Bom, galera, vou contar pra vocês como eu trabalho essa habilidade EF09HI02 com a turma do 9º ano aqui em Goiânia. Pra começar, acho que o mais importante é a gente entender que essa habilidade quer que os alunos consigam perceber os ciclos da história republicana do Brasil e façam aquela conexão marota com a história local e regional até 1954. Na prática, isso quer dizer que os meninos precisam ver como os acontecimentos lá de cima, tipo as mudanças de governo e as revoluções, afetaram as cidades onde eles moram, suas famílias, enfim, o cotidiano de quem tava vivendo ali naquela época.
Por exemplo, quando a gente fala da Revolução de 1930, não é só sobre Getúlio Vargas e tal, mas é também sobre como isso mexeu com a vida das pessoas aqui na nossa região. Os alunos precisam conseguir colocar num papel ou falar numa roda de conversa como um evento nacional teve um desdobramento local. E isso se conecta muito com o que eles já viram no ano anterior sobre o Brasil Império, quando exploraram a transição do período imperial para a república e as tensões sociais envolvidas. Tipo assim, eles já chegam no 9º ano com uma bagagem sobre mudanças políticas e sociais e agora a gente só aprofunda.
Agora vou contar três atividades que faço pra dar vida a essa habilidade. A primeira é meio básica mas funciona legal: é uma pesquisa sobre personalidades locais influentes desse período até 1954. Eu peço pros alunos pesquisarem alguém aqui de Goiás ou da cidade deles mesmo que tenha tido um papel relevante nesse contexto histórico republicano. Aí a gente se organiza em duplas ou trios pra dar conta de mais nomes. Eles têm umas duas semanas pra levantar informações e o material deles são basicamente a internet e, se der pra arranjar, algum livro na biblioteca da escola ou arquivos de jornal antigos. Quando fiz essa atividade pela última vez, teve um dia que o Pedro trouxe um nome super interessante que ninguém conhecia direito e isso fez toda diferença. Ele encontrou um advogado daqui que defendeu muitas causas trabalhistas nos anos 30 e 40 e foi um debate massa! Eles ficam empolgados pra apresentar porque se sentem verdadeiros "detetives históricos".
Outra atividade que costumo fazer é organizar um debate simulado sobre a Era Vargas. Divido a turma em grupos onde cada um representa um segmento da sociedade da época: empresários, trabalhadores urbanos, sindicalistas, políticos opositores... Aí eles têm que estudar o que essas pessoas pensavam e como reagiriam às decisões do governo. Dou uns dias pra pesquisa e preparo e no dia do debate faço eles sentarem em círculo pra facilitar a conversa. Isso leva mais ou menos umas duas aulas de 50 minutos. É legal ver como eles defendem seus pontos de vista! Da última vez, o João e a Ana estavam representando os empresários e deu até uma pequena discussão com o grupo dos trabalhadores (liderado pela Maria), mas tudo dentro do respeito. Eles realmente incorporam os papéis.
E por último, uma atividade bem lúdica que eu curto fazer é o mapa histórico interativo. Funciona assim: eu peço pros alunos trazerem mapas impressos da região de Goiás na primeira metade do século XX (acho uns na internet também). Aí eles têm que identificar eventos importantes e marcar no mapa com adesivos coloridos ou post-its onde aconteceu cada coisa, tipo a construção de alguma estrada importante ou um movimento social que rolou por aqui. Essa atividade geralmente ocupa uma aula só e eu deixo eles trabalharem em grupos pequenos. É bem visual e ajuda quem tem mais facilidade com esse tipo de aprendizagem simbólica. Da última vez, o Lucas foi quem mais se destacou; ele encontrou vários pontos de referência super interessantes e ajudou muito os colegas a entenderem essa conexão local-global.
Olha, eu vejo que essas atividades não só ajudam no entendimento dessa habilidade específica como também engajam os alunos em entenderem melhor sua própria história. Eles param pra pensar em coisas que antes nem passavam pela cabeça deles e isso é muito gratificante como professor. Além disso, esse tipo de abordagem faz com que eles percebam que a história não é uma coisa distante; tá sempre ali presente na vida deles de alguma forma.
