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EI01ET06BebêsEspaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações

Vivenciar diferentes ritmos, velocidades e fluxos nas interações e brincadeiras (em danças, balanços, escorregadores etc.).

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI01ET06) Vivenciar diferentes ritmos, velocidades e fluxos nas interações e brincadeiras (em danças, balanços, escorregadores etc.).

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI01ET06 faz parte do campo Espaços, Tempos, Quantidades, Relações e Transformações, que organiza experiências de investigação do mundo físico, social e natural: noções de espaço, tempo, número, medida, transformações e relações de causa e efeito.

Características da faixa etária (0 a 1 ano e 6 meses)

Nesta faixa, o desenvolvimento é marcado pela exploração sensorial intensa, pela construção do vínculo afetivo com o adulto cuidador e pelas primeiras conquistas motoras (rolar, sentar, engatinhar, andar). A intencionalidade pedagógica acontece nos momentos de cuidado (banho, alimentação, sono) e nas propostas de exploração do entorno. A linguagem se constrói através de balbucios, gestos, olhares e primeiras palavras.

Práticas recomendadas: Espaços seguros e estimulantes, materiais sensoriais variados (texturas, sons, cores), rotinas previsíveis com ritmo respeitoso, vínculo individualizado com a referência educadora.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha, quando a gente pensa no objetivo de vivenciar diferentes ritmos, velocidades e fluxos com os bebês, a gente tá falando de criar oportunidades pra eles experimentarem o mundo de forma muito sensorial e direta, né? Os bebês dessa faixa etária estão o tempo todo explorando com o corpo, descobrindo como ele se movimenta, sentindo a textura das coisas, ouvindo os sons ao redor. É uma fase em que eles estão sempre atentos e curiosos, então a gente precisa proporcionar experiências que ampliem esse repertório deles e ajudem a entender essas nuances de movimento e tempo.

Por exemplo, uma coisa que é muito visível é quando a gente coloca uma música mais animada e os bebês começam a balançar os corpos, mexer os bracinhos e até dar risadinhas. A música tem um ritmo e eles respondem a ele de maneira espontânea. Ou quando a gente tá no parque e eles vão naqueles balanços próprios pra idade deles; o vai e vem é uma forma de vivenciar fluxo e velocidade. Outro exemplo é quando eles estão no colo e a gente faz aquele balancinho gostoso pra acalmar. Cada movimento desses é uma forma rica de aprendizado pra eles, percebe?

Aqui na minha turma de bebês, a gente tem algumas propostas que eu adoro organizar pra trabalhar esses conceitos de ritmo, velocidade e fluxo. Uma delas é o “caminho das texturas”. Eu coloco tapetes de diferentes materiais no chão da sala: tem pedaço de carpete, de emborrachado, de plástico bolha... coisas assim. A ideia é que eles possam engatinhar ou caminhar por cima desses tapetes, sentindo as diferentes texturas nos pezinhos ou nas mãos. Eles adoram! Às vezes param num pedaço específico, batem as mãozinhas pra sentir o som, ou até tentam esfregar a bochechinha no tapete mais macio. E eu fico ali por perto, observando como cada um reage, incentivando-os a tocar outro pedaço ou se mover mais um pouquinho. A última vez que fizemos isso, a Luiza se divertiu tanto que ficou lá por uns 20 minutos só explorando cada parte com muita concentração.

Outra proposta é a brincadeira com tecidos coloridos pendurados no varal. Amarro tecidos leves e compridos — tipo chita ou voal — em um varal baixo (na altura dos bebês mesmo), e deixo que eles explorem. O vento balança os tecidos suavemente e isso cria um movimento interessante pra eles observarem. Teve um dia que o João Pedro ficou fascinado vendo os tecidos balançando no ar e começou a puxar um deles pra ver o que acontecia. Ele dava risadinhas quando o tecido voltava pro lugar. Eu fiquei ali perto, comentando sobre as cores dos tecidos que ele escolhia ou simplesmente dizendo “Olha como balança!”, pra ele ir se conectando com aquela experiência.

A terceira proposta que gosto de fazer é com água. Colocamos uma bacia grande no chão da área externa e deixamos vários potinhos plásticos e conchas à disposição. Os bebês podem mexer na água como quiserem, usando as mãos ou os potinhos pra fazer transferências entre recipientes menores. A água em si já tem um fluxo natural que chama atenção deles, né? E aí quando começam a mexer na água com as conchas ou potinhos, eles percebem diferentes velocidades — tipo quando despejam rapidinho ou devagarinho — além de verem os efeitos do movimento ali bem visíveis. Na última vez que fizemos essa atividade, o Gabriel ficou encantado em ver como a água caía da concha em queda livre e ria toda vez que respingava nele.

