Então, pessoal, falar dessa habilidade EF67LP12 da BNCC é falar de colocar a garotada pra botar a mão na massa e criar conteúdo de verdade, sabe? Não é só aquela coisa de ler e recontar a história. Aqui, a ideia é fazer eles refletirem sobre o que consomem, tipo filmes, livros, games, e aí transformarem isso em algo com a cara deles: pode ser uma resenha, um vídeo no estilo vlog, um podcast ou até um fanzine. Os meninos têm que conseguir descrever e dar opinião sobre essas produções culturais. E o legal é que eles já vêm do 5º Ano com uma base boa de leitura e interpretação. Agora no 6º Ano, a parada é dar um passo a mais e fazer eles expressarem isso de forma criativa.
Uma das coisas que gosto de fazer é trabalhar com resenhas críticas de filmes. A primeira coisa que faço é escolher um filme que seja acessível pra galera. Da última vez, escolhi "O Menino e o Mundo", porque é uma animação brasileira que muitos ainda não conheciam. Antes de assistir, a gente faz uma roda de conversa sobre o que eles curtem em filmes, quais assistiram recentemente. Isso já vai aquecendo eles pra atividade.
Depois da sessão do filme — que geralmente levo uma aula inteira — peço para trazerem suas primeiras impressões. Nesse momento, eu divido a turma em pequenos grupos. Cada grupo tem que discutir entre eles e fazer anotações sobre o que gostaram e não gostaram no filme. Aí vem a parte mais legal: cada aluno faz sua própria resenha crítica! Dou uma aula só pra isso, pra eles escreverem, refletirem e depois, quem quiser, lê para a turma. Na última vez, o Pedro ficou super empolgado e levantou a mão logo para ler a resenha dele. Ele fez umas comparações entre o estilo do filme com outros que já tinha visto e levantou uns pontos que nem eu tinha pensado! Ver esse tipo de insight deles é muito gratificante.
Outra atividade que faço bastante é o podcast. Olha, no começo eu mesmo não sabia muito como mexer com isso, mas fui aprendendo aos poucos junto com eles. A gente usa celulares mesmo pra gravar — nada muito complicado ou caro. Primeiro discutimos o tema do podcast, geralmente peço pra ser sobre um livro ou série que leram ou assistiram recentemente. Na última vez fizemos sobre "A Culpa É das Estrelas", um livro super popular entre eles.
Divido a turma em duplas ou trios e cada grupo tem que roteirizar o episódio do podcast. Eles precisam pensar em como vão introduzir o tema, as opiniões principais que querem passar e até possíveis entrevistas com colegas. A gravação leva uma aula inteira também e depois passamos outra aula ouvindo alguns trechos selecionados. É engraçado ver como eles se empolgam para ouvir a própria voz gravada! A Ana Paula ficou tão animada ao ouvir seu podcast que já saiu dali querendo fazer outro.
E não posso esquecer dos fanzines! Essa atividade é sempre uma bagunça organizada na sala — muito papel colorido, revista velha, cola... Mas os resultados são incríveis. A ideia aqui é juntar tudo o que aprenderam sobre resenhas e críticas e colocar em formato de fanzine. Eles podem desenhar, colar imagens ou escrever sobre suas bandas preferidas, filmes ou até mesmo quadrinhos.
Eu trago materiais simples: revistas velhas para recortar imagens, papéis coloridos e canetas. Dou uma aula só para fazerem os rascunhos do conteúdo do fanzine e outra aula dedicada à montagem final. Eles se dividem em grupos pequenos e cada um contribui com uma parte do fanzine. O mais bacana foi quando a Júlia fez um fanzine inteiro sobre k-pop — ela escreveu críticas das músicas, montou uma linha do tempo das principais bandas... ficou bem legal! No final, fizemos uma exposição dos fanzines na sala e a galera da escola toda veio dar uma olhada.
