Olha, a habilidade EF09HI03 da BNCC é crucial pra gente entender o papel dos negros na sociedade brasileira depois da abolição. Na prática, o que a gente precisa fazer é ajudar os meninos do 9º ano a entender como os negros foram integrados na sociedade após a libertação dos escravos e avaliar se esses mecanismos deram certo ou não. É sobre olhar pros movimentos sociais, a imprensa negra e ver como a cultura afro-brasileira serviu como resistência e superação.
Pra resumir, eu diria que o aluno precisa olhar pra história não só como algo que aconteceu, mas como algo que afeta a forma como vivemos hoje. Eles já chegam no 9º ano com uma noção básica da abolição e do império, então o desafio é pegar essa base e expandir, mostrando que a liberdade não resolveu tudo da noite pro dia. A gente quer que eles consigam ver o impacto desses eventos históricos na vida real e que pensem criticamente sobre essas questões.
Agora, vou contar como eu coloco isso em prática na sala de aula. Uma das atividades que eu gosto de fazer é trabalhar com música. Eu levo algumas músicas de artistas negros brasileiros que falam sobre resistência e identidade. Coisas tipo "Canto das Três Raças" da Clara Nunes ou "A Carne" da Elza Soares. É uma atividade simples: eu levo um aparelho de som portátil e as letras das músicas impressas. A gente escuta juntos e depois divide a galera em grupos pra discutir o que eles entenderam das letras.
Geralmente, isso leva umas duas aulas, porque depois eles apresentam o que discutiram pro resto da turma. Na última vez que fizemos isso, a Júlia ficou super empolgada e comentou que nunca tinha pensado em como a música pode ser uma forma tão poderosa de resistência. O Pedro, por outro lado, ficou surpreso com quanta coisa dá pra tirar de uma letra de música. É sempre bacana ver eles se envolvendo assim!
Outra atividade é usar jornais e revistas antigas, ou reproduções delas, claro, pra estudar a imprensa negra. Eu consigo algumas edições antigas digitalizadas na internet mesmo e imprimo algumas páginas relevantes. Divido os alunos em grupos novamente e cada grupo fica responsável por um aspecto diferente: um analisa as manchetes, outro vê as propagandas, outro observa como os negros são retratados nessas publicações.
Essa atividade geralmente leva uma aula inteira porque tem bastante coisa pra ver e discutir. Na última vez que fizemos isso, o Lucas se surpreendeu com os anúncios de emprego daquela época, que muitas vezes eram discriminatórios sem nem tentar esconder. A Carolina ficou intrigada com como as manchetes já usavam certos estereótipos que até hoje a gente vê por aí. Eles acabam percebendo que algumas dessas questões ainda estão presentes na nossa sociedade hoje em dia, o que é um ponto de partida ótimo pra um debate mais profundo.
Por último, uma atividade prática bem legal é fazer um mural temático sobre a cultura afro-brasileira. Cada aluno ou dupla escolhe um tema específico: pode ser sobre culinária afro-brasileira, religiões de matriz africana, festas e tradições, etc. Eles pesquisam sobre o tema escolhido (aí vale tudo: livros didáticos da biblioteca da escola, sites confiáveis na internet) e trazem um material visual pro mural.
Essa atividade leva umas duas semanas no total porque dou tempo pra eles pesquisarem durante uma semana e depois mais uma semana pra montar o mural na sala. Na última vez, a Letícia fez um trabalho incrível sobre as religiões de matriz africana no Brasil e trouxe tanto material interessante que acabou motivando outros alunos a irem além do básico nas pesquisas deles também.
Durante essa montagem do mural, rolou uma situação engraçada: o Gabriel tava tão animado com o tema de culinária que trouxe uns bolinhos típicos pra turma experimentar! Foi um sucesso e todo mundo adorou essa interatividade.
Enfim, eu percebo que quando os alunos conseguem se conectar emocionalmente com o tema através dessas atividades práticas e criativas, eles aprendem melhor e ficam mais interessados em entender realmente essa parte tão importante da nossa história. E isso acaba sendo recompensador pra todo mundo: pra mim, ver eles crescendo assim; pra eles, se tornarem cidadãos mais críticos e conscientes.
