Olha, essa habilidade EF09HI07 da BNCC é um desafio e tanto, mas também uma oportunidade incrível pra galera do 9º Ano entender melhor a nossa história. Basicamente, o que a habilidade pede é que os alunos consigam identificar e explicar como as pautas dos povos indígenas e das populações afrodescendentes se desenvolveram no contexto da República até 1964, dentro de lógicas de inclusão e exclusão. Na prática, isso significa que eles precisam perceber como esses grupos foram tratados ao longo do tempo, quais foram suas lutas e conquistas, e como isso se conecta com a formação do Brasil que conhecemos hoje. Um exemplo que sempre dou é pensar nos direitos que esses grupos têm hoje e questionar como eles foram conquistados ou negados ao longo dos anos.
Antes de chegar nesse ponto, a turma já viu bastante coisa sobre a colonização, escravidão e Independência do Brasil em anos anteriores. Eles sabem sobre a chegada dos portugueses, o contato inicial com os povos indígenas, a implantação do sistema escravista e tudo mais. Então, a ideia agora é construir em cima disso, mostrando o que mudou ou não mudou com a Proclamação da República.
Agora vou contar pra vocês três atividades que faço na minha sala e que ajudam bastante nessa empreitada.
Primeiro, tem uma atividade que chamo de "Linha do Tempo Interativa". Pra isso, eu uso papel pardo, canetas coloridas e algumas imagens impressas. Divido a turma em grupos de 4 ou 5 alunos e cada grupo fica responsável por uma década específica entre 1889 e 1964. Eles precisam pesquisar eventos importantes daquela década relacionados aos povos indígenas e afrodescendentes. Depois, cada grupo cria uma parte da linha do tempo com os eventos que descobriram. Quando fiz essa atividade da última vez, o grupo da Maria Clara pesquisou sobre as primeiras leis antirracistas do início do século XX e ficou bem animado ao descobrir como eram frágeis e pouco cumpridas na prática. A atividade leva duas aulas: uma pra pesquisa e outra pra montagem.
Outra atividade muito bacana é um debate simulado sobre a participação dos indígenas na política republicana. Primeiro, passo um texto curto explicando alguns casos emblemáticos de lideranças indígenas nesse período. Depois, divido a sala em dois grupos: um vai argumentar a favor de que as políticas públicas da época incluíam os povos indígenas de forma justa, enquanto o outro vai argumentar que essas políticas eram insuficientes ou até prejudiciais. Cada grupo tem tempo pra se preparar com base no texto e em pesquisas extras rápidas na internet (supervisionadas por mim). Na última vez que fizemos isso, o João Pedro ficou super empolgado defendendo o lado dos indígenas e acabou trazendo dados interessantes sobre o Estatuto do Índio de 1973 pra enriquecer sua argumentação, mesmo sendo um pouco fora da linha do tempo proposta — mas tudo bem, o interesse valeu mais! Isso tudo leva uma aula completa.
Por último, gosto de propor um projeto chamado "Vozes do Brasil". Nele, cada aluno escolhe uma figura histórica afrodescendente ou indígena do período republicano até 1964 para pesquisar mais a fundo. Eles devem preparar uma apresentação curta (tipo uns 5 minutos) sobre essa pessoa, destacando suas contribuições e desafios enfrentados. O material que eles usam é bem variado: livros da biblioteca da escola, artigos online supervisionados por mim e até vídeos curtos quando disponíveis. A Ana Luiza escolheu falar sobre Luiz Gama na última edição desse projeto e conseguiu trazer à tona como ele lutou contra o sistema escravista mesmo em plena República. Os alunos sempre reagem muito bem a essa atividade porque têm liberdade pra escolher o personagem que mais lhes chama atenção, o que aumenta muito o engajamento.
Então é isso galera! Trabalhar essa habilidade é um caminho cheio de descobertas tanto pros meninos quanto pra mim como professor. São histórias muitas vezes esquecidas ou pouco mencionadas nos livros didáticos tradicionais, mas essenciais pra entender melhor nosso país. E vocês aí? Como têm trabalhado essa questão com suas turmas? Vamos trocar ideia! Abraços!
