Olha, quando a gente fala em explorar sons com os bebês, a gente tá falando de um mundo inteiro de descobertas que eles fazem usando o próprio corpo e tudo que tá ao redor. É a maneira deles perceberem o que acontece quando batem as mãozinhas, chacoalham um brinquedo ou até mesmo quando ouvem a própria voz. Não é sobre ensinar música ou alguma coisa assim, mas sobre proporcionar experiências onde eles possam criar, experimentar e perceber os diferentes sons.
Imagina só o João, que tem 8 meses, segurando uma tampinha de plástico e batendo no chão de madeira. Ele tá totalmente concentrado no barulho que aquilo faz. Ou a Luiza, com 1 ano e um pouquinho, que já descobriu que se bater palmas faz um som legal e aí ela repete várias vezes, toda feliz com a descoberta. É esse tipo de interação que a gente quer estimular, sabe?
Aqui na minha turma, eu gosto de organizar três propostas que as crianças adoram e que ajudam a trabalhar essa questão dos sons. Primeiro, tem a nossa "Caixa das Surpresas Sonoras". Eu pego uma caixa grande e coloco dentro vários materiais não estruturados como tampinhas de garrafa, pedaços de tecido, caixinhas de papelão pequenas, sementes secas dentro de potinhos de plástico e algumas colheres de pau. O espaço é bem livre, deixo as caixas num canto da sala onde elas podem mexer à vontade. A ideia é que eles explorem esses materiais livremente, sem muita interferência minha. Uma vez, o Pedro achou uma tampinha de garrafa que fez um som engraçado quando ele arrastou pelo chão e ele começou a rir muito, atraindo os outros bebês pra perto pra repetir a brincadeira.
Outra proposta que faço é o "Tapete dos Sons". Espalho alguns tecidos de diferentes texturas e tamanhos no chão: papel crepom, feltro, cetim e até folhas secas. Deixo as crianças irem gatinhando ou andando por cima desses tecidos. Elas ficam encantadas em perceber como cada passo ou movimento gera um som diferente. Da última vez que fizemos isso, a Ana ficou fascinada com o barulhinho do papel crepom amassando e ficava indo e voltando só pra ouvir novamente.
Por fim, temos os "Banhos Musicais". Aproveitamos um dia quente pra brincar com água no quintal. Coloco várias bacias com água e dentro delas materiais como conchas, tampas de garrafa plástica e colheres de alumínio. Os bebês ficam livres pra explorar os sons que esses objetos fazem quando batem na água ou entre si. Eu lembro bem do Gabriel usando uma colher pra bater numa bacia e descobrindo todo orgulhoso o som parecido com tambor que fez.
O tempo dessas atividades varia conforme o interesse das crianças. Às vezes dura uns 15 minutos, às vezes elas se envolvem por mais tempo – importante é respeitar o ritmo delas. Durante essas propostas, minha mediação é mais observadora. Tô ali atenta pra garantir segurança e dar suporte se necessário, mas evito direcionar ou mostrar como algo deve ser feito. Se vejo que alguém tá tendo dificuldade ou quer compartilhar algo que descobriu, me aproximo e entro na brincadeira junto.
Ah! E como é bonito ver como eles se envolvem nesses momentos! As interações entre eles também surgem naturalmente: tem aquele bebê que observa o amigo fazer algo interessante e tenta imitar; tem aqueles olhares cúmplices e os sorrisos quando percebem juntos um som novo ou engraçado.
No final das contas, essas experiências não são só sobre perceber sons. Elas são oportunidades para os bebês se expressarem, interagirem entre si e conosco adultos de maneira significativa. E é impressionante como essas vivências ampliam o repertório deles de forma tão rica – eles estão sempre nos surpreendendo com novas descobertas.
Então é isso, pessoal! Espero ter ajudado vocês a entenderem como podemos trabalhar esse objetivo com os bebês na prática do dia a dia da sala. Vamos continuar trocando ideias e experiências por aqui! Até a próxima!
