Olha, essa habilidade EF01LP05 é super importante e, no fundo, é o que a gente tá sempre trabalhando com os meninos do 1º Ano. Quando a BNCC fala de reconhecer o sistema de escrita alfabética como representação dos sons da fala, tá dizendo que eles precisam entender que cada letrinha representa um som e que, juntas, formam palavras. É basicamente perceber que aquilo que falamos tem um correspondente escrito, e isso é um baita passo pra leitura e escrita autônoma. No 1º Ano, eles já vêm do Infantil com uma noção básica de letras e sons, mas é agora que a coisa ganha forma, sabe?
Pra entender melhor, pensa assim: se o Joãozinho consegue olhar pra palavra "bola" e perceber que o "b" faz o som de /b/, o "o" faz o som de /ó/, o "l" faz /l/ e o "a" faz /a/, ele tá começando a conectar som e escrita. Isso é reconhecer o sistema alfabético! Antes, eles brincam com letras soltas, fazem desenhos e reconhecem seu nome, mas é no 1º Ano que a gente começa a estruturar isso de verdade. Aí, quando eles entendem como as letrinhas se juntam pra formar palavras que eles já falam ou conhecem bem, tipo "mão", "sol", "pipoca", as coisas realmente começam a fazer sentido pra eles.
Bom, agora vou contar umas atividades práticas que faço com a galera pra trabalhar isso. Uma coisa que faço sempre é o ditado ilustrado. O material é simples: folhas de papel branco, lápis de cor e canetinhas coloridas. Eu monto a turma em duplas ou trios, dependendo do tamanho da sala e do humor dos meninos no dia (risos). Isso leva uns 40 minutos. Primeiro, eu falo uma palavra em voz alta, tipo "gato", e cada aluno tem que desenhar essa palavra na folha e depois escrever do lado. Aí, na última vez que a gente fez isso, a Maria ficou toda empolgada porque desenhou um gato cheio de detalhes e quando foi escrever teve dificuldade com o "t". Mas aí ela olhou pra um cartaz na parede com o alfabeto e conseguiu lembrar. Ver esse tipo de autonomia surgindo é sensacional!
Outra atividade bacana que faço é o jogo das sílabas embaralhadas. Pra isso uso cartolinas coloridas cortadas em quadradinhos com sílabas escritas neles. Cada grupo fica com um conjunto dessas sílabas. O objetivo é formar palavras conhecidas com as sílabas disponíveis. Essa atividade dura uns 30 minutos e gera bastante energia na sala! Os alunos ficam agitados tentando formar as palavras primeiro e a gente tem sempre boas risadas. Da última vez que fizemos, o Lucas ficou todo orgulhoso porque conseguiu formar "cavalo" bem rápido enquanto os colegas ainda estavam tentando montar "bolo". Eles aprendem e se divertem ao mesmo tempo.
E uma última atividade que é muito eficaz é a leitura compartilhada de histórias curtas. Eu trago livrinhos simples ou folhetos impressos (tipo aqueles livrinhos de banca, sabe?). Sentamos em roda no chão da sala pra criar um ambiente descontraído. Eu leio em voz alta enquanto eles acompanham com o dedo nas palavras. Às vezes paro em algumas palavras-chave e peço pra algum aluno tentar ler sozinho. Normalmente faço isso em uns 20 minutos porque é importante manter o foco deles sem cansar demais. Na última sessão, a Ana me surpreendeu quando leu corretamente a palavra "estrela" sozinha! A turma toda aplaudiu e deu aquele incentivo legal pra ela.
Essas atividades são maneiras bem práticas de ajudar os meninos a entenderem o sistema alfabético. Dá pra ver quando conseguem reconhecer as letras e seus sons nas atividades diárias; vão ganhando confiança em ler e escrever palavras novas. O legal é ver como cada um vai no seu ritmo mas todos evoluem ao longo do ano. E não tem sensação melhor pra um professor do que perceber essa evolução nos alunos, né? Encerro aqui desejando boas atividades a todos vocês! Quem tiver outra ideia bacana para trabalhar essa habilidade manda aí!