Essas experiências duram enquanto eles estiverem interessados e geralmente não ultrapassam 30 minutos por proposta porque respeitamos o tempo deles. Mas é incrível ver como em cada sessão eles vão descobrindo algo novo. E eu tô sempre ali do lado, mediando sem interferir muito — só dou uma mãozinha se precisam ou faço perguntas pra estimular ainda mais a curiosidade.

No final das contas, tudo isso se resume a criar um ambiente onde as interações e brincadeiras fluem naturalmente. A gente fica observando essas descobertas incríveis dos bebês enquanto proporciona contextos ricos pra essa exploração do espaço, tempo e movimento que são tão essenciais nessa etapa da vida deles.

E assim vamos seguindo com muita troca e aprendizado juntos, viu? Espero que essas ideias inspirem vocês também! Até mais!

Ah, então, continuando aqui sobre como eu observo o desenvolvimento das crianças relacionado a esse objetivo, acho que é importante a gente lembrar que não se trata de ver se o bebê "acerta" ou não alguma coisa, sabe? É mais sobre perceber as pequenas descobertas e avanços que eles vão fazendo na interação com o ambiente. Por exemplo, na nossa rotina, quando eu vejo o João, que tem suspeita de TEA, se interessar por um brinquedo que toca uma musiquinha e começa a balançar levemente o corpo pra frente e pra trás, pra mim isso é um sinal de que ele tá começando a perceber ritmos e tá se expressando corporalmente. É algo bem sutil, mas super significativo.

Agora, sobre a Bia, que tem um atraso de linguagem, eu noto muito quando ela tá envolvida numa experiência sensorial, tipo quando a gente coloca uma bacia com água e uns potinhos pra ela brincar. Ela fica encantada observando as gotinhas de água escorrendo das mãos dela e às vezes solta umas vocalizações diferentes. Isso me mostra que ela tá engajada e curiosa com o movimento da água e as possibilidades de interação ali.

Eu gosto muito de registrar esses momentos com registros escritos ou vídeos curtos. Nada muito elaborado. Às vezes, só uma anotação no caderninho mesmo ou uma foto rápida com o celular. Esses registros me ajudam a acompanhar o desenvolvimento das crianças ao longo do tempo e ajustar as próximas propostas. Se vejo que uma determinada experiência tá mobilizando bastante interesse do grupo ou de alguma criança em específico, busco repetir ou expandir essa vivência, trazendo novos elementos ou desdobramentos.

Sobre os direitos de aprendizagem que esse objetivo mais mobiliza, eu diria que brincar, explorar e expressar são os mais evidentes. Nas situações em que a turma tá envolvida numa atividade de música e movimento, por exemplo, eu vejo claramente como eles exercitam o direito de brincar. Eles inventam jeitos únicos de responder aos estímulos musicais, cada um ao seu modo, e isso é brincadeira pura!

No explorar, acho que entra muito quando a gente proporciona vivências sensoriais onde eles podem manipular diferentes materiais. Uma vez a gente trouxe umas bandejas com areia colorida pros bebês mexerem e foi incrível ver como eles exploravam a textura com os dedinhos, faziam rastros e até tentavam comer (porque bebê adora colocar tudo na boca!). Isso tudo é exploração do mundo ao redor deles.

E no expressar, nossa... cê vê isso quando eles começam a balbuciar sons diferentes enquanto estão envolvidos numa atividade que mexe com suas emoções ou percepções. É impressionante como antes do domínio completo da fala eles já têm um repertório expressivo super rico.

Agora, falando sobre como eu torno essas experiências acessíveis pro João e pra Bia... Olha só: com o João, a gente procura sempre criar um ambiente que minimize distrações excessivas e ofereça brinquedos que ele consiga manipular sem dificuldade. Ele responde bem a objetos que têm um feedback claro, como aqueles brinquedos musicais onde ele aperta um botão e sai som ou luz. O espaço é organizado de forma a ter caminhos livres pra ele poder circular sem esbarrar em muita coisa.

Pra Bia, oferecemos materiais que incentivem a interação sensorial e também vocálica. Como ela tem um atraso de linguagem, buscamos propor situações onde ela possa explorar sons distintos ou ver reações claras às suas ações — tipo aquelas bolinhas de sabão que ao estourar fazem um leve som ploc-ploc-poc! Também temos feito algumas intervenções onde eu narro o que tá acontecendo durante a experiência: "Olha a água escorrendo pela sua mãozinha!" Isso ajuda ela a fazer conexões entre ação e som.

É claro que sempre tem coisa nova pra testar e ajustar né? Ainda estou tentando encontrar novas formas de engajar mais o João em atividades coletivas sem sobrecarregá-lo com estímulos demais. E com a Bia, estamos tentando introduzir algumas músicas simples pra ver se ela começa a imitar algumas palavras ou sons. Vamos experimentando e vendo o que funciona melhor.

Enfim, acho que é isso minha gente! Como vocês lidam com essas observações no dia a dia? Tô curiosa pra saber como outras colegas anotam essas descobertas dos pequenos! Até mais!