E isso, minha gente, que a gente vai observando no dia a dia. Olha, não tem nada mais gratificante do que ver essas pequenas descobertas acontecendo na nossa frente. A gente percebe que a experiência tá mobilizando a aprendizagem quando repara nos olhinhos atentos, nas mãozinhas curiosas e nos sorrisos largos. Sabe aquele momento em que a criança parece estar totalmente imersa no que tá fazendo? É aí que tá o pulo do gato.
Vamos falar do Pedrinho, por exemplo. Ele tem 1 ano e 2 meses e começou a perceber que os sons mudam dependendo da superfície onde ele bate os objetos. Um dia observei ele batendo uma colherinha de metal primeiro no piso, depois nas almofadas e por último na mesa. A concentração dele era notável! Ele parava um instante depois de cada batida, como se estivesse comparando os sons ou tentando entender o que tinha mudado. Não é uma graça?
E as tentativas de imitação? O grupo adora isso! Às vezes, quando tô cantando uma música com um ritmo mais marcante, vejo as crianças tentando acompanhar com palmas ou mesmo batendo os pezinhos. É bonito de ver como eles vão se envolvendo e testando as próprias capacidades.
Eu faço muitos registros dessas vivências. Uso um caderno onde anoto o que observo de mais significativo em cada criança e faço pequenos vídeos curtos com o celular (sempre com permissão dos responsáveis, claro). Com esses registros em mãos, ajusto as propostas conforme vejo o que tá funcionando ou não. Se percebo que algo não tá chamando tanto a atenção deles como eu esperava, vou lá e mudo alguma coisa. Às vezes é só um ajuste no ambiente ou nos materiais oferecidos. Ah, e também compartilho esses registros com as famílias nas reuniões, é bacana pra eles verem essa evolução.
Agora falando dos direitos de aprendizagem, esse objetivo tá muito ligado ao Explorar e Expressar. Explorar porque é através da experimentação que eles vão percebendo as diferentes possibilidades sonoras do mundo ao redor deles. É aquela curiosidade natural deles sendo alimentada diariamente. E Expressar porque mesmo sem palavras, eles comunicam muito através do corpo e das vocalizações durante essas atividades.
A Bia, por exemplo, tá sempre tentando acompanhar as músicas com sons que ela mesma inventa. Pode ser só uma sequência de balbucios ou uma espécie de cantarolar bem pessoal, mas é a forma dela expressar o que tá sentindo com aquilo tudo. Já vi ela acompanhando musicas com um tamborzinho de brinquedo e é lindo de ver como ela se entrega àquele momento.
No caso do João, que tem suspeita de TEA, e da Bia que tem um atraso de linguagem, a gente adapta algumas coisas pra garantir que todos tenham acesso às mesmas experiências enriquecedoras. Pro João, eu costumo deixar disponíveis materiais que têm texturas e sons variados mas que não sejam muito complexos ou barulhentos demais pra ele não se sobrecarregar sensorialmente. Isso inclui instrumentos mais suaves como xilofones pequenos de madeira, além de tecidos pendurados que fazem som quando ele mexe.
Com a Bia, trabalho bastante com repetição em músicas e explorações sonoras porque ela se beneficia muito disso pro desenvolvimento da linguagem. Costumo usar brinquedos que incentivem ela a fazer sons específicos ou responder a estímulos sonoros simples.
Para ambos, também é essencial dar tempo e espaço pra eles explorarem no próprio ritmo sem pressa alguma. As atividades são pensadas pra serem acessíveis do jeito mais natural possível, sem segregá-los do grupo.
Enfim, minha gente, é assim que vamos caminhando por aqui. Sempre observando com carinho e respeitando o tempo dos pequenos em cada descoberta sonora. Espero ter conseguido dar uma boa ideia de como trabalhamos esses aspectos na Educação Infantil e torço pra que vocês também estejam vivendo experiências enriquecedoras por aí. Qualquer coisa, tamo aqui pra trocar ideias!