Pra entender mesmo que os meninos aprenderam essa habilidade de reconhecer o sistema de escrita alfabética, não dá pra ficar só na prova formal, né? No dia a dia, andando pela sala ou escutando eles conversando, você percebe umas coisas. Às vezes durante uma atividade, tipo construção de palavras com letras móveis, você vê o Joãozinho ajudando a Maria a montar "casa". Ele vai lá e fala: "Olha, o 'c' faz o som de 'k', por isso começa com ele e não com 's'", e aí você saca que ele entendeu o lance da letra representar um som.
Outra coisa que acontece bastante é quando eles tão em duplinhas lendo aquelas cartelinhas de sílabas ou textos curtinhos. Quando um ajuda o outro, tipo "não é 'pá-pe', é 'pa-pe'", e corrige o amiguinho, rola aquele estalo que eles tão sacando a relação entre fala e escrita. Bom, num desses dias eu tava circulando pela sala e ouvi a Sofia lendo pra Júlia. A Sofia tava meio travada na palavra "faca" e a Júlia soltou: "É 'fa', tipo o 'f' da palavra 'foca', lembra?" Aí eu pensei: "Poxa, a Júlia pegou a ideia!"
Quanto aos erros mais comuns, vou te contar... O Pedro sempre confunde "b" com "d". Você já deve ter passado por isso. É clássico! Esses erros acontecem porque visualmente as letras são parecidas, ainda mais quando estão começando a se familiarizar com as formas das letras. Na hora que vejo ele trocando as bolas ali no caderno, paro e mostro a diferença: "Pedro, olha só, o 'b' tem uma barriguinha pra direita e o 'd' tem a barriguinha pra esquerda. Imagina que o 'b' tá olhando pro 'c' na fila do alfabeto." Essa comparação visual ajuda bastante.
A Ana tem dificuldade de separar sílabas nas palavras, tipo escrever "foca" como "fo-ca" ou "brinca" como "bri-ca". Isso acontece porque ela tá tentando segmentar demais a palavra. Quando pego ela no erro, faço uma brincadeira de bater palma pra cada sílaba: fo-ca (duas palmas) ou bri-ca (duas palmas). Vai no ritmo da leitura e da fala. Isso ajuda ela a perceber que a palavra tem duas sílabas completas.
Agora sobre o Matheus e a Clara, cada um tem suas necessidades, né? O Matheus tem TDAH e precisa de estímulos diferentes. Pra ele não perder o foco fácil demais nas atividades, uso muito material manipulativo. Aqueles joguinhos de montar palavras com letrinhas móveis funcionam bem porque ele mexe com as mãos enquanto pensa. E aí é legal dar uma pausa entre as atividades também, algo tipo um jogo rápido de coordenação motora ou um circuito curto na sala. Isso ajuda ele a gastar energia e voltar mais focado.
A Clara, que tem TEA, se beneficia bastante de rotinas estruturadas. Pra ela, eu sempre aviso o que vai acontecer em seguida na aula. Se vamos ler uma história depois da atividade de escrita, eu falo pra ela antes começar. Isso dá segurança e previsibilidade que ela precisa. Também uso figuras visualmente claras pra ajudar na compreensão das atividades propostas. Tipo assim: na hora de fazer atividades de leitura, coloco desenhos junto das palavras.
Ambos precisam de um ambiente mais calmo pra não se distraírem ou se sobrecarregarem. Muitas vezes procuro um cantinho da sala onde eles podem trabalhar em paz quando percebo que estão agitados.
E olha, como nada é perfeito, já tive tentativas de atividades que não deram certo. Tentei usar um aplicativo de tablet pra ajudar o Matheus a focar mais tempo em leitura interativa, mas ele ficou mais interessado em clicar em tudo menos na atividade proposta. Já com a Clara tentei usar histórias sem imagens pensando em estimular só a leitura e não rolou; ela ficou perdida sem o suporte visual.
Bom gente, essas são algumas experiências que tenho tido com essa habilidade tão essencial pro aprendizado dos meninos. Acho que é isso aí! Sempre bom trocar ideias com vocês sobre essas nossas aventuras diárias na sala de aula. Se tiverem dicas também, tô aqui pra ouvir! Abraços!