Olha, essa habilidade EM13LGG204 da BNCC pode parecer meio complicada quando a gente lê pela primeira vez, mas na prática é tudo uma questão de comunicação e convivência, né? O que a gente precisa fazer é ajudar os meninos a dialogarem e entenderem uns aos outros, usando várias linguagens diferentes. Não é só falar e ouvir, mas realmente se colocar no lugar do outro, entender o ponto de vista dele e buscar um bem comum. É tipo quando eles tão conversando em grupo e cada um tem uma ideia diferente, mas precisam chegar num consenso. E já que estamos falando de Linguagens, entra aí também a parte artística, corporal, verbal... É um mix!
Agora assim, essa coisa do diálogo e entendimento mútuo não começa do zero no 1º EM. Os meninos já vêm com um certo traquejo disso do Fundamental. Eles já passaram por várias situações onde tiveram que trabalhar em grupo, discutir temas polêmicos, apresentar trabalhos. Lá no 9º ano eles já estavam praticando isso, mas agora no Ensino Médio a gente dá um passo além. A ideia é aprofundar esse diálogo pra que eles possam discutir questões mais complexas, entender melhor sobre democracia e direitos humanos e tudo mais.
Aí eu vou compartilhar três atividades que eu faço com os meninos e que têm tudo a ver com essa habilidade.
Uma delas é o "Círculo de Debates". É bem simples: a gente organiza as cadeiras em círculo pra todo mundo se ver. Eu levo alguns textos curtos ou vídeos sobre temas atuais que geram debate, tipo igualdade de gênero ou liberdade de expressão. Uso o projetor ou mesmo cópias impressas dos textos. Dura mais ou menos uma aula inteira, uns 50 minutos. Os alunos recebem o material antes pra se prepararem e aí no dia da atividade, cada um expõe suas ideias e vamos discutindo em cima disso. A última vez que fizemos isso foi sobre redes sociais e fake news. O Lucas começou dizendo que achava que todo mundo tem direito de postar o que quiser na internet, mas aí a Ana rebateu falando das consequências das fake news nas eleições. Foi legal ver como o debate foi fluindo e eles foram se ouvindo mais.
Outra atividade bacana é o "Teatro do Oprimido". A gente faz umas encenações rápidas com temas sociais relevantes. Eu divido a turma em pequenos grupos (uns 4 ou 5 alunos) e cada grupo escolhe ou recebe um tema pra encenar. Podem usar o espaço da sala ou ir pro pátio se quiserem mais liberdade de movimento. Pra isso, só precisam de criatividade mesmo, porque não tem material complexo envolvido. Uns 30 minutos pra se prepararem e apresentarem é o suficiente. É impressionante como isso engaja a galera! Da última vez, o grupo do João trouxe um esquete sobre bullying na escola e teve uma parte onde eles pararam a cena pra pedir sugestões do público sobre como o personagem deveria reagir. Foi uma troca muito rica!
Por fim, tem o "Projeto Interdisciplinar de Direitos Humanos". Aqui a coisa é mais longa; dura umas duas semanas. Eu junto com outros professores de História e Sociologia propomos um projeto onde eles precisam pesquisar sobre algum direito humano específico e apresentar como isso se aplica hoje em dia no Brasil. Eles fazem pesquisas online, entrevistas com pessoas da comunidade (às vezes até trazemos alguém pra falar na escola), preparam cartazes ou apresentações em slides. Depois apresentam pros colegas e rola aquele papo sobre o que aprenderam e como enxergar essas questões no cotidiano deles. Nessa atividade, lembro que a Mariana ficou super empolgada com o tema dos direitos das mulheres e trouxe dados que deixou muita gente surpresa na sala.
Sabe o que é mais legal disso tudo? É ver como eles começam meio tímidos e vão se soltando aos poucos. Eles percebem que podem ter opiniões diferentes sem brigar, aprendem a argumentar melhor suas ideias e respeitar o ponto de vista dos outros. E aí você vê aquela molecada crescendo não só academicamente, mas como cidadãos também.
