela consolidação do brincar simbólico (faz de conta). É também o período do reconhecimento das próprias emoções, dos primeiros conflitos sociais e do enfrentamento das frustrações. O 'não' afirmativo é parte legítima desse desenvolvimento.

Práticas recomendadas: Brincadeira de faz de conta com objetos abertos, propostas de exploração com materiais não estruturados (tampinhas, tecidos, caixas), espaços para corrida e movimento amplo, mediação atenta nos conflitos.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Sabe, minha gente, quando a gente fala sobre "demonstrar atitudes de cuidado e solidariedade", especialmente com crianças bem pequenas, a gente tá olhando pro dia a dia delas, pras interações e pros gestos que elas fazem no convívio com os outros. É observar aquele momento em que uma criança se aproxima de outra que tá chorando e oferece um brinquedo pra consolar, ou quando Mariazinha vai buscar um lencinho de papel pra ajudar o colega que espirrou. Esses gestos são espontâneos e mostram como elas estão aprendendo a se colocar no lugar do outro, a perceber o que o colega precisa. Não é que elas tão "aprendendo um conteúdo", como num livro, mas tão vivendo experiências ricas e significativas que ampliam seu repertório social.

Aqui na minha turma, eu tenho algumas propostas que ajudam a gente a trabalhar esse objetivo de forma natural e leve. Uma delas é a brincadeira com caixas e tecidos. Olha só como a gente faz: eu junto várias caixas de tamanhos diferentes (dessas de papelão que a gente encontra por aí) e uma porção de tecidos coloridos. Espalho tudo pelo espaço da sala, de modo que as crianças possam explorar livremente. O legal dessas atividades é que não tem começo, meio e fim definidos, cada criança vai criando seu próprio caminho. Na última vez que fizemos isso, o Pedro e o João acabaram juntando várias caixas pra construir uma espécie de casinha. Interessante foi ver a Júlia se aproximar e oferecer um dos tecidos pra cobrir o "telhado". Ela viu que os meninos estavam com dificuldades e, sem ninguém precisar dizer nada, decidiu ajudar. Nessas horas, meu papel é mais de observadora e mediadora: eu fico por ali, fazendo perguntas que podem ajudar a estender a brincadeira ou incentivar uma nova ideia.

Outra proposta que gosto muito é envolver as crianças no cuidado das plantas que temos aqui na creche. A nossa horta não é muito grande, mas é um espaço cheio de possibilidades. Uso potes recicláveis como vasos e deixo as crianças manusearem terra, sementes e regadores. Durante essa atividade, cada criança tem sua função: um cuida da água, outro espalha as sementes e assim por diante. Na última vez, percebi que o Lucas tava meio afastado da atividade. Chamei ele pra ser o "guardião da água", uma tarefa importante já que precisamos regar as plantinhas no final. Ele se sentiu responsável e ficou todo animado em ajudar os amigos a não molharem demais as plantinhas. Esse tipo de atividade dura cerca de 30 minutos, mas a verdade é que respeitamos o tempo das crianças – pode durar mais ou menos dependendo do interesse delas.

E tem também aquelas tardes onde oferecemos tampinhas de garrafa, gravetos e pedrinhas pra criarem suas próprias histórias. As crianças adoram! Elas pegam os materiais e começam a inventar desde mercados até fazendas imaginárias. Na última vez, a Sofia pegou uns gravetos e disse que eram "colheres mágicas" pra preparar "sopa de tampinha". Ao seu redor, outras crianças foram entrando na brincadeira, sugerindo novos ingredientes ou ajudando a misturar tudo dentro das "panelas" feitas de pedrinhas. Me lembro da Ana se aproximar devagarinho do grupo com seu tesouro pessoal – uma pedrinha especial – e perguntar se podia colocar na "sopa". A atividade seguiu o ritmo delas, sem pressão para chegar num resultado final.

Enfim, minha gente, nesses momentos eu vejo como as interações são potentes. A solidariedade aflora naturalmente quando as crianças se sentem seguras e à vontade no ambiente em que estão. As brincadeiras que organizo têm esse objetivo: criar situações onde elas possam se expressar livremente e aprender com os gestos uns dos outros. E mesmo quando há algum conflito – porque isso faz parte da vida em grupo – eu vejo ali uma oportunidade de ensinar respeito e empatia.

