Olha, trabalhar com as criancas pequenas nesse objetivo de expressar-se livremente atraves de desenho, pintura, colagem e outras formas artisticamente criativas e um caminho tao bonito de acompanhar. Na pratica, minha gente, o que a gente quer e dar espaco pra que elas possam usar a imaginacao sem medo de errar, viu? Nao e sobre "ensinar" a desenhar ou pintar. E sobre oferecer experiencias ricas onde elas podem explorar cores, formas, texturas e criar suas proprias narrativas visuais. Aqui na minha turma, por exemplo, eu ja vi as criancas transformando um simples risco no papel em uma historia cheia de aventuras e personagens. Elas estao descobrindo o mundo atraves das suas proprias maos e olhos.
Vou contar pra voces como faco aqui na minha sala. Tenho tres propostas que adoro organizar pra esse objetivo. Cada uma delas da as criancas liberdade pra se expressar de maneira unica.
A primeira proposta que sempre faz sucesso e a "mesa de materiais". Eu coloco uma mesa bem grande, coberta com papel kraft, e em cima dela espalho diversos materiais nao estruturados. Tem tampinhas coloridas, tecidos de varios tipos e cores, caixas de diferentes tamanhos, sementes, pedacinhos de madeira, gravetos... tudo que pode despertar a curiosidade delas. As criancas chegam e a mesa ja esta la, esperando por elas. O tempo dessa experiencia varia bastante, mas costumo deixar umas duas horas livres pra isso. Nesse tempo, elas vao, voltam, experimentam um material diferente. E a magia acontece quando vejo elas interagindo entre si. Maria e Joao, por exemplo, outro dia pegaram os pedacos de madeira e comecaram a construir uma casinha juntos. Eu fiquei so ali do lado, observando e as vezes mediando com perguntas: "O que voce acha que poderia ser usado como telhado?" Ou "Que cor voce acha que combinaria com essa parede?". Elas vao descobrindo juntas e criando historias.
A segunda proposta que gosto de organizar e a "sala dos tecidos". Eu fecho as janelas com cortinas de tecido translucido colorido e espalho grandes panos no chao. Alem disso, penduro alguns tecidos em varais baixos onde elas alcancam facilmente. As criancas podem usar esses tecidos pra criar roupas de fantasia, montar cabaninhas ou o que mais quiserem inventar. Da ultima vez que fizemos isso, o Pedro inventou um super-heroico manto azul e saiu "voando" pela sala enquanto as outras criancas inventavam personagens pra brincar com ele. Fiquei la do ladinho deles ajudando quando pediam ajuda para amarrar os panos ou sugerindo novas ideias quando eles pareciam perdidos.
E tem tambem a "area das pinturas malucas" que sempre reserva surpresas encantadoras. Uso uma superficie grande no chao coberta por lona plastica e disponho potes grandes de tinta guache de varias cores com pincéis largos. Tambem tem esponjas velhas cortadas de formas diferentes e alguns rolinhos feitos com materiais reciclaveis. O espaco foi pensado pra permitir que elas se movam livremente sem preocupacao em sujar nada ao redor. Ah, nesse dia as roupas tambem precisam estar bem confortaveis (e velhinhas). Ja teve vez que a Luiza inventou uma coreografia enquanto pintava com os pes! Ela rodopiava segurando os potinhos de tinta como se fosse uma bailarina cheia das cores! E não precisei dizer nada, mas quando vi que ela queria experimentar mais cores ao mesmo tempo sugeri misturar umas numa bandeja pra ver a magica das novas tonalidades surgindo.
Cada experiencia dessas nao so amplia o repertorio artistico delas mas tambem fortalece as interacoes entre as criancas — elas discutem ideias, sugerem mudancas umas pras outras (e ate discordam de vez em quando). E' importante lembrar: eu nao fico ali ditando regras ou corrigindo supostos erros nas producoes deles; estou ali pra mediar quando necessario ou instigar curiosidade com perguntas abertas tipo “Como você fez isso?” ou “Me mostra sua ideia?” O foco maior esta sempre na vivencia rica proporcionada pelas possibilidades dadas pelos materiais simples junto aos pares!
