Olha, essa habilidade EF01LP18 da BNCC é um negócio muito legal de trabalhar com os pequenos do 1º Ano. Quando eu penso nela, eu vejo que a ideia é a garotada começar a se virar com a escrita, mas sem ter que fazer tudo sozinho. A gente traz tudo isso pra realidade deles, tipo as cantigas que eles já conhecem, as quadrinhas engraçadas, aquelas parlendas que avós adoram contar. O objetivo é que eles consigam colocar no papel essas coisas que fazem parte do dia a dia deles, sempre com uma ajudinha. Assim eles começam a entender que a escrita serve pra registrar o que é importante pra gente.
Aí, na prática, o que a criança precisa aprender é que ela pode escrever usando o que já está na cabeça dela e com o apoio dos amigos e do professor. Eles devem sentir que podem colaborar e compartilhar ideias, porque isso faz parte do processo de aprender a escrever. No ano anterior, lá no infantil, eles já brincavam bastante com música e histórias orais. Agora é hora de começar a transformar isso em palavras escritas, ainda de forma bem assistida.
Bom, vou te falar agora de umas atividades que eu faço por aqui com a molecada. Uma coisa que rola muito bem é trabalhar com trava-línguas. Eu imprimo um ou dois trava-línguas engraçados e curtos em papel A4 e levo pra sala. Faço cópias pra todo mundo ter uma em mãos. A turma se divide em duplas e cada dupla tem uns dez minutinhos pra tentar ler e decorar o trava-língua. Eles dão muita risada porque sempre alguém se enrola e fala tudo errado! Na última vez, o Pedro e a Ana Clara ficaram tentando ler "O rato roeu a roupa do rei de Roma" e se embolaram tanto que eu quase precisei parar a atividade porque eles não paravam de rir! Depois disso, eu peço pra gente registrar junto no quadro. Pergunto: "O que vocês acham que está escrito aqui?" E aí vou anotando como eles falam.
Outra atividade legal é criar quadrinhas em grupo. Primeiro eu escolho um tema bem simples, como animais da fazenda ou frutas, e faço uma roda com todo mundo sentado no chão. Levo um quadro branco portátil e marcadores coloridos pra ir anotando as ideias deles. Cada aluno sugere uma linha da quadrinha, então fazemos isso juntos no quadro. Em meia hora mais ou menos a gente consegue criar umas duas ou três quadrinhas. Na última vez escolhemos o tema "frutas" e criamos uma quadrinha assim: “A maçã vermelha caiu do pé / a banana amarela deu um olé / se você quer fruta fresquinha / venha correndo já pegar na caixinha!” Eles curtem muito porque veem suas ideias virando poesia!
A terceira atividade envolve cantigas populares. Aí não tem erro: coloco todo mundo em círculo, pego meu violão (tô longe de ser músico bom, mas me viro) e começamos a cantar algumas músicas bem conhecidas como "Escravos de Jó" ou "Ciranda Cirandinha". Depois de cantarmos várias vezes, peço pra turma escolher uma cantiga específica pra gente escrever num grande cartaz. Vou pedindo para eles me ajudarem a lembrar partes da letra. A Elisa sempre tem um jeito especial de lembrar as coisas mais difíceis! Com isso escrito no cartaz, deixo exposto durante uma semana na sala, para eles irem olhando e lembrando das palavras.
Essas atividades não só ajudam eles a entenderem como funciona a escrita colaborativa como também trazem um monte de diversão pra sala de aula. Sabe aquele brilho nos olhos? É isso aí que eu vejo quando eles percebem que escrever pode ser tão legal quanto falar ou cantar! De vez em quando ainda me perguntam quando vamos fazer de novo. Pra mim, essa habilidade é sobre abrir portas pra criançada entender que cada um tem sua voz na escrita, desde cedo.
E é assim que a gente vai seguindo aqui na escola. Se algum de vocês tiver outras ideias ou quiser compartilhar experiências, tô sempre aberto pra ouvir!
