Olha, pessoal, na prática, essa habilidade EF08LI05 da BNCC é sobre ajudar os meninos a lerem nas entrelinhas. É fazer com que eles consigam pegar aquelas informações que não estão escritas diretamente no texto. Tipo assim, quando a gente lê uma frase e entende o que não foi dito, só foi sugerido, sabe? É como entender que se alguém fala que "o João está sempre sozinho no intervalo", talvez queira dizer que ele não tem muitos amigos. Não tá escrito que ele é solitário, mas a gente pega essa ideia.
Agora, antes do 8º ano, eles já têm uma base de como entender o básico do texto. Eles sabem o vocabulário básico e conseguem traduzir palavras e frases simples. Só que agora a coisa é um pouco mais avançada. A gente tá falando de pegar o contexto completo. É tipo montar um quebra-cabeça com as peças que a gente tem e imaginar as que faltam. Eles vão precisar disso não só na escola, mas na vida também, pra entender e interpretar o mundo ao redor.
Então vou contar pra vocês como eu trabalho isso em sala de aula com três atividades diferentes:
A primeira atividade é a "História Inacabada". Uso um texto curto em inglês, que pode ser um parágrafo de um livro juvenil ou uma história inventada mesmo, mas sempre deixo um final aberto ou alguma parte sem informação completa. Divido a sala em duplas ou trios, porque assim eles podem discutir entre eles e tentar completar o texto juntos. Isso leva uns 20 minutos no total: 10 pra leitura e discussão, e mais 10 pra compartilharem as conclusões com a turma toda. Numa dessas atividades, a Ana e o Lucas estavam juntos e eles levantaram uma questão super interessante sobre um personagem que deixou um bilhete misterioso. Eles inferiram que talvez esse personagem estivesse pedindo ajuda sem dizer isso abertamente. Foi legal porque eles usaram pistas do texto para chegar a essa conclusão.
Outra atividade é a "Leitura de Emoções". Aqui eu trago trechos de diálogos de filmes ou séries em inglês (coisas simples, tipo aqueles diálogos do Harry Potter). Escolho cenas onde as emoções são claras mas não explicitadas. Primeiro lemos juntos o diálogo escrito e depois assistimos à cena em vídeo rapidinho. Daí, eu peço pra turma identificar como os personagens se sentem somente pelo diálogo lido antes de verem as expressões no vídeo. Dá uns 15 minutos de trabalho: 5 lendo e discutindo o texto e 10 assistindo e comparando as impressões deles com a realidade. Na última vez que fizemos isso, o Felipe comentou sobre uma cena onde Hermione estava zangada mesmo sem o texto mencionar isso diretamente. Ele percebeu isso pelas palavras usadas e pela situação/contexto do diálogo.
A terceira atividade é "Carta ao Personagem". Deixo os meninos escolherem um personagem de algum texto que já lemos em aula. Eles têm que escrever uma carta para esse personagem em inglês, inferindo informações sobre ele que não estavam no texto original. Coisas como hobbies, medos ou desejos do personagem baseados apenas nas pistas dadas pelo autor. Essa atividade leva um pouco mais de tempo, tipo uns 40 minutos no total: 20 pra escrever e mais uns 20 pra compartilharem pelo menos trechos das cartas com a turma toda. Teve uma vez que a Júlia escreveu para um personagem contando que achava que ele tinha medo do escuro porque ele sempre acendia todas as luzes ao chegar em casa. Era só uma pequena descrição no texto original, mas ela usou isso pra desenvolver toda uma reflexão na carta.
Essas atividades são legais porque a galera realmente se envolve nas histórias e começa a pensar além das palavras escritas na página. Eles começam a perceber como detalhes pequenos podem ter grandes significados. Além disso, praticam inglês de um jeito mais interativo e próximo da realidade deles.
Bom, é isso aí pessoal! Espero que essas ideias ajudem vocês também! Se alguém tiver outras dicas ou sugestões, manda aí! Abraços!
Os meninos no 8º ano, às vezes, me surpreendem. Você tá ali, explicando pra eles as sutilezas do inglês, e parece que tudo tá passando batido, mas é só andar pela sala e prestar atenção nas conversas que você percebe quem tá sacando as coisas. Outro dia, por exemplo, eu tava passando pelas mesas e vi a Mariana e o Lucas discutindo um texto que lemos sobre um cachorro que sempre ficava na porta esperando o dono. Aí o Lucas virou pra ela e mandou: “Mas esse cachorro deve ser bem solitário, né?” E a Mariana respondeu: “Ou ele pode só gostar de ver o movimento da rua!” Nessa hora, pensei: “Ahá, pegaram a ideia dos subtextos!”
E tem também aqueles momentos em que um aluno explica algo pra outro. A Júlia é ótima nisso. Ela tem uma paciência danada e sempre ajuda a turma. Uma vez, o Pedro tava com dificuldade pra entender porque num texto dizia que "a sala estava vazia" e o personagem tava nervoso. Aí a Júlia explicou: “Pedro, às vezes, quando uma sala tá vazia, pode parecer assustador também, tipo quando você espera algo ruim acontecer.” E aí você vê que ela entendeu mesmo o lance das entrelinhas.
Agora, claro que nem tudo são flores, né? Tem aqueles erros que aparecem mais do que deveriam. Um clássico é confundir as palavras por causa da aparência delas em português. O Ricardo outro dia disse: “Olha, professor, acho que ‘actually’ quer dizer ‘atualmente’.” Tive que explicar pra ele que na real significa “na verdade”. E isso acontece porque eles veem a palavra parecida com a nossa e simplesmente deduzem o significado. Quando pego esse erro na hora, eu tento fazer eles próprios descobrirem perguntando: “Mas será que faz sentido essa tradução no contexto?”
Outros deslizes vêm da pressa de entender rápido e não prestar atenção ao contexto. A Ana, por exemplo, leu um texto onde alguém dizia que tinha “cold feet” antes de um show. E ela me veio: “Ah professor, ele deve estar gelado!” Lá fui eu explicar que era apenas uma expressão pra estar nervoso ou hesitando.
Quanto ao Matheus e à Clara, procuro sempre adaptar as atividades pra eles se sentirem incluídos e confortáveis. O Matheus tem TDAH e precisa de tarefas mais dinâmicas. Eu costumo fazer atividades em blocos mais curtos de tempo e dou materiais visuais pra ele poder se concentrar melhor. Ele adora quando uso vídeos curtos em inglês com legendas pra treinar essa habilidade de ler nas entrelinhas.
Já a Clara, que tem TEA, gosta de rotina e previsibilidade nos exercícios. Sempre informo com antecedência sobre a atividade seguinte pra ela se preparar mentalmente. Além disso, dou opções de comunicação alternativa: ela pode responder com cartões de resposta em vez de falar em público. Uma coisa que funciona bem é usar histórias com personagens repetidos em várias atividades. Ela se apega aos personagens e entende melhor as situações.
Nem tudo dá certo sempre, claro. Já tentei usar jogos online para engajar o Matheus, mas ele acabava se distraindo demais com outros elementos do site. Também testei exercícios orais em grupo com a Clara, mas percebi logo que ela preferia trabalhar individualmente ou apenas com um colega que já conhecesse bem.
No final das contas, ensinar é isso: ajustar o barco conforme o vento vai mudando. A gente vai testando soluções até encontrar o que encaixa melhor pros alunos.
Bom galera, acho que é isso! Foi ótimo compartilhar essas coisas com vocês. Espero ter ajudado e quero ouvir também como vocês lidam com essas questões aí nas suas salas! Grande abraço!