Em resumo, trabalhar o cuidado e a solidariedade é sobre proporcionar experiências onde as crianças possam viver essas atitudes no cotidiano delas. Acho bonito ver como eles cuidam uns dos outros nas pequenas coisas do dia a dia. Nesses momentos, é importante estar presente pra mediar sem forçar nada. Afinal, cada gesto conta nessa construção coletiva do "eu", do "outro" e do "nós". Por hoje é isso! Até a próxima!

Olha, aqui na minha turma, uma das coisas que eu mais gosto de observar é como as crianças vão se desenvolvendo ao longo do tempo. Sabe aquele momento em que o Pedro, que sempre foi mais na dele, começa a chamar os colegas pra brincar? Ou quando a Ana resolve dividir o lanche sem ninguém precisar pedir? Esses são sinais claros de que as experiências que a gente propõe tão mobilizando aprendizados importantes. Não é só sobre dividir brinquedos ou participar de atividades em grupo, mas sobre como elas se envolvem e se relacionam no dia a dia.

Eu costumo ficar atenta aos gestos e falas deles durante a rotina. Por exemplo, quando a turma tá no parque e eu vejo que a Júlia parou de brincar no escorregador pra ajudar o Tiago a levantar depois de uma queda, isso me diz muito sobre como ela tá desenvolvendo empatia e cuidado com o outro. A fala também conta muito: quando ouço o Lucas dizendo "eu ajudo você" enquanto o colega tenta encaixar uma peça difícil no quebra-cabeça, mostra que ele já entende o valor da colaboração.

No dia a dia, eu sempre carrego um caderninho comigo. Nele, vou anotando esses pequenos momentos, além de tirar fotos ou fazer vídeos curtos quando é possível. Esses registros são valiosos porque me ajudam a refletir sobre as propostas e pensar em como ajustar ou criar novas experiências. Por exemplo, se noto que determinado material ou brincadeira tá engajando muito as crianças, posso buscar formas de ampliá-la ou introduzir variações pra manter o interesse e aprofundar o aprendizado.

Quanto aos direitos de aprendizagem, eu vejo esse objetivo de cuidado e solidariedade mobilizando principalmente o conviver, participar e expressar. No conviver, por exemplo, tem os momentos em que as crianças precisam negociar entre elas o uso dos brinquedos, entender a hora de esperar a vez no balanço. É ali que elas tão aprendendo a viver em comunidade. No participar, eu vejo quando organizamos rodas de conversa e elas têm espaço para compartilhar suas opiniões sobre o que gostam ou não gostam nas atividades. Elas se sentem parte do grupo e responsáveis pelas decisões. E no expressar, acontece quando propomos atividades onde elas possam mostrar suas emoções através da arte ou da música. A Mariana, por exemplo, adora desenhar cenas do cotidiano pra mostrar como ela vê os amigos e a escola.

Agora, falando do João que tem suspeita de TEA e da Bia com atraso de linguagem, eu tento sempre ajustar as propostas pra que eles também possam participar plenamente. Pro João, tenho trabalhado com materiais mais sensoriais que ajudam ele a se engajar nas atividades sem ficar sobrecarregado. E também faço uso de imagens e rotinas visuais pra ajudá-lo a entender melhor o que vai acontecer durante o dia. Pro João, criar um canto mais calmo onde ele pode ir quando precisa de um tempo é algo que tem funcionado bem.

Com a Bia, por outro lado, apostamos em muita música e cantigas na rotina pra incentivar a fala. A música é uma grande aliada porque ela adora repetir as palavras e sons das canções. Também uso livros com muitas imagens e pouco texto pra gente explorar juntas. Assim, ela pode apontar e nomear as coisas com calma no seu próprio ritmo. Ah, e não posso esquecer das brincadeiras coletivas: sempre busco formas de incluir os dois nos jogos de faz-de-conta ou nas histórias dramáticas que inventamos na sala.

Ainda tô tentando algumas estratégias novas aqui com eles. Por exemplo, recentemente comecei a usar fantoches em algumas atividades pra ver se isso ajuda o João a manter contato visual nas interações. Com a Bia, to tentando incrementar as histórias com mais objetos reais pra ajudá-la na compreensão e expressão das ideias.

Enfim, minha gente, é um processo contínuo de observação e adaptação. O importante é sempre estar atenta aos sinais que as crianças nos dão e lembrar que cada pequena conquista delas é um grande passo nesse caminho de aprendizagem social e emocional. Vamos conversando e trocando essas vivências aqui no fórum sempre que der! Até mais!