Aí, quando tô lá circulando pela sala, eu fico de olho nos meninos escrevendo, conversando entre eles. Cara, é ali que você vê se eles tão pegando a parada mesmo. Não é só olhando pro caderno não. Tipo, quando eles começam a usar as palavrinhas novas que aprenderam nas atividades do dia, é um sinal. Outro sinal legal é quando eles começam a corrigir um ao outro. Sabe aquela história de um puxar a orelha do outro, mas de um jeito bonitinho? Tipo assim, esses dias a Mariana tava escrevendo uma quadrinha e o João olhou por cima do ombro dela e falou "Ah, Mariana, esse 'vovô' aí tem dois 'vê', igual no nome da vó?". Aí eu pensei: "Esse entendeu!". Ele associou aquele som forte do "vovô" com o nome da vó e percebeu a repetição das letras.
E tem aquelas conversas espontâneas que surgem. Você tá lá, ouvindo de cantinho, e vê o quanto eles evoluíram sem nem perceber. Tipo a Clara explicando pro Matheus como ela lembrou da rima de "cama" e "fama" porque a tia dela sempre fala que quer ser famosa como quem dorme muito. Surreal essas sacadas dos pequenos!
Mas claro, tem os erros que acontecem direto. Um erro comum é a troca de letras que têm sons parecidos, tipo o F e o V. O Pedro é mestre nisso! Ele escreveu "faca" como "vaca" uma vez. Coisa de criança né? E isso rola porque eles ainda tão entendendo esse lance dos sons das letras. Não dá pra ficar chateado, faz parte do aprendizado deles. Então, quando pego esses erros ali na hora, eu já aproveito pra fazer uma brincadeira com os sons. Peço pra repetir direitinho, enfatizo os sons diferentes e transformo em um jogo: "Vamos falar bem devagar pra ver como soa?" E eles vão! É divertido porque sai da lógica de só corrigir, vira mais uma brincadeira.
Agora sobre o Matheus que tem TDAH e a Clara que tem TEA... olha, é um desafio gostoso de encarar. Com o Matheus, eu percebo que ele não consegue prestar atenção por muito tempo na mesma coisa. Então o negócio é variar as atividades e os formatos. Às vezes uso cartões coloridos ou faço ele ajudar a distribuir material, porque aí ele se mexe e não fica preso na cadeira. Outra estratégia é usar cronômetros curtos, tipo desafios: "Matheus, vamos ver quanto você consegue escrever em 5 minutinhos?". Isso ajuda ele a focar em pequenos objetivos.
Com a Clara, a história é diferente. Ela precisa de um ambiente mais previsível e calmo pra conseguir se concentrar. Eu sempre informo ela sobre qualquer mudança de rotina com antecedência e deixo ela mexer nas caixinhas sensoriais que tenho na sala durante as atividades mais estressantes pra ela. Uma coisa que não funcionou foi tentar atividades em grupo sem preparação prévia. Ela ficava nervosa e não conseguia participar direito. Agora preparo ela antes, explico os passos bem claramente e deixo ela escolher se quer participar ou observar.
Ah! E algo legal que funciona pros dois é o uso de histórias visuais. Quando lemos um texto ou fazemos alguma atividade relacionada à escrita, eu sempre tento trazer imagens ou cartões visuais pra ajudar na compreensão deles. Eles se conectam mais com o visual e isso torna o aprendizado mais significativo.
Mas sabe como é... cada dia é diferente e tô sempre aprendendo com eles também. Tem vezes que algo não dá certo e aí mudamos o plano no meio da aula mesmo. Flexibilidade é palavra-chave por aqui!
Bom, pessoal, por hoje acho que era isso que eu queria compartilhar com vocês sobre minha experiência com a EF01LP18 e como vou adaptando tudo na sala com os pequenos. Espero ter ajudado ou trazido alguma ideia nova pra vocês também! Se tiverem dicas ou quiserem trocar mais figurinhas, tamo aí! Um abraço!