Olha, quando a gente fala dessa habilidade EF15CO04 da BNCC, que é sobre decomposição, eu gosto de explicar pros professores novos assim: é como se os meninos tivessem que desmontar um quebra-cabeça gigante em partes menores pra poder entender e resolver a coisa toda. Imagina que eles têm um problema complicado pra resolver, tipo um bolo que não deu certo. Em vez de tentar resolver tudo de uma vez, eles vão quebrando esse problema em pedaços menores e vão resolvendo pedacinho por pedacinho. E aí, depois, juntam todas as soluções pra ter uma visão geral do problema resolvido. Os alunos do 2º ano já vêm com uma noção básica de como lidar com problemas simples, tipo organizar os brinquedos por cor ou tamanho. O que a gente faz agora é sofisticar isso. Eles precisam aprender a dividir um problema maior em pequenos desafios e ir resolvendo cada um.
Agora vou te contar umas atividades que faço com a minha turma pra trabalhar essa habilidade. São coisas simples, mas que ajudam muito.
A primeira atividade é o "Detetive das Palavras". Aqui eu uso cartelas com palavras misturadas e algumas imagens recortadas de revistas, bem básicas mesmo. A ideia é formar frases a partir dessas palavras soltas. Eu divido a turma em grupos de quatro ou cinco alunos — o Joãozinho, a Maria, o Pedro e a Ana, por exemplo — e dou umas dez cartelas pra cada grupo. Eles têm uns 30 minutos pra montar frases que façam sentido com as palavras e imagens que têm. Primeiro eles ficam meio perdidos, mas logo começam a separar as palavras por categorias: substantivos juntos, verbos em outro canto, etc. Quando fiz essa atividade pela última vez, o Joãozinho conseguiu montar uma frase super divertida: "O cachorro voador comeu sorvete." Foi risada geral na sala, mas o mais legal foi ver como eles pegaram o jeito de decompor as palavras pra formar algo maior.
Outra atividade que faço é "Construindo Histórias". Aqui eu uso papel sulfite e canetinhas coloridas. Primeiro, peço pra cada aluno escrever uma parte de uma história: início, meio ou fim. Depois trocamos as partes entre eles. A Maria pode começar uma história sobre um dragão no início e o Pedro termina falando de um dragão jogando futebol. O desafio é pegar pedaços de histórias diferentes e montar algo coerente. Dá uns 40 minutos essa atividade, porque eles ficam super envolvidos e querem fazer várias trocas. Da última vez que fizemos isso, teve uma situação engraçada com a Ana: ela começou com uma história de princesa e terminou com uma corrida de carrinhos no espaço! Isso fez ela pensar em como conectar melhor os pedaços da próxima vez.
A terceira atividade eu chamo de "Missão Resgate". É quase um jogo. Eu levo uma caixa fechada com cadeado (pode ser uma caixa de sapato com fechadura improvisada) e coloco dentro dela algumas pistas em papéis sobre um "tesouro". A turma toda participa dividida em dois grandes grupos. Pra abrir a caixa, precisam resolver pequenos desafios matemáticos. Tipo assim: somar peças de lego ou fazer contagem de palitos pra chegar à combinação certa do cadeado (eu uso cadeado de número). Isso leva cerca de 50 minutos porque envolve muita tentativa e erro. Eles sempre começam meio agoniados querendo abrir logo a caixa, mas logo percebem que precisam se organizar em pequenas tarefas tipo "quem faz a conta", "quem confere" e "quem monta a sequência". Da última vez que fizemos isso, o Pedro ficou super empolgado porque conseguiu descobrir o último número da combinação sozinho! A alegria dele contagiou os outros e fez todos se engajarem mais ainda.
Olha, essas atividades são simples mas são ótimas pra fazer os meninos realmente pensarem em como decompor problemas maiores em partes menores. E ainda dá aquela sensação boa de conquista quando eles conseguem juntar tudo no final! Além disso, eles sempre acabam aprendendo uns com os outros, porque cada um tem uma ideia diferente de como resolver as coisas e quando vão juntando tudo é que percebem como chegaram lá juntos.
