Olha, quando a gente fala desse objetivo da BNCC, que é as criancinhas de bebê interagirem com outras crianças e adultos e se adaptarem ao convívio social, a gente tá falando de algo muito natural, né? Na prática, isso significa proporcionar situações em que os bebês tenham contato com outras pessoas, desenvolvendo suas habilidades sociais de um jeito gostoso e sem pressa. Eu vejo isso acontecer quando, por exemplo, um bebê como o Pedro tenta tocar o rostinho do Miguel, ou quando a Sofia solta aquela gargalhada que parece contagiar todo mundo em volta. Essas interações são o começo da construção do "eu" deles em relação ao "outro".
Aqui na minha turma de bebês, eu procuro sempre criar oportunidades para que eles se encontrem e se percebam. Não é só sobre estar junto, mas sobre começar a entender que existe um mundo além deles, cheio de outras vozes, cheiros e movimentos. As crianças dessa idade exploram tudo com o corpo: elas tocam, mordem, cheiram, olham profundamente nos olhos umas das outras. É um processo de descoberta e encantamento constante.
Vou contar um pouco sobre três propostas que eu curto muito organizar aqui na sala. A primeira é a "exploração sensorial com tecidos". Eu coloco no chão um monte de tecidos diferentes: alguns são macios, outros ásperos, uns mais leves, outros pesados. E tem de todas as cores também! O espaço fica todo acolchoado e seguro, então os bebês podem rolar à vontade. Eu coloco os tecidos como se fosse um grande tapete que cobre toda a sala. Isso dura mais ou menos uns 20 a 30 minutos, dependendo da disposição dos pequenos no dia. É maravilhoso ver como eles reagem! A Luana adora se esconder debaixo dos tecidos e dar aquela risadinha quando alguém a acha. Já o Caio fica fascinado mexendo nos tecidos que têm franjinhas. Eu fico ali perto deles, mas sem comandar nada, só observando e mediando quando necessário. Às vezes eu digo: "Olha o Caio balançando o tecido! Quem quer tentar também?" E pronto, já vira uma festa.
Outra proposta que organiza momentos incríveis é a "exploração com água e tampinhas". Coloco uma bacia grande no centro da sala e encho com um pouquinho de água morna (coisa pouca mesmo) e algumas tampinhas de garrafa coloridas. O chão em volta fica protegido com toalhas pra não escorregar. Essa atividade não dura muito tempo, uns 15 minutos no máximo porque eles cansam rápido dessa faixa etária. E olha só como é interessante: a Júlia adora bater as mãos na água e ver como respinga em todo mundo. O Rafael fica atento tentando pegar as tampinhas que boiam pra lá e pra cá. E eu vou comentando: "Nossa, Júlia fez chover aqui na sala!" ou "Viu como a tampinha vermelha tá fugindo do Rafael?". Esse tipo de interação é rico demais porque mesmo sem ter um brinquedo estruturado, o grupo vai aprendendo a lidar com os elementos do ambiente e uns com os outros.
A última proposta que eu quero compartilhar é o "círculo de música com instrumentos naturais". Aqui usamos sementes, gravetos que encontramos no jardim (sempre com segurança), potes pequenos com arroz dentro pra fazer chocalhos... Coisas simples e naturais mesmo. Organizamos as crianças sentadas em círculo — geralmente fica mais fácil no começo colocá-las nos colos das educadoras ou encostadas nas almofadas. Esse momento dura só uns 10 ou 15 minutos porque logo os bebês começam a querer explorar individualmente ou ficam sonolentos. O interessante é ver como cada criança reage à música: o Lucas fica balançando de um lado para o outro quando batemos palmas ao ritmo das músicas; já a Mariana adora sacudir o potinho de arroz quando a música acelera. Durante toda essa vivência eu vou cantando músicas conhecidas das crianças e incentivando quem tá mais quietinho a participar: "Vamos fazer barulho juntos?", "Quem consegue fazer o som das chaves agora?".