Bom, é isso! Espero que essas dicas ajudem outros professores aí que tão tentando abordar esse tema tão importante da nossa história com mais profundidade e criatividade! Se alguém tiver mais ideias ou sugestões, tô sempre aberto pra trocar experiências!
Então, pessoal, identificar quando o aluno realmente aprendeu a habilidade é mais uma questão de observar o comportamento deles do que só aplicar uma prova formal. Tipo, quando eu tô circulando pela sala e vejo aquele aluno que tava todo quietinho no começo da aula começar a se animar na discussão, já é um indício de que ele tá entendendo o assunto. Às vezes, enquanto eles tão fazendo trabalho em grupo, eu paro pra ouvir as conversas e dá pra perceber aqueles insights. Teve uma vez que a Ana, enquanto discutia com a Maria sobre a importância da imprensa negra no século XIX, disse assim: "Olha, se não fosse por esses jornais, muita ideia legal teria ficado só na cabeça de quem pensou". Quando ela fala isso, eu sei que ela entendeu o papel fundamental da imprensa negra como meio de resistência.
Outro jeito é ver quando um aluno explica pro outro. Como quando o João tava tentando contar pro Pedro sobre os quilombos como espaços de resistência. Ele mandou um "O quilombo era tipo o Twitter da época, tava todo mundo lá trocando ideia e se ajudando". Aí eu pensei: "Beleza, ele captou a ideia". E tem também aqueles momentos em que eles começam a relacionar o conteúdo da aula com as coisas do dia a dia. Outro dia ouvi o Lucas dizendo "É igual quando acontece isso na periferia hoje em dia", e eu fiquei feliz porque ele fez essa conexão bacana.
Agora, sobre os erros mais comuns que os alunos cometem... Ah, tem bastante coisa! Um erro que vejo muito é eles acharem que a abolição foi um processo linear e fácil. O Felipe uma vez disse "Ah, depois da abolição tava tudo certo pros negros", aí eu expliquei que não era bem assim. Eles não percebem de primeira que a luta continuou forte depois disso. Acho que esse erro acontece porque eles tão acostumados a ver as coisas como finais felizes nos filmes. Quando isso aparece nas conversas ou nas atividades, eu gosto de trazer mais casos reais e histórias pessoais dos envolvidos pra dar aquela sacudida nas ideias deles.
Outro erro comum é confundir os movimentos sociais daquela época com os de hoje. A Camila já me perguntou se tinha Instagram naquela época pra organizar passeata. Aí tive que puxar uma aula extra sobre como os movimentos usavam panfletos e reuniões secretas. Erros assim geralmente vêm de uma confusão entre passado e presente, e eu tento sempre fazer paralelos bem claros pra eles.
Falando do Matheus e da Clara... Olha, cada um tem suas peculiaridades, né? O Matheus tem TDAH, então ele precisa de mais estímulos visuais e pausas na hora das atividades longas. Eu costumo dividir as tarefas em pequenas etapas pra ele ter aquele gostinho de conquista a cada parte completada. Uso muito vídeos curtos e imagens chamativas pra prender a atenção dele. Já funcionou bem pedir pra ele ajudar na coordenação dos jogos educativos — ele fica todo empolgado! Mas teve uma vez que tentei usar um material super textão com ele e o resultado foi que ele ficou completamente perdido.
Já com a Clara, que tem TEA, é importante manter uma rotina bem previsível nas atividades. Se algo vai mudar na aula, aviso com antecedência pra ela não se sentir desconfortável. E uso materiais com uma linguagem bem direta e objetiva. Trabalhos manuais também funcionam muito bem com ela, tipo criar maquetes ou fazer colagens sobre os temas estudados. Tentei uma vez fazer um debate em círculo com ela e não deu muito certo — ela ficou meio afastada do grupo, então agora tento envolvê-la num ambiente mais controlado.
Bom, é isso aí pessoal! Sempre bom trocar essas experiências com vocês. Espero que algumas dessas dicas sirvam pras suas turmas também! Se alguém tiver mais ideias ou sugestões, manda aí! Até mais!