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EI02TS03Crianças bem pequenasTraços, Sons, Cores e Formas

Utilizar diferentes fontes sonoras disponíveis no ambiente em brincadeiras cantadas, canções, músicas e melodias.

Por Equipe pedagógica Profez·Atualizado em

Texto oficial da BNCC

(EI02TS03) Utilizar diferentes fontes sonoras disponíveis no ambiente em brincadeiras cantadas, canções, músicas e melodias.

Como este objetivo se inscreve no campo de experiência

O objetivo EI02TS03 faz parte do campo Traços, Sons, Cores e Formas, que organiza experiências de convívio com diferentes manifestações artísticas, culturais e científicas: música, artes visuais, dança, teatro, fotografia.

Características da faixa etária (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses)

Esta faixa é marcada pela explosão da linguagem oral, pela ampliação do repertório motor (correr, saltar, subir, descer) e pela consolidação do brincar simbólico (faz de conta). É também o período do reconhecimento das próprias emoções, dos primeiros conflitos sociais e do enfrentamento das frustrações. O 'não' afirmativo é parte legítima desse desenvolvimento.

Práticas recomendadas: Brincadeira de faz de conta com objetos abertos, propostas de exploração com materiais não estruturados (tampinhas, tecidos, caixas), espaços para corrida e movimento amplo, mediação atenta nos conflitos.

EP

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por educadoras com experiência em creche e pré-escola

Sabe, quando a gente fala do objetivo EI02TS03 da BNCC, que tem a ver com as crianças utilizarem diferentes fontes sonoras, eu penso logo na riqueza que é oferecer experiências sonoras variadas pras crianças pequenas. Elas são como esponjas, absorvendo tudo que tá ao redor. Nesse sentido, o objetivo é muito mais do que simplesmente apresentar sons pra elas. É sobre ampliar o repertório sonoro delas através de vivências significativas, onde elas possam explorar e experimentar o som de diversas maneiras.

Pensa só: uma criança pequena não tá preocupada em aprender os nomes dos instrumentos ou entender como funciona a teoria musical. O que ela quer é bater, sacudir, escutar eco e ver como o som muda de lugar pra lugar. Quando elas estão vivenciando isso, você vê o rostinho curioso delas quando descobrem que tocar em um tambor grande faz um som bem diferente de bater em uma panela com uma colher de pau. É toda uma descoberta do mundo que acontece ali, e a coisa mais linda de se observar.

Aqui na minha turma, a gente tem algumas propostas que faço questão de organizar pra ajudar as crianças a alcançar esse objetivo. Uma delas é a “Exploração Sonora no Pátio”. A gente junta uma porção de materiais não estruturados: tampinhas de garrafa, pedaços de cano, caixas de papelão, panelas velhas (sem os cabos) e colheres de pau. Organizo esses materiais num cantinho do pátio e deixo as crianças explorarem livremente. O espaço é preparado com tapetes no chão pra elas sentarem ou ficarem em pé como preferirem.

Da última vez que fizemos essa atividade, o João e a Maria estavam lá, super concentrados. João descobriu que se rodasse uma tampinha dentro da panela fazia um som bem engraçado e ficou repetindo enquanto ria alto. Já Maria preferiu bater com um caninho numa caixa e depois tentou usar a mão pra ver se o som mudava. Eu fiquei ali perto, observando e comentando sobre as descobertas delas sem dirigir muito. Perguntava: “Será que esse aqui faz um som diferente?” ou “E se você tentar desse jeito?”. Essa atividade dura uns 30 minutos, porque nessa idade eles ainda têm uma concentração curta.

Outra proposta é a “Hora da Música com Natureza”. Aqui, aproveitamos o jardim da creche e usamos elementos naturais como gravetos, folhas secas, pedras e sementes. A ideia é deixar as crianças experimentarem os sons que esses materiais fazem quando batem ou esfregam uns nos outros. A gente senta em roda ao ar livre e eu começo com uma música simples usando dois gravetos como baquetas. As crianças têm liberdade pra se juntar e criar suas melodias.

Teve um dia que o Lucas estava fascinado em bater duas pedras uma na outra, criando um ritmo próprio enquanto cantava uma melodia inventada na hora. Julia ficou bem interessada nas folhas secas e começou a amassá-las nas mãos perto do ouvido pra escutar o barulho crocante. Eu aproveitava pra reforçar essas descobertas dizendo: “Nossa, olha só o som das folhas! Parece uma chuva fininha”, incentivando as interações entre eles enquanto brincavam com os sons.

Por último, tem a proposta do “Canto da Chuva”. Em dias chuvosos (que aqui não são raros), colocamos várias bacias metálicas de tamanhos diferentes no pátio. As crianças ficam encantadas com os pingos caindo na superfície das bacias e o som variado que fazem dependendo do tamanho e do material da bacia. A experiência sonora aqui vem da natureza mesmo! Elas têm total liberdade pra arrumar as bacias como quiserem – umas gostam de empilhar, outras colocam uma dentro da outra.