Essas atividades dão trabalho? Dão! Mas ver a evolução deles vale cada minuto investido. E aí, como vocês estão trabalhando essa habilidade na sala de vocês? Quero saber!
de reconhecer as diferentes formas de se expressar, sabe? Tipo, não é só o texto escrito, mas também a fala, os gestos, as imagens. E aí, como é que eu vejo que os meninos realmente entenderam essa habilidade? Bom, não é só pela prova, né? Aliás, gosto de ver isso no dia a dia, enquanto eu tô circulando pela sala.
Por exemplo, outro dia eu tava andando entre as mesas durante uma atividade em grupo e vi o Joãozinho explicando pro Renato o que ele achava de um texto que a gente leu. Ele tava ali usando exemplos do cotidiano deles, falando do que acontece no bairro onde moram pra exemplificar o que o autor do texto quis dizer. Na hora pensei: "ah, esse entendeu!". É quando eles pegam uma ideia e conseguem relacionar com a vida deles, mostrar essa aplicação prática. Isso é sinal de que internalizaram o conceito.
E tem também aqueles momentos em que a gente ouve conversas entre eles e percebe que estão usando termos e conceitos que discutimos em aula. Tipo a Camila falando pra Juliana: "Ah, mas isso aí é como no texto tal, lembra que discutimos sobre tal coisa?". Quando eles fazem essas associações espontâneas, sei que a aprendizagem tá acontecendo.
Agora, sobre os erros mais comuns... Ah, tem vários! Tem uns meninos que se atrapalham na hora de argumentar. O Lucas, por exemplo, muitas vezes faz uma afirmação e fica meio no ar sem explicar direito o porquê daquilo. Ele diz: "porque é assim", mas não consegue amarrar com uma justificativa clara. Aí eu chego perto e pergunto: "Mas o que te faz pensar assim? Tem alguma situação que já viu isso acontecendo?". Esse tipo de questionamento ajuda eles a desenvolverem melhor o pensamento crítico.
Outro erro comum é quando a galera se perde na interpretação porque pegou só uma parte do texto e ignorou o contexto todo. A Letícia já fez isso algumas vezes. Uma vez ela tava defendendo um ponto de vista usando uma frase isolada do texto, mas quando fomos ver a coisa toda estava num sentido bem diferente. Nessa hora eu tento trazer eles de volta pro texto: "Vamos reler essa parte aqui juntinhos? O que você acha agora dessa frase dentro desse parágrafo?". Faz diferença!
Agora falando do Matheus e da Clara... Olha, cada aluno é único e com eles não é diferente. O Matheus tem TDAH e às vezes ele se dispersa rápido. Então o que faço é dar instruções mais curtas e diretas pra ele. Muitas vezes escrevo bilhetinhos com passos simples do que ele precisa fazer naquela atividade específica. E olha que legal: ele gosta muito dos recursos visuais. Quando trago mapas mentais ou esquemas com cores diferentes ele se engaja bem mais.
A Clara tem TEA e já notei que ela funciona muito bem com roteiros pré-definidos. Por isso sempre deixo claro qual será a sequência da aula e o que vamos fazer em cada parte. E evito surpresas! Ela se sente mais segura assim. Outra coisa que percebi é que ela se dá melhor em atividades individuais ou em grupos bem pequenos onde ela pode focar sem muita agitação em volta.
Claro que nem sempre tudo sai como planejado. Teve uma vez que pensei em usar música pra dar ritmo à atividade pensando no Matheus, mas acabou distraindo mais ainda o coitado! Já com a Clara usei uma atividade de teatro pensando que seria bom pra ela expressar sentimentos e ideias de outra forma, mas ela ficou desconfortável com a interação mais intensa.
Bom, é isso! A gente vai ajustando conforme vai conhecendo melhor os alunos, né? Acho que cada dia é uma nova oportunidade pra aprender com eles também. E aí, como vocês lidam com essas situações nas suas escolas? Vamos trocando ideias!
Até a próxima!