Então, minha gente, quando a gente fala desse objetivo da BNCC, o que eu vejo é que a ideia é ajudar as crianças a perceberem os diferentes sons ao redor delas e como podem usar esses sons nas suas próprias criações. Na prática, isso quer dizer que não é só sobre ensinar o que é um som agudo ou grave, mas sim proporcionar experiências onde elas possam perceber essas diferenças por si mesmas e brincar com isso. Imagina só, quando elas tão batucando um tamborim feito de lata ou até mesmo experimentando o som de uma colher batendo numa panela, elas tão vivenciando esse objetivo. Criança nessa idade adora explorar tudo com os sentidos, e o som é uma parte muito rica disso.
Aqui na minha turma de crianças pequenas, eu tenho algumas propostas que ajudam elas nesse reconhecimento e exploração sonora. A primeira delas envolve a criação de instrumentos musicais com materiais recicláveis e da natureza. A gente junta potes de iogurte, tampinhas de garrafa, caixas de papelão, sementes, e gravetos. Eu deixo esses materiais dispostos num canto da sala onde as crianças têm liberdade de ir quando quiserem. O que eu faço é propor que a gente sente em roda e pense juntos o que cada coisa pode virar. O Luizinho, por exemplo, resolveu que uma garrafa com feijão virava um chocalho e mostrou pras outras crianças como sacudir desse jeito ou daquele mudava o som. Eu observo mais do que interfiro, só vou dando umas dicas do tipo "E se você tentar assim?" ou "O que acontece se...?". Isso dura o tempo que elas quiserem explorar, geralmente uns 30 minutos, mas se estão muito engajadas eu deixo ir mais além.
Outra proposta que eu adoro fazer é a exploração sonora no parque. A gente leva alguns panos, fitas coloridas e cestos de vime pro quintal. Eu organizo os espaços em pequenas ilhas sonoras onde cada grupo de duas ou três crianças pode descobrir sons diferentes. Num canto pode ter gravetos e folhas secas pra eles pisarem e ouvirem o som das folhas quebrando; em outro canto pode ter potes com água pra brincar com o som das gotas caindo. Na última vez, a Sofia e o Pedro ficaram fascinados com o som dos gravetos sendo arrastados na terra e começaram a criar um ritmo ali mesmo. Eu fico por perto pra garantir segurança e vou provocando algumas perguntas "Que som mais você acha que dá pra fazer aqui?". Essa experiência geralmente dura uma manhã toda, porque há sempre algo novo pra descobrir.
A terceira proposta envolve ouvir e criar histórias sonoras juntos. Eu costumo levar um gravadorzinho simples e alguns fones de ouvido pro grupo explorar. A ideia é eles registrarem sons do cotidiano deles: passinhos, barulho da chuva na telha, cachorro latindo na rua. Depois disso a gente ouve junto e pensa em que histórias esses sons podem contar. Da última vez, o João gravou os sinos da igreja perto da creche e isso deu início a uma história sobre uma cidade encantada onde cada sino tinha uma voz diferente. Essa proposta geralmente acontece numa tarde mais tranquila e vai fluindo conforme eles vão se empolgando.
O importante é lembrar que essas interações são pura brincadeira também — é através dessa liberdade lúdica que as crianças vão ampliando seu repertório sonoro sem nem perceberem que estão "aprendendo". A gente precisa estar sempre atento ao modo como elas interagem entre si e com os materiais, prontos pra mediar sem dirigir, tipo assim: dando espaço pra elas experimentarem por si próprias e fazendo intervenções pontuais quando necessário.
No final das contas, minha gente, trabalhar esse objetivo é sobre oferecer um ambiente rico em possibilidades sonoras onde as crianças possam tanto descobrir quanto criar seus próprios significados através dos sons. E olha só: não tem nada mais gratificante do que ver aqueles olhinhos brilhando ao descobrir um novo jeito de fazer música com o mundo ao redor delas. Espero ter ajudado quem tá começando agora nesse caminho lindo da Educação Infantil. Até a próxima!
