Voltar para Bebês · Traços, Sons, Cores e Formas
EI01TS02BebêsTraços, Sons, Cores e Formas

Traçar marcas gráficas, em diferentes suportes, usando instrumentos riscantes e tintas.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI01TS02) Traçar marcas gráficas, em diferentes suportes, usando instrumentos riscantes e tintas.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI01TS02 faz parte do campo Traços, Sons, Cores e Formas, que organiza experiências de convívio com diferentes manifestações artísticas, culturais e científicas: música, artes visuais, dança, teatro, fotografia.

Características da faixa etária (0 a 1 ano e 6 meses)

Nesta faixa, o desenvolvimento é marcado pela exploração sensorial intensa, pela construção do vínculo afetivo com o adulto cuidador e pelas primeiras conquistas motoras (rolar, sentar, engatinhar, andar). A intencionalidade pedagógica acontece nos momentos de cuidado (banho, alimentação, sono) e nas propostas de exploração do entorno. A linguagem se constrói através de balbucios, gestos, olhares e primeiras palavras.

Práticas recomendadas: Espaços seguros e estimulantes, materiais sensoriais variados (texturas, sons, cores), rotinas previsíveis com ritmo respeitoso, vínculo individualizado com a referência educadora.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Olha só, quando a gente fala sobre o objetivo de traçar marcas gráficas com os bebês, é importante pensar que não estamos esperando que eles façam um desenho ou algo do tipo. Isso não é aula de artes, sabe? A ideia é ampliar o repertório sensorial e motor dos pequenos, proporcionando experiências em que eles vão começar a perceber que podem deixar marcas e rastros no mundo ao redor deles. É mesmo sobre descobrir que suas ações têm um impacto e que eles conseguem interagir com diferentes materiais e superfícies.

Nesta faixa etária de 0 a 1 ano e 6 meses, os bebês estão muito mais voltados para a exploração sensorial. Eles não têm o controle motor fino desenvolvido como uma criança maior, então seguram no lápis ainda é um desafio pra eles. Mas eles adoram sentir a textura das coisas, mexer, amassar, deslizar as mãos em superfícies. Quando a gente oferece alguma superfície com tinta, por exemplo, eles vão sentir a tinta nos dedos, ver como ela escorre, como desliza e como deixa uma marca diferente no papel. É fascinante ver como cada bebê reage de forma única!

Aqui na minha sala, eu sempre procuro organizar três propostas que têm tudo a ver com esse objetivo. A primeira proposta envolve caixas de papelão grandes, daquelas que as crianças podem entrar. Coloco essas caixas abertas no chão e disponibilizo tintas atóxicas em potinhos pequenos. Deixo bastante espaço pra elas se moverem livremente e sempre escolho um dia em que a temperatura esteja agradável. Os bebês adoram mergulhar as mãos na tinta e começar a explorar as paredes internas da caixa. Quem já teve por aqui foi o Miguel e a Marina; o Miguel ficou encantado ao perceber a sensação da tinta nos dedos e logo já estava experimentando usar os pés também! Nesse momento, eu fico bem próxima observando, às vezes até entrando na caixa junto pra compartilhar esse momento de descoberta com eles. Não dou muitas instruções além do básico, como mostrar que podem usar tanto as mãos quanto os pés.

A segunda proposta que faço é com tecidos grandes estendidos no chão e algumas bandejas rasas com diferentes cores de tintas aguadas. Junto disso, também disponibilizo rolinhos feitos de gravetos amarrados com barbante. A ideia aqui é oferecer outra textura e jeito de marcar. Deixo os bebês livres pra caminhar sobre o tecido ou passar os rolinhos nas bandejas e depois no tecido mesmo. O espanto deles ao ver as cores se misturando é uma delícia de acompanhar! Da última vez que fizemos isso, o Pedro ficou observando como os amigos faziam antes de imitar, já João foi direto mergulhar os rolinhos nas bandejas. Minha mediação é mais no sentido de garantir a segurança e incentivar essa curiosidade natural deles.

Por fim, uma proposta que faz muito sucesso é a exploração com água colorida em copinhos e papéis absorventes grandes. Coloco tudo numa mesa baixa ao nível dos bebês e deixo que explorem como quiserem: podem usar pincéis ou simplesmente derramar a água sobre o papel. O legal dessa atividade é observar como eles percebem que o papel muda de cor conforme absorve a água colorida. Na última vez que fizemos isso, a Ana começou usando um pincel mas logo preferiu derramar diretamente do copinho; ela ria quando via as cores se espalhando. Eu fico ali por perto pra garantir que ninguém vai beber a água colorida ou escorregar.