A última vez que fizemos isso foi incrível. Pedro ficou encantado com a água respingando das bacias maiores e começou a bater palmas no ritmo dos pingos, enquanto Ana preferiu virar algumas bacias de cabeça pra baixo pra ouvir o barulho abafado dos pingos por baixo delas. Eu ia mediando bem de leve: “Será que se virar mais uma bacia muda o som?”, incentivando essa exploração ativa.

O fundamental em todas essas propostas é garantir que as crianças tenham espaço pra interação entre si e com os materiais sonoros, sem pressa ou interrupção desnecessária. A gente também respeita muito o tempo delas – algumas vão interagir direto por 10 minutos intensamente e depois vão flutuar entre os materiais só observando, tipo numa dança própria delas.

E assim vamos seguindo aqui na creche, buscando sempre proporcionar essas vivências ricas em sons, cheias de interações espontâneas e muito brincar livre pra turma toda. E você aí do outro lado? Como tem trabalhado esse objetivo com suas crianças? Conta aí também!

Aí, continuando o que eu tava dizendo, quando olho pras crianças brincando com os instrumentos ou qualquer coisa que faz som, eu já vou sacando umas pistas do que tá rolando dentro delas, sabe? Não é só o barulho que elas fazem, mas como elas interagem com o som. Tipo, a Luísa, quando começou a brincar com a panelinha e a colher de pau, primeiro ela só batia de qualquer jeito. Mas depois de um tempo, percebi que ela tava tentando criar um ritmo. E foi lindo ver como ela se empolgava cada vez que "acertava" o que ela queria fazer. A gente vê que ali tem uma descoberta acontecendo.

E tem também o Lucas, que às vezes fica mais quietinho, mas é só começar uma música diferente que ele mexe os pezinhos daquele jeito gostoso de ver. Isso pra mim é um sinal de que ele tá captando e processando o som à sua maneira. É o corpo dele respondendo ao som, entende? Eu gosto de observar essas coisas e vou anotando tudo num caderninho que sempre deixo por perto. Anoto essas pequenas descobertas, as reações das crianças, porque isso me ajuda a planejar as próximas experiências. Tipo, se vejo que a turma tá mais interessada em sons metálicos, da próxima vez posso trazer mais desses materiais pra explorarem.

Outra coisa que faço é registrar algumas dessas vivências com fotos ou vídeos curtos. Claro, sempre respeitando a privacidade das crianças e com autorização dos responsáveis. Esses registros são preciosos porque me permitem rever momentos importantes e ajustar as propostas futuras. Às vezes, na correria do dia a dia, a gente não consegue perceber tudo que tá acontecendo, mas ao assistir o vídeo com calma depois, eu vejo detalhes que passaram despercebidos no calor da hora.

Falando dos direitos de aprendizagem da BNCC, olha só como esse objetivo toca em vários deles. Conviver é um monte desses momentos em que as crianças compartilham instrumentos ou se juntam pra ouvir uma música juntas. Elas aprendem a respeitar o tempo do outro, esperar a vez de cada um tocar um instrumento. É lindo ver como eles vão entendendo isso aos poucos.

O direito de Brincar tá ali o tempo todo nessas experiências sonoras. As crianças não tão "trabalhando", elas tão brincando e aprendendo ao mesmo tempo. E quando elas tentam combinar sons ou inventar uma música nova batendo palmas ou batendo nas panelas, aí entra o direito de Expressar-se. Elas tão usando o som pra expressar suas ideias e sentimentos, mesmo que sem palavras ainda.

Agora, falando do João e da Bia, cada dia é uma chance de aprender junto com eles sobre como melhor adaptar as experiências. Pro João, que tem suspeita de TEA, eu tento sempre oferecer materiais que ele possa explorar de forma tranquila e no seu próprio ritmo. Ele gosta muito dos instrumentos de corda porque adora sentir a vibração no corpo quando toca. Então sempre deixo violões pequenos e ukuleles à disposição dele e crio cantinhos mais silenciosos onde ele possa se sentir confortável.

Já a Bia, com seu atraso de linguagem, é fascinante ver como reage aos sons. Ela parece compreender tudo através do olhar e do toque antes das palavras chegarem. Pra ela, ofereço instrumentos que são mais fáceis de manipular e fazem sons bem variados sem muito esforço – como chocalhos e tambores pequenos. Às vezes até cantamos juntos e vou repetindo palavras simples enquanto batemos palmas ou balançamos os instrumentos para estimular esse lado da linguagem.

Organizo o espaço da sala em áreas bem definidas com materiais acessíveis pra todo mundo e deixo tempo suficiente pra exploração sem pressa nenhuma. Sei que ainda tô descobrindo como atender melhor essas necessidades especiais e cada dia surge um desafio ou uma nova tentativa.

No final das contas, o importante é estar sempre aberto ao processo de aprendizagem continuo – nosso e dos pequenos! É isso aí minha gente! Espero ter ajudado com esse relato do meu dia a dia na creche. Qualquer coisa vamos conversando mais por aqui! Até breve!