Entao gente querida espero ter dado uma boa ideia sobre como aplico esse objetivo aqui na minha turma! Ate a proxima conversa nas nossas trocas por aqui!
Olha, observar as criancas enquanto elas exploram as cores e as formas e algo muito fascinante pra mim. E aquela coisa de ver alem da superficie, sabe? Quando a gente ta ali, no dia a dia, no meio da rotina com o grupo, a gente começa a perceber pequenos sinais de que aquela experiencia ta sim mobilizando aprendizagem de verdade. Nao e sobre se o desenho ficou bonito ou se a colagem ta certinha. E sobre ver o olhar brilhando, a mao hesitante que logo ganha coragem e vai la fazer um traço diferente, e sobre escutar aquelas falas cheias de entusiasmo que contam historias que so elas enxergam naquele papel colorido.
Aqui na minha turma, eu adoro registrar esses momentos. As vezes eu pego o caderno e anoto umas coisas: tipo assim, quando o Pedrinho, que e tao timido comecou a usar vermelho em tudo. Ou aquela vez que a Luiza falou "Olha meu sol verde!", e todo mundo riu mas ela tava tao feliz com aquele sol diferente. Tambem uso o celular pra tirar umas fotos ou gravar um video curtinho — nada invasivo, viu? E so pra poder rever depois com calma e pensar no que aquela experiencia trouxe de novo.
Esses registros sao o meu norte pra ajustar as proximas propostas. Se eu percebo que elas tão encantadas com texturas, por exemplo, eu vou buscar materiais novos pra inserir nas atividades: trazer uma areia colorida, um papel machê, algo que provoque mais eles. E assim vou ajustando de acordo com o que observo, sempre buscando oferecer algo desafiador mas ao mesmo tempo acessível pro grupo.
Falando nos direitos de aprendizagem, tem alguns que eu vejo sendo mais mobilizados nesse caminho. O "Explorar" salta aos olhos, ne? Quando as criancas tao imersas em materiais como tintas, papeis e colagens, elas tao explorando cada detalhe sem medo de errar. E uma exploracao sensorial muito rica! Outro direito é "Expressar-se". As vezes a gente subestima o quanto uma pincelada pode dizer sobre como aquela crianca ta se sentindo ou pensando sobre algo. E claro, "Conhecer-se" tambem acontece muito. A cada nova experiencia criativa, elas vao descobrindo preferencias pessoais, do que gostam mais ou menos, quem sao naquele mundinho colorido.
Agora, olha so, com o Joao, que tem suspeita de TEA, eu sempre penso em como deixar a experiencia mais acessível pra ele. Normalmente busco reduzir um pouco os estímulos visuais e sonoros ao redor pra ele conseguir focar melhor — deixo o cantinho dele mais aconchegante e com menos materiais à vista de uma vez só. Tambem incluo materiais com diferentes texturas porque ja percebi que isso chama atenção dele: algo como massa de modelar ou papel bolha, ele adora! Pra Bia, que tem um atraso de linguagem, tento incluir muito material visual como apoio — imagens grandes, cartazes com cores e formas — porque isso ajuda ela na compreensao e tambem na expressao das ideias dela.
Eu tambem gosto de dar um pouco mais de tempo pro Joao e pra Bia nas atividades; nao pressiono nem apresso eles. Deixo que encontrem seu próprio ritmo ali na experiencia. Ja teve vezes que vi os dois se conectando por causa disso: o Joao focado numa textura nova e a Bia ao lado dele murmurando enquanto colava papeis coloridos. Tem sido bonito ver esse progresso deles.
Ah minha gente, ainda tem coisa que to tentando encontrar um jeito melhor. Algumas vezes eu trago materiais novos e nem sempre eles se interessam logo de cara. Mas ai entra a observacao — e tentando aqui e ali ate encontrar o caminho certo que faz sentido pra eles.
E assim seguimos por aqui na nossa sala cheia de cores e historias inventadas. Vou ficando por aqui por hoje. Espero ter trazido umas ideias legais pra voces pensarem tambem. Ate breve!