Olha, quando a gente fala dessa habilidade EF09HI08 da BNCC, parece complicado, mas na real é uma questão de entender as mudanças no jeito que a gente vê a diversidade ao longo do tempo. Tipo, os meninos têm que sacar como o debate sobre as questões de diversidade, como o papel das mulheres e as questões raciais, foi mudando no Brasil durante o século XX. Não é só sobre saber datas e fatos, mas sim entender por que essas mudanças na sociedade aconteceram e como elas afetam a gente hoje. Então, por exemplo, um aluno precisa conseguir comparar como era visto o papel das mulheres no começo do século passado com como isso evoluiu até o final do século. Eles já chegam no 9º ano com uma base de História do Brasil, tipo a Proclamação da República e as primeiras décadas do século XX, então o trabalho é mais de aprofundar e conectar tudo isso.
Agora, falando das atividades que eu faço em sala, tem algumas que já são meio tradicionais por aqui e funcionam bem. Uma delas é um debate que organizo sobre o protagonismo feminino e o anarquismo no Brasil no início do século XX. Eu uso alguns textos curtos, tipo artigos de jornais antigos e trechos de biografias, coisa simples que dá pra tirar da internet ou em livros didáticos. Divido a galera em grupos de 4 ou 5 e dou uns 20 minutos pra eles discutirem entre eles antes de começarmos o debate geral. A ideia é que eles tragam argumentos sobre como essas questões eram tratadas naquela época e comparando com hoje. Da última vez, teve uma discussão bem interessante entre o João e a Letícia sobre como o feminismo foi ganhando força ao longo do tempo. O João estava meio perdido na hora de argumentar no começo, mas aí a Letícia deu uma força pra ele, trazendo exemplos atuais e ele foi pegando o jeito.
Outra atividade que rola é uma pesquisa em duplas sobre figuras femininas importantes nesse período. Aqui os alunos escolhem alguém pra estudar — pode ser uma anarquista famosa ou alguma líder de movimentos femininos — e fazem uma apresentação curta pra turma. Eu dou um tempinho na sala de informática pra eles buscarem informação, geralmente uns dois períodos são suficientes pra eles pesquisarem e prepararem algo bacana. Os meninos ficam empolgados em descobrir histórias que não conheciam. Na última vez, a Maria e a Ana falaram sobre a Maria Lacerda de Moura e surpreenderam a turma com detalhes da vida dela. O pessoal ficou curioso pra saber mais sobre outras figuras históricas depois.
Por fim, tem uma atividade que é uma linha do tempo colaborativa. Eu trago pra sala vários materiais — fotos antigas, trechos de músicas da época, propagandas vintage — coisas que ajudem os alunos a situarem cada momento histórico. Em grupos maiores, eles montam essa linha do tempo destacando eventos importantes relacionados à diversidade e ao protagonismo feminino. Isso leva umas duas aulas pra ficar redondo. Da última vez que fizemos isso, foi engraçado ver o Carlos tentando colocar um evento dos anos 2000 no meio dos anos 1950! Mas aí a turma ajudou ele a corrigir, e acabou virando até piada interna.
O bacana dessas atividades é que não só ajudam os alunos a entenderem as transformações ocorridas nos debates sobre diversidade no Brasil ao longo do século XX, mas também desenvolvem outras habilidades importantes como trabalhar em grupo, argumentar e apresentar ideias para os colegas. E é legal ver como essas discussões acabam levando os meninos a pensar em questões atuais também.
Bom, é isso aí pessoal! Espero ter ajudado quem tá procurando umas ideias práticas pro 9º ano. Qualquer coisa tô por aqui pra trocar figurinhas!
Aí, como é que eu percebo que a galera aprendeu sem aplicar prova formal? Bom, quando eu tô circulando pela sala durante uma atividade ou uma discussão, é ali que as coisas acontecem, né? Por exemplo, outro dia, eu tava passando pelas carteiras e ouvi o Pedro conversando com a Ana sobre o papel das mulheres nas décadas de 50 e 60 no Brasil. Ele tava falando de como as mulheres começaram a se organizar mais politicamente naquela época e puxou até o exemplo da luta por direitos trabalhistas. A Ana, por sua vez, complementou falando de como isso se relaciona com o movimento feminista que ganhou força depois. Aí eu pensei: "Ah, esse entendeu!"
Outra situação clássica é quando um aluno explica pro outro. Olha, ver um aluno tipo a Júlia explicar pro João por que as mudanças sociais impactaram tanto a forma como a gente enxerga as questões raciais mostra que ela sacou mesmo. Ela usou exemplos do cotidiano deles, como a representatividade na mídia hoje em dia comparado com algumas décadas atrás. Quando você vê essa troca entre eles, é um sinal claro de que a coisa tá fluindo.
Agora, sobre os erros mais comuns... Tem uns bem clássicos. O Lucas, por exemplo, sempre confunde algumas datas e acaba misturando os contextos históricos. Tipo assim, ele já mandou essa de achar que a ditadura militar no Brasil começou nos anos 80! Aí essa confusão acontece porque às vezes eles focam mais nos detalhes soltos do que no contexto geral. Quando vejo isso rolando, paro na hora pra corrigir. Tento puxar uma linha do tempo imaginária ali com eles, explicando os eventos principais e onde cada um se encaixa. Faço isso usando coisas que estão no dia a dia deles, como músicas ou filmes daquela época.
Outra coisa comum é quando eles acham que as mudanças sociais aconteceram de um dia pro outro. A Marina uma vez disse que "do nada" as mulheres começaram a trabalhar fora de casa nos anos 70. Aí tenho que explicar que isso foi um processo gradual e cheio de resistência e lutas. Pra clarear essas situações, trago relatos ou notícias antigas pra eles verem como tudo foi acontecendo aos poucos.
Falando do Matheus, que tem TDAH, eu tento sempre criar atividades dinâmicas pra ele se manter engajado. Aquelas aulas expositivas muito longas realmente não funcionam. Eu divido as atividades em blocos mais curtos e sempre incluo uma parte prática ou audiovisual pra ele não perder o foco. Ah, e eu notei que quando dou pra ele um papel específico num trabalho em grupo, ele fica bem mais centrado. Tipo ser o cronometrista ou responsável por anotar as ideias do grupo.
Agora a Clara, que tem TEA, já precisa de um pouco mais de estrutura nas atividades. Ela se dá bem com rotinas previsíveis e materiais visuais bem organizados. Por isso eu preparo antecipadamente resumos e esquemas das aulas pra ela poder acompanhar com mais facilidade. E olha só, tem uma coisa interessante: quando ela se interessa por um tema específico, ela mergulha fundo mesmo! Então, quando consigo conectar o conteúdo da aula com algum interesse dela, o rendimento melhora muito.
O que não funcionou muito bem foi tentar acelerá-la em atividades em grupo sem ela estar totalmente confortável com a dinâmica do grupo todo. Então eu respeito o ritmo dela e dou oportunidades pra ela participar de forma individual também.
Bom, é isso galera! Espero que essas experiências possam ajudar vocês também com suas próprias turmas. Qualquer dica ou sugestão nova é sempre bem-vinda! Nos falamos na próxima. Abraços!