É muito bonito perceber como através dessas propostas os bebês estão desenvolvendo suas capacidades motoras, sensoriais e cognitivo-sociais. Eles se comunicam com gestos e olhares entre si, às vezes até compartilham materiais ou imitam uns aos outros. As interações são super valiosas nesse processo todo; cada um aprende observando o outro também. E sabe, essas vivências são fundamentais porque respeitam o tempo deles sem apressar nada.

Então minha gente, quando pensamos nesse objetivo da BNCC pro grupo dos bebês é importante lembrar que não tem certo ou errado no traçar das marcas gráficas. O importante é proporcionar um ambiente rico em possibilidades de exploração onde eles possam se expressar livremente através do toque e da brincadeira. E vamos sempre estar ali do ladinho deles, mediando essa descoberta maravilhosa do mundo ao seu redor!

Ah, aqui na minha turma, eu adoro ver como cada bebê reage de um jeito diferente quando a gente começa essas experiências. Observar o desenvolvimento das crianças nesse objetivo é praticamente um exercício de paciência e atenção. Eu olho os gestos que eles fazem, as caras e bocas quando estão em contato com materiais diferentes. Por exemplo, tem o Davi que, na primeira vez que a gente trouxe tinta comestível pra eles brincarem, ele hesitava em tocar. Ficava só olhando a tinta ali na bandeja, parecia estudando aquilo tudo. Depois de um tempinho, decidiu experimentar e fez uma bagunça gostosa, passando a mão na tinta e no papel. Nesse momento, percebo que ele tá mobilizando aprendizagens bem importantes como a confiança pra explorar e a curiosidade.

Já a Sofia, que é uma esperta danada, quando percebeu que podia fazer marcas no papel com giz de cera grosso, ficou encantada! Ela começou a tentar diferentes formas de segurar o giz e observava atenta as marcas que ficavam. Até fazia uns "ahhh" e "ohhh" toda vez que via o risco aparecendo no papel. Isso é um sinal claro de que aquela experiência tá mobilizando aprendizado, sabe? É ela percebendo que suas ações têm consequências e isso tudo vai ficando registrado na cabecinha dela.

Esses registros do dia a dia são preciosos pra mim. Eu uso um caderno onde faço anotações rápidas sobre essas observações. Às vezes tiro fotos ou faço vídeos curtinhos dos momentos mais significativos pra depois rever com calma. Com essas informações, consigo pensar em como ajustar as próximas propostas pras crianças. Se vejo que uma atividade foi desafiadora demais ou não despertou tanto interesse, penso em como posso adaptar ou enriquecer aquilo. Por exemplo, se noto que algumas crianças não se envolveram tanto numa atividade com tinta, posso tentar introduzir outros materiais ou mudar a superfície onde estamos fazendo as marcas.

Falando dos direitos de aprendizagem que esse objetivo mais mobiliza, eu diria que são principalmente o explorar, o expressar e o conhecer-se. No dia a dia, vejo isso acontecendo quando as crianças estão completamente imersas em descobrir as texturas e as cores dos materiais. Como quando a Ana passa a mão numa superfície com areia e observa os grãos escorrendo entre os dedos dela — é explorar purinho! Expressar acontece quando os bebês começam a perceber que podem criar algo novo, mesmo que seja uma mistura de cores num papel. E conhecer-se é aquele momento em que eles estão explorando o próprio corpo em relação ao espaço, tipo quando olham pras mãozinhas sujas de tinta e dão risada.

Agora, pra tornar essa experiência acessível ao João e à Bia, faço algumas adaptações especiais. O João tem suspeita de TEA e muitas vezes prefere brincar sozinho num canto mais tranquilo da sala. Então eu procuro oferecer opções de materiais que ele possa explorar sozinho também, como caixas sensoriais com grãos ou gelatinas coloridas. A ideia é criar um ambiente onde ele se sinta seguro pra explorar no tempo dele.

A Bia tem um atraso de linguagem e às vezes parece se frustrar quando não consegue imitar os sons das outras crianças. Pra ela, eu busco materiais que favoreçam a comunicação não verbal, como cartões com imagens dos materiais que vamos usar ou gestos que indiquem o que vamos fazer em seguida. Também uso bastante música e cantigas que ajudam na expressão e na interação com os coleguinhas.

O espaço da sala sempre organizo pensando nos cantinhos de exploração e nos momentos mais coletivos e mais individuais. E o tempo... ah, esse é respeitado por aqui! Deixo sempre mais flexível pra poder seguir o ritmo das crianças sem pressa.

Enfim, acho que observar o desenvolvimento das crianças nesse objetivo é um processo contínuo. Todo dia aprendo algo novo com eles e isso é meio mágico, né? Espero ter ajudado vocês com essas ideias.

Até a próxima conversa por aqui! Fiquem bem!