Olha só, minha gente, quando a gente fala desse objetivo EI02TS02 da BNCC, o que eu entendo na prática é que a gente tá falando de oferecer pras crianças a chance de se expressarem e experimentarem com as mãos, com os sentidos. É como se a gente desse pras crianças um mundo novinho pra elas explorarem, só que nesse caso, é um mundo feito de argila, massa de modelar e outros materiais. A ideia é que elas possam explorar cores, texturas, superfícies, planos, formas e volumes. Mas como isso se desenrola na prática? Bom, pensa numa turma de pequenos investigando como a massa de modelar fica quentinha na mão, ou descobrindo que grudar dois pedacinhos pode formar uma coisa nova. Eles não tão só brincando de fazer bichinhos ou bolinhas, tão ampliando o repertório deles sobre como objetos se transformam, como coisas diferentes podem virar algo único.
Aqui na minha turma, uma das propostas que organizo é a exploração com argila e elementos da natureza. A gente junta argila, terra, pedrinhas, e até umas folhinhas secas que encontramos no pátio. Aí eu coloco tudo numa mesa baixinha ao alcance deles. Essa vivência dura umas duas semanas porque a gente deixa o processo fluir. No começo, eles ficam testando a textura da argila e misturando com a terra. Na última vez que fizemos isso, o Lucas começou amassando um monte de argila e decidiu empurrar as pedrinhas dentro. Ele ficou encantado com as marcas que isso deixava. Eu tô ali pra mediar, então faço perguntas pra ele refletir: "E se você juntar mais terra? Como será que fica?". Eles reagem de formas muito variadas — a Mariana adora fazer “comida” com as folhas e "servir" pros colegas. O espaço todo vira um laboratório sensorial.
Outra proposta que eu amo trabalhar é com tecidos e materiais recicláveis. Tipo caixas de papelão de tamanhos variados e retalhos coloridos. Coloco tudo no chão da sala e deixo as crianças livres. Olha, tem dia que parece um festival de ideias! Elas puxam os tecidos em cima das caixas, enrolam em si mesmas ou nos amigos. O João virou um "robô" na última vez — ele colocou uma caixa grande na cabeça e usou dois tecidos como "antenas". Esse tipo de vivência dura o tempo que eles quiserem explorar naquele dia, mas normalmente a gente fica pelo menos umas duas horas nisso. Eu vou observando e medindo intervenções: "Como será que dá pra fazer pra esse tecido ficar em pé?" ou "E se vocês juntarem duas caixas?". É um jeito divertido de explorar o espaço tridimensional.
Agora uma proposta deliciosa é a atividade com massas feitas na própria sala. A gente faz uma massa tipo caseira, bem simples — mistura farinha de trigo com água. Às vezes coloco um corante natural pra dar uma corzinha. As crianças ficam encantadas com o processo todo: desde misturar os ingredientes até sentir a textura na mão quando vira massa. A última vez que fizemos isso foi bem especial. A Sofia pegou um punhado e começou a fazer bolinhas e depois empilhou umas nas outras como se fossem torres. É lindo ver o encantamento delas. Enquanto isso acontece, eu tô ali do lado observando e incentivando: "Como será que fica se você achatar a bolinha?".
Ah, minha gente, é importante lembrar que essas propostas são sempre abertas e respeitam o tempo das crianças. Não tem pressa pra chegar num "produto final", viu? O prazer tá no processo. E olha só como é rico ver eles se interagindo e colaborando! Mesmo quando uma criança tá concentrada sozinha numa experiência dessas, isso logo vira uma ponte pra interações — "Olha o que eu fiz!", "Quer tentar também?".
Então é isso aí! O importante nessas propostas todas é dar espaço pras crianças criarem suas próprias experiências sensoriais enquanto interagem umas com as outras e com os materiais não estruturados que a gente oferece. É esse tipo de brincadeira mediada e livre que ajuda elas a expandirem seu entendimento sobre o mundo ao redor delas e sobre suas próprias capacidades criadoras. E aí? Como vocês trabalham essa proposta aí nas turmas de vocês?