Nessas propostas, sempre procuro respeitar o tempo das crianças. Se alguém tá muito cansado ou não quer participar, tudo bem também. Dou espaço pra cada criança se expressar do jeito dela. Não apresso nada porque entendo que cada uma tá num tempo diferente.
Acho que é isso, minha gente! Compartilhar essas experiências enriquece tanto nosso trabalho como educadoras quanto aquece o coração vendo esses pequenos descobrindo o mundo ao redor deles! Até a próxima!
E sobre começar a enxergar o outro como alguém que também tem sentimentos e reações, né? Agora, quando a gente fala de observar o desenvolvimento ligado a esse objetivo, a gente tá falando de perceber esses pequenos sinais, que geralmente passam batido, mas que são tão significativos. Eu fico sempre de olho nos gestos, nas tentativas deles em se comunicar, na forma como buscam o olhar do colega ou do adulto. Tipo assim, sabe quando o Lucas começa a balbuciar para chamar a atenção da Isabela? Ou quando a Alice oferece um brinquedo pro colega que tá chorando? Isso pra mim é sinal claro de que eles estão se percebendo nesse universo social.
O que eu faço muito é registrar essas pequenas conquistas. Tenho um caderno onde anoto essas observações, mas também uso o celular para capturar fotos e vídeos curtos. Não é só registrar por registrar, viu? Esses registros me ajudam a refletir sobre o que tá acontecendo ali e como eu posso ajustar as próximas propostas. Por exemplo, se eu vejo que os bebês estão começando a se interessar mais por uma brincadeira de roda, eu penso em como posso trazer essa proposta de diferentes maneiras, talvez com músicas novas ou mudando o espaço pra eles explorarem outras possibilidades.
Agora, falando dos direitos de aprendizagem, eu diria que esse objetivo mobiliza bastante o conviver, brincar e expressar. No dia a dia, conviver acontece nas situações mais simples, tipo na hora da roda de conversa ou quando tão juntos vendo um livro ilustrado. Já o brincar é meio óbvio, né? É através do brincar que eles experimentam essas relações sociais. E expressar eu vejo muito quando eles tentam se comunicar seja com gestos, com balbucio ou até com chorinho. É lindo ver como cada um tem seu jeitinho de se expressar!
Sobre adaptar as experiências pro João e pra Bia, eu sempre penso em como tornar tudo acessível e inclusivo. Pro João, que tem suspeita de TEA, eu procuro criar um ambiente que não seja muito estimulante pra não sobrecarregar ele. Ofereço brinquedos mais estruturados que ele possa explorar no tempo dele e com menos distrações visuais. Além disso, tento manter uma rotina previsível porque percebo que isso dá segurança pra ele. E pras transições entre atividades, eu uso músicas ou sons que ele já conhece e gosta.
Com a Bia, que tem atraso de linguagem, eu priorizo muito a interação verbal e visual. Uso muitos gestos enquanto falo e dou tempo pra ela responder do jeito dela. Também faço questão de nomear tudo que ela aponta ou se interessa e encorajo os coleguinhas a fazerem o mesmo. Nos materiais, escolho livros com imagens grandes e claras e ofereço brinquedos que incentivem a comunicação, como fantoches ou telefones de brinquedo.
Claro que nem tudo funciona do jeito que a gente espera sempre. No caso do João, às vezes ainda tô testando qual estratégia é melhor pra captar o interesse dele sem causar desconforto. E com a Bia, continuo buscando formas de incentivá-la sem pressionar na questão da fala.
Então é isso, minha gente! Acho que quando a gente fala de objetivos assim na educação infantil, vale lembrar que não existe receita pronta. Cada criança é única nesse processo de aprender a conviver com o outro e se perceber nesse meio. O importante é estar sempre atento aos sinais e aberto a adaptar as experiências conforme essas pequenas descobertas vão acontecendo.
Espero ter ajudado vocês a refletirem um pouco sobre esse objetivo tão especial da BNCC. Qualquer coisa, estamos aqui pra compartilhar mais ideias e experiências! Um beijo e até mais!