Espero ter ajudado vocês aí no planejamento das aulas! Se tiverem alguma dúvida ou sugestão, manda aí porque tô sempre aberto pra aprender junto com vocês! Abraço!
Por exemplo, quando eu tô circulando pela sala durante uma atividade, estou sempre de antena ligada nas conversas dos meninos. É ali que você percebe se eles realmente estão pescando o lance. Outro dia, eu tava ouvindo o Pedro e o João discutindo sobre a Revolução de 1930 e como isso mudou a política aqui em Goiás. O Pedro explicou pro João que, antes disso, os coronéis tinham muito mais poder sobre as eleições aqui na nossa região, e que depois da revolução, começou a rolar uma centralização maior das decisões no governo federal. Quando ouço uma explicação dessas, já fico tranquilo, porque sei que eles estão entendendo o impacto local dessas coisas maiores.
Outra coisa é quando você vê um aluno explicando pro outro. A Larissa, por exemplo, estava com dúvida sobre como a industrialização no governo Vargas tinha mudado a vida nas cidades menores. Aí o Lucas vira pra ela e fala: "Olha, lembra quando minha avó contou que antes da fábrica de tecidos abrir lá perto de Trindade, quase todo mundo trabalhava só na roça? Então, depois disso, começaram a ter mais empregos na cidade e mudou tudo". Esse tipo de conversa mostra que eles estão conectando as histórias da família deles com o conteúdo da aula.
Agora, erros comuns sempre aparecem. A Maria sempre confunde as datas dos eventos. Ela acha que o golpe militar de 1964 foi antes da Revolução de 1930. Já conversei com ela sobre criar uma linha do tempo em casa pra ajudar a visualizar melhor. E o Felipe sempre mistura as reformas econômicas do governo JK com as do Plano Real. Isso acontece porque ele lê rápido demais e acaba juntando tudo numa coisa só. Nessa hora, paro tudo e desenho um esquema no quadro pra separar as informações por década e governo.
Com o Matheus, que tem TDAH, já aprendi que é preciso ser bem direto e objetivo na hora das atividades. Ele precisa de tarefas mais curtas e com metas claras. Então, se for uma atividade de pesquisa, divido em etapas pequenas. Em vez de pedir um texto logo de cara sobre os impactos da Revolução de 1930 em Goiás, peço primeiro só uma lista de eventos importantes desse período pra ele pesquisar. E com ele funciona bem usar fones de ouvido com músicas instrumentais pra ajudar na concentração.
A Clara tem TEA e gosto de usar mais suporte visual com ela. Quando trabalhamos com textos históricos, sempre levo mapas e imagens que mostrem o contexto. Ela gosta muito de desenhar, então uso isso ao nosso favor: peço pra ela ilustrar as cenas históricas. Uma vez pedi pra desenhar como ela acha que era uma praça durante a Era Vargas aqui em Goiânia. Isso ajuda muito a fixar o conteúdo pra ela. Agora, usando vídeos curtos também funciona super bem.
Nem tudo é fácil, já testei uns esquemas que não deram certo também. Tentei fazer uma atividade em grupo grande envolvendo o Matheus e ele ficou disperso demais. Aprendi que ele se sai melhor em duplas ou trios. E outra vez dei um texto muito longo pra Clara sem dividir em partes menores com imagens de apoio e percebi que ela se perdeu um pouco.
Então é isso aí, pessoal! Cada aluno tem seu jeito de aprender e me encanta ver como essas adaptações podem fazer toda a diferença na sala de aula. Quando vejo os meninos engatando nessas discussões como gente grande, dá aquele orgulho danado.
Espero que essas experiências possam ajudar vocês aí nas suas salas também! Vou ficando por aqui, mas qualquer coisa vamos trocando ideia por aqui no fórum mesmo. Até mais!