Acho que essas atividades são maneiras bem legais de desenvolver essa habilidade da BNCC porque elas permitem aos alunos não só consumir conteúdos culturais mas também criticá-los de forma construtiva e criativa. Além disso, eles aprendem a trabalhar em grupo, a expressar suas opiniões e a usar diversas mídias pra isso — seja escrevendo, falando ou montando suas produções visuais. E assim vou tentando deixar as aulas mais dinâmicas e conectadas com o mundo deles.
Espero que esse relato ajude quem tá pensando em como trabalhar essa habilidade na prática! Fiquem à vontade pra compartilhar também suas experiências aqui no fórum. Até mais!
Agora no 6º Ano, a gente vê eles começando a amarrar essas ideias com mais profundidade. E uma coisa que eu sempre falo é que não preciso de uma prova formal pra saber se eles realmente aprenderam. No dia a dia mesmo, dá pra perceber quem tá pegando o jeito. Quando circulo pela sala, fico de olho na forma como eles começam a usar umas palavras mais específicas, como fazem analogias ou até como começam a fazer perguntas mais interessantes. O Lucas, por exemplo, adora falar de filmes de super-heróis. Aí outro dia ele me veio falando sobre como tal filme retratou uma história diferente dos quadrinhos e já sacou na hora o tema central que o diretor quis trazer. Na hora pensei: "Ah, esse moleque entendeu".
Outra forma é ouvindo as conversas entre eles. A Ana sempre foi uma das mais tímidas, mas quando ela tá no grupo dela, vejo que ela se solta mais. Semana passada, ela estava explicando pra uma colega o porquê de tal personagem de um livro não ter tomado uma determinada atitude. Ela usou argumentação e até fez comparações com o outro livro que leu. Isso pra mim é um sinal claro de entendimento.
O erro mais comum que vejo é a galera se embananar na hora de fazer a crítica. Tipo, o João sempre começa bem, mas aí ele se perde e vira resumo em vez de análise. Ele conta a história toda de novo! Aí eu dou um toque: "João, e aí? O que você achou disso tudo? O que você mudaria?" Isso faz ele pensar um pouco mais e sair daquele automático de só contar a história.
Outra dificuldade é a confusão entre opinião pessoal e análise crítica. A Maria, por exemplo, costuma dar muito peso só pra opinião dela sem justificar com algo do texto ou do filme. "Ah, eu achei chato porque é chato", ela dizia. Então, mostro que sempre dá pra ir mais fundo: "Ok, Maria, mas o que te fez achar chato? Foi o ritmo? Os personagens?"
Quanto ao Matheus, que tem TDAH, eu procuro sempre dar atividades mais dinâmicas. Ele se perde fácil se tiver que ficar muito tempo sentado só escrevendo ou lendo. Então faço um esquema de rodízio nas tarefas: primeiro ele pode assistir um vídeo sobre o tema, depois ele escreve rapidinho suas primeiras impressões e traz pra discutir comigo ou com os colegas. Ah, e dou uns intervalos mais curtos pra ele dar uma volta pela sala ou beber água. Isso ajuda ele a não ficar tão ansioso.
Já com a Clara, que está no espectro do TEA, eu tento deixar as atividades bem estruturadas e previsíveis. Ela gosta de saber exatamente o que vai fazer então monto um roteiro pra ela com passos bem claros. Por exemplo: primeiro ler um trecho do texto, depois desenhar o que entendeu e só depois escrever uma ou duas frases sobre aquilo. Funciona bem com ela! O que não deu muito certo foi quando tentei atividades muito abertas sem roteiro fixo; ela ficava meio perdida sem saber por onde começar.
Pra ambos, também uso material visual sempre que posso: mapas mentais, vídeos curtos e imagens ajudam bastante na compreensão deles.
Bom, gente, é isso! Cada aluno tem seu jeitinho particular de aprender e a gente vai moldando as estratégias conforme vai percebendo as necessidades deles no dia a dia. O importante é sempre estar atento e disposto a adaptar as práticas pedagógicas pra garantir que todos consigam aproveitar ao máximo.
E aí na escola de vocês? Como vocês têm lidado com essas diferenças nas aprendizagens? Bora trocar umas figurinhas! Abraço!