Ah, minha gente, continuando então, como é que eu vejo esse desenvolvimento acontecendo no dia a dia com as crianças? Olha, a observação é um instrumento que a gente usa o tempo todo, né? A gente tá sempre atento aos detalhes, às pequenas descobertas e às grandes conquistas que acontecem ali no chão da sala. Eu sempre digo que o mais importante é observar com atenção e respeitar o tempo de cada um.
Por exemplo, quando eu vejo a Sofia toda concentrada fazendo movimentos circulares com uma tinta vermelha na folha de papel, eu percebo que ela tá experimentando e explorando essa cor de uma forma bem própria. É aquele movimento repetitivo que mostra que ela tá interessada em ver até onde aquilo vai. Ou quando o Lucas começa a juntar pedacinhos de papelão e fala "Olha, fiz um foguete!", mesmo que pra gente pareça mais um monte de papelão grudado. É ali que eu vejo a criatividade dele se expressar e ele tá entendendo o conceito de juntar partes pra criar algo novo.
Outra coisa é quando a Maria apontou pra uma cor e disse "É azul!" do nada, depois de várias experiências com tintas. Isso mostra que ela tá começando a fazer conexões entre o que vê e o nome da cor. Então ela tá ampliando seu vocabulário e reconhecimento das cores, não porque alguém disse "Essa é azul", mas porque ela viveu isso.
E olha só, eu uso muito registros pra ajudar nesse processo todo. Anoto num caderninho ao longo do dia as coisas que vejo e ouço. Às vezes tiro fotos ou pequenos vídeos — com autorização dos responsáveis, claro — porque isso me ajuda a lembrar exatamente os detalhes dessas interações e também serve pra conversar com as famílias depois. Esses registros são fundamentais pra pensar nas próximas propostas. Se eu vejo que um grupo tá super interessado naquele movimento de misturar tinta, posso preparar algo mais elaborado na próxima semana, como explorar outras superfícies pra pintar.
Falando dos direitos de aprendizagem, esse objetivo mobiliza muito o Explorar e o Expressar. Todo dia na sala é uma nova oportunidade pras crianças experimentarem materiais e formas diferentes de manipulação. Quando a Júlia se propõe a usar não só os dedos mas também os pés pra pintar numa folha no chão, isso é explorar o material de uma forma completa! Já o Expressar aparece quando o Pedro comenta que aquele rabisco é "um dragão voando". Pode não parecer muito pra um adulto, mas é uma forma dele comunicar algo interno através daquele desenho.
E aqui na turma, eu também noto muito o Participar. Sempre incentivamos as crianças a trazerem ideias. Quando decidimos juntos quais cores vamos usar num mural coletivo ou como queremos organizar as peças de madeira, eles não tão só participando das decisões práticas, mas aprendendo sobre colaboração e respeito às ideias dos colegas.
Pra acessibilizar essas experiências pro João, que tem suspeita de TEA, e pra Bia, com atraso de linguagem, a gente faz algumas adaptações importantes. Pro João, por exemplo, eu procuro deixar os materiais bem organizados e sempre no mesmo lugar. Isso ajuda ele a se sentir mais seguro e saber onde pode encontrar as coisas quando quiser. Também ofereço fones de ouvido com música calma quando as atividades são muito barulhentas ou sensoriais demais pro conforto dele.
Com a Bia, eu tenho usado bastante comunicação visual: uso cartões com imagens das atividades do dia ou das cores das tintas. Além disso, dou bastante espaço e tempo pra ela se expressar do jeito dela sem pressa. Eu também tô sempre por perto pra verbalizar as ações dela: se ela tá pegando uma tinta vermelha, eu digo “Bia escolheu a tinta vermelha”, assim ela vai associando ações às palavras aos poucos.
Olha só, nem tudo é fácil ou funciona sempre na primeira tentativa, né? Tem dias em que o João se afasta e prefere ficar sozinho num cantinho da sala. Nessas horas eu tento respeitar esse espaço dele sem forçar a interação. Com a Bia, tô tentando envolver mais música e ritmo nas atividades pra engajar melhor aquele interesse dela em sons.
Bom, minha gente, acho que já falei um bocado! Espero ter ajudado vocês a entenderem como observo esse desenvolvimento no dia a dia das crianças e como adaptamos as propostas pra todas poderem participar. Vamos trocando por aqui nossas experiências? Até mais!