Ah, minha gente, então continuando a nossa prosa sobre como observo o desenvolvimento das crianças ligado a esse objetivo do Traços, Sons, Cores e Formas. Na rotina do dia a dia, eu tô sempre de olho nos gestos, nas falas, nas escolhas e nas tentativas das crianças. Parece até que tô pescando sinais de aprendizagem, né? Mas é mais ou menos isso mesmo. Por exemplo, se a gente tá numa roda de música explorando instrumentos diferentes e eu vejo que o Pedro tá mais interessado em bater no tambor com a mão aberta ao invés de usar a baqueta, já é um sinal. Ele tá experimentando, testando como o som muda com diferentes formas de tocar.
Outro dia mesmo, durante uma atividade de pintura ao som de música clássica, a Isabela começou a fazer movimentos amplos com o pincel na tela enquanto dizia "é o som que faz dançar!" Olha só que coisa linda! Ela tava conectando a experiência auditiva com a expressão artística dela. É nesse tipo de interação que vejo que a experiência tá mobilizando aprendizagem. Não é sobre acertar ou errar, mas sobre a criança se deixar levar pela curiosidade e experimentação.
Eu gosto de registrar essas observações de várias formas. Às vezes é um caderno onde anoto as descobertas ou falas marcantes das crianças. Outras vezes tiro uma foto ou faço um vídeo curtinho pra capturar aquele momento especial. Esses registros são preciosos porque me ajudam a ajustar as próximas propostas. Se eu percebo que um certo tipo de atividade tá engajando mais as crianças em sons graves, por exemplo, posso trazer outros materiais que ofereçam esse tipo de experiência sonora.
Agora falando dos direitos de aprendizagem que esse objetivo mais mobiliza, eu diria que Expressar e Explorar são muito fortes aqui. Quando as crianças têm a oportunidade de manipular instrumentos ou materiais sonoros, elas tão explorando novas possibilidades e também expressando suas descobertas através do som. No dia a dia, vejo isso quando elas começam a criar suas próprias sequências sonoras ou quando um simples bater de tampas vira uma sinfonia improvisada.
O direito de Participar também é bem presente. É lindo ver como as crianças se envolvem nas experiências coletivas, muitas vezes tomando iniciativa para propor uma nova forma de tocar ou uma sequência que querem repetir. Isso fortalece o senso de pertencimento e colaboração na turma.
Sobre como eu organizo as experiências pra que sejam acessíveis ao João, que tem suspeita de TEA, e à Bia, com atraso de linguagem, sempre procuro adaptar algumas coisas. Pro João, foi super positivo criar um cantinho mais tranquilo onde ele pudesse explorar os sons individualmente antes de se juntar ao grupo. Ofereço fones de ouvido pra ele experimentar sensações sonoras diferentes sem se sentir sobrecarregado pelos ruídos do ambiente.
Com a Bia, tenho focado em oferecer materiais visuais junto com os sonoros. Cartazes com imagens dos instrumentos e suas respectivas formas são um exemplo. E sempre dou espaço pra ela se expressar no tempo dela. Se percebo que comunicar verbalmente tá difícil num determinado momento, encorajo gestos ou até mesmo uma dança livre enquanto ela explora os sons.
Olha só, teve uma vez que propus uma atividade com garrafas plásticas preenchidas com grãos diferentes pra fazer chocalhos caseiros. O João ficou fascinado ao perceber como o som mudava conforme ele girava ou sacudia cada garrafa. Já a Bia adorou personalizar o rótulo das garrafas com desenhos e cores antes mesmo de brincar com o som delas.
Ainda tô tentando novas estratégias pra tornar as experiências mais inclusivas e acolhedoras pra todos da turma. É um processo contínuo e cada dia é uma nova descoberta.
Gente, é isso aí! Compartilhar essas histórias e práticas me faz lembrar diariamente da beleza e complexidade do nosso trabalho com as crianças pequenas. Espero que traga ideias pras turmas aí também! Vamos seguir nessa troca que tanto nos enriquece. Até breve!