Bom gente, espero ter dado umas ideias legais pra vocês experimentarem aí na sala também! Qualquer coisa vamos trocando ideia por aqui mesmo!
Os alunos do 2º ano têm essa capacidade incrível de surpreender a gente. Quando você começa a circular pela sala e prestar atenção nas pequenas coisas, dá pra perceber direitinho quem pegou o conceito de decomposição na computação. Às vezes, é só observar como eles lidam com as atividades práticas. Tipo, quando eu passo um exercício em que eles têm que organizar uma sequência de comandos pra um personagem num joguinho chegar ao destino, dá pra ver quem entendeu quando vejo que eles não estão só tentando tudo de uma vez e se perdem, mas sim dividindo o caminho em passos menores.
Teve uma vez que a Ana estava explicando pro Pedro como ele tinha que fazer pra programação funcionar. Eu fiquei ali só fingindo que tava concentrado em outra coisa, mas ouvindo a conversa dos dois. Ela dizia: "Olha, primeiro coloca esse bloco aqui, depois esse, e aí você vê se o personagem conseguiu chegar mais perto do objetivo". E quando vi, o Pedro tinha pegado direitinho a ideia e até ajudou a Sofia depois. É nessas horas que a gente percebe: "ah, esse entendeu mesmo".
Agora, não vou mentir, tem uns errinhos bem comuns que a meninada comete. O Lucas, por exemplo, sempre tenta atirar pra todos os lados. Ele tem essa pressa de chegar ao final sem pensar nos passos intermediários. Já vi ele fazer isso um monte de vezes e até agora ele tá melhorando, mas às vezes vai direto no "caminho mais fácil" e esquece de planejar direito. Acho que isso acontece porque é mais tentador seguir o caminho mais rápido do que parar e pensar na estratégia. Quando pego ele fazendo isso, costumo parar e perguntar: "E se você tivesse que ensinar isso pro seu irmão mais novo? Como você explicaria?". Isso obriga ele a parar e reavaliar o passo a passo.
Tem também aquele erro da Mariana, que geralmente erra na sequência dos comandos. Ela tem essa mania de colocar um comando antes do outro e acaba confundindo tudo. Aí, eu tento trabalhar com ela numa folha de papel mesmo, desenhando cada passo e mostrando como um vem depois do outro. É uma forma dela visualizar melhor a coisa toda.
Lidar com o Matheus e a Clara na mesma turma é desafiador mas ao mesmo tempo gratificante. O Matheus, com TDAH, precisa de atividades mais dinâmicas e quebradas em partes bem pequenininhas. Então eu sempre tento criar joguinhos rápidos e dinâmicos pra ele se engajar. Se for uma tarefa muito longa ou muito parada, ele logo se distrai. Lembro de um jogo de tabuleiro simples que adaptei com comandos que ele podia mudar o caminho da peça conforme avançava. Isso ajudou porque era algo físico e visual.
Já a Clara, com TEA, precisa de orientação mais estruturada e previsível. Pra ela, funcionam bem as rotinas visuais. A gente usa cartões com imagens pra cada comando ou ação que ela deve realizar no computador. Uma vez tentei só falar as instruções sem mostrar nada visualmente e não foi nada efetivo. Agora sei que ela precisa ver e tocar nos cartões pra entender a atividade.
O tempo também é algo que organizo diferente pra eles. O Matheus tem uns intervalos mais curtos entre atividades porque ele precisa se mexer um pouquinho pra voltar a focar. Já a Clara tem um tempo fixo onde pode trabalhar no seu ritmo sem pressa, porque se ela sente pressão ou uma mudança brusca na rotina, fica ansiosa.
Bom, essas são algumas das minhas estratégias por aqui pra lidar com essa habilidade específica no dia a dia. Não é fácil todo dia, mas esses desafios fazem parte do nosso trabalho como professor e nos ajudam a crescer junto com os alunos. Espero que essas histórias tenham ajudado alguém por aqui! Até a próxima troca!