E aí, continuando o papo aqui sobre a habilidade EF09HI07, a coisa mais bacana de não precisar aplicar uma prova formal pra ver se a galera tá aprendendo é que você começa a perceber o aprendizado bem ali, no cotidiano da sala de aula. É tipo quando você tá circulando pela sala e ouve os meninos discutindo sobre as coisas que você acabou de explicar e percebe que eles estão indo além do que tá no livro.
Teve uma vez, por exemplo, que eu tava ali passando entre as fileiras e ouvi a Luana explicando pro Felipe sobre a importância dos movimentos indígenas durante o governo Vargas. Ela tava falando com tanta propriedade e fazendo umas conexões com o que a gente tinha discutido na aula passada sobre leis de proteção aos indígenas. Aí eu pensei "ah, essa entendeu direitinho".
Outra coisa que eu reparo é quando eles começam a fazer perguntas que vão além do que eu esperava. Tipo assim, o Lucas veio outro dia e perguntou como as populações afrodescendentes se organizavam politicamente antes da abolição, porque ele queria entender melhor como isso influenciou depois na República. É nesse momento que você vê que o aluno tá realmente processando a informação e criando conexões.
Agora, os erros mais comuns que a galera comete nesse conteúdo são bem variados. O João, por exemplo, sempre acaba confundindo datas e contextos. Uma vez ele misturou o contexto da Constituição de 1934 com o período da ditadura de Vargas. Aí eu percebi que ele não tava conseguindo fazer essa linha temporal dos eventos.
Outro erro clássico é achar que as lutas das populações indígenas e afrodescendentes foram sempre homogêneas e sem conflitos internos. A Maria tava comentando com a Carol como se todos os povos tivessem lutado juntos do mesmo jeito, sem pensar nas diferenças entre eles. Acho que isso acontece porque às vezes eles pensam em termos muito genéricos quando a gente fala de história.
Quando eu vejo esses erros na hora, tento conduzir a conversa pra que eles mesmos percebam onde tão errando. No caso do João, voltei com ele um pouco na linha do tempo, fiz ele contar as histórias dos eventos em voz alta e ajudou bastante. Já com a Maria, fiz umas perguntas sobre como ela acha que é hoje em dia entre diferentes grupos na sociedade e aí ela começou a perceber que essa homogeneidade não faz muito sentido.
Falando agora sobre o Matheus e a Clara, olha, eles são um desafio mas também um aprendizado enorme pra mim todo dia. O Matheus tem TDAH, então precisa de atividades mais dinâmicas e com intervalos curtos pra manter o foco. Eu percebi que funcionou bem dividir as tarefas em etapas pequenas e dar um intervalo entre elas. Uma vez tentei uma atividade longa de leitura seguida de discussão e ele ficou super perdido. Então comecei a usar textos mais curtos e atividades interativas no meio.
Com a Clara, que tem TEA, precisei adaptar algumas coisas também. Ela se dá melhor com materiais visuais, então uso muitos mapas e gráficos quando falo desses movimentos históricos. Na última atividade usei um mapa interativo mostrando os diferentes momentos das leis de inclusão dos afrodescendentes ao longo da República e ela adorou.
Uma coisa legal foi quando eu pedi pra turma criar uma linha do tempo visual dos principais eventos e deixei ela usar cores diferentes pra cada grupo ou evento importante. Ela ficou super orgulhosa do trabalho final.
O que não funcionou foi tentar forçar uma interação mais direta em debates abertos logo de cara pra Clara, ela ficava super desconfortável. Então comecei devagar, fazendo ela trabalhar primeiro em duplas ou pequenos grupos antes de expandir pra turma toda.
Bom, é isso aí pessoal! Se tiverem dicas ou quiserem compartilhar experiências parecidas por aqui, tô sempre disposto a ouvir. Acho que cada turma ensina tanto pra gente quanto ensinamos pra eles né? Valeu por ler até aqui! Até a próxima!