Oi pessoal!
Hoje resolvi escrever sobre como eu trabalho a habilidade EM13LGG103 da BNCC com a turma do 1º ano do ensino médio. A BNCC é aquele documento que orienta o que a gente deve ensinar e às vezes parece meio distante da nossa realidade, né? Mas quando a gente olha mais de perto, dá pra perceber como tudo faz sentido.
Então, essa habilidade aí tem a ver com analisar o funcionamento das linguagens pra interpretar e produzir discursos em vários tipos de textos. Quando eu falo de linguagens, não tô falando só de português, mas de qualquer forma que a gente se comunica: escrita, imagem, som, gestos. Na prática, é tipo assim: os alunos precisam conseguir olhar pra um anúncio publicitário e entender não só o que tá escrito, mas também por que escolheram aquela imagem ou música pra passar uma mensagem. Ou seja, é juntar tudo o que eles já sabem sobre ler e entender textos escritos, mas agora aplicando em outras formas de comunicação.
No ano passado, lá no 9º ano, a galera trabalhou bastante com interpretação de texto. Quando chegam no ensino médio, eles já sabem bem como puxar o sentido de um texto escrito. Agora, no 1º ano do médio, a ideia é expandir isso pra outras linguagens. Eles têm que ser críticos pra entender como um filme pode manipular as emoções com a trilha sonora ou como uma foto numa matéria de jornal já diz muito por si só.
Pra ajudar eles a desenvolverem essa habilidade, faço algumas atividades que funcionam bem na nossa sala.
A primeira é uma análise de propagandas. Eu peço pra cada um trazer uma propaganda impressa ou digital (pode ser do celular mesmo), e aí a gente passa uma aula inteira discutindo cada uma. Normalmente isso leva uns 50 minutos. Divido a turma em grupos de quatro ou cinco alunos e peço pra eles analisarem o que a imagem tá tentando vender além do produto: qual é a emoção que passa? Qual público tá sendo visado? Que elementos chamam atenção? Da última vez, a Ana trouxe um anúncio de perfume que tinha uma modelo super famosa. Ela sacou na hora que não era só sobre perfume, mas sobre vender um sonho de vida glamourosa. Os meninos do grupo dela ficaram animados e começaram a reparar em coisas que nem tinham visto antes.
Outra atividade legal é com vídeos curtos, tipo trailers de filme ou até mesmo clipes musicais. Aí eu projeto na sala usando o datashow (aquele projetor velho que tá sempre dando defeito kkk) e depois a gente discute em roda. Nessa atividade, além da interpretação visual, exploramos o som: como a trilha sonora influencia nossa percepção? Por exemplo, mostrei um trailer de filme de terror e quando o som diminuiu e ficou só aquele silêncio tenso, o Lucas comentou como ele já imaginava algo assustador vindo pela frente. Isso normalmente leva uma aula inteira também.
A terceira coisa que gosto de fazer é trabalhar com tirinhas e quadrinhos. Esse material é ótimo porque combina imagem e texto de um jeito super divertido. Distribuo umas tirinhas impressas e peço pra eles trabalharem em duplas (assim ninguém fica perdido). Eles têm que discutir entre si primeiro e depois compartilhar o que entenderam com a turma toda. Uma vez, o Pedro e o João pegaram uma tirinha do Calvin e Haroldo e começaram a debater sobre as expressões faciais dos personagens. No final da aula, estavam todo empolgados falando sobre como isso mudava completamente o sentido do diálogo.
Essas atividades ajudam os alunos a perceberem que linguagens não são compartimentos isolados. Tudo tá junto no mundo real: texto, som, imagem... E a reação deles tende a ser bem positiva! Claro, sempre tem aquele aluno mais tímido ou menos interessado no começo, mas quando vê o colega pegando o jeito da coisa ou descobre algo novo numa imagem ou vídeo que achava simples demais, acaba se envolvendo também.
O bom dessas práticas é que elas não exigem materiais caros nem difíceis de encontrar. O desafio maior é fazer os alunos irem além do óbvio e começarem a questionar mais profundamente as mensagens ao redor deles. E quando isso acontece, cara... dá um orgulho danado!
E aí vocês? Como trabalham essa habilidade nas turmas? Tô sempre aberto pra trocar ideias!
Abraços!
Aí pessoal, continuando a conversa sobre a habilidade EM13LGG103, uma coisa que sempre me chamou atenção é como a gente pode perceber que os alunos estão aprendendo, sem precisar botar uma prova na mão deles. Muitas vezes, é só prestar atenção no dia a dia. Quando eu tô circulando pela sala, olho como os meninos estão interagindo com o material, como estão discutindo entre eles. É incrível ver quando um aluno explica pro outro e você vê aquele brilho nos olhos de quem entendeu ou de quem tá descobrindo algo novo. Por exemplo, teve um dia que o Pedro tava tentando explicar pra Mariana como uma certa imagem num texto publicitário passava uma mensagem além das palavras. Ele usou exemplos do próprio cotidiano, tipo uma foto daquelas propagandas de revista. Ali eu percebi que ele entendeu não só o conceito, mas como aplicar isso na vida real.
Agora, quanto aos erros mais comuns que aparecem nesse conteúdo, olha, tem uns que são bem frequentes. A Joana, por exemplo, sempre confunde quando a gente fala em linguagem verbal e não verbal. Ela pensa que só porque não tem texto escrito, não tem comunicação. Uma vez ela tava falando sobre um cartaz e não conseguiu identificar o significado das cores e formas ali. A culpa disso tá na forma como às vezes a gente separa demais as matérias na cabeça deles. Pra corrigir isso na hora, eu chamo os alunos pra pensar junto: "O que vocês acham que esse vermelho aqui tá querendo dizer?" A gente vai construindo o entendimento em conjunto.
Ah, e quanto à galera que precisa de atenção especial, como o Matheus que tem TDAH e a Clara que tem TEA, preciso ser criativo nas adaptações. Pro Matheus, funciona muito bem dar tarefas mais curtas e segmentadas pra ele não perder o foco. Se a turma toda tá fazendo uma análise de texto longa, pra ele eu dou partes dessa análise pra fazer por vez. Além disso, usar ferramentas visuais é um sucesso. Mapas mentais funcionam muito bem com ele! Já com a Clara, que tem TEA, precisei aprender na prática o que funciona melhor. Ela se dá super bem com rotina previsível e com instruções claras e objetivas. Durante uma atividade de interpretação de imagem, eu percebi que se entregasse tudo de uma vez, ela ficaria sobrecarregada. Então comecei a fornecer as instruções passo a passo.
O que não funcionou tão bem foi tentar usar materiais muito interativos online pro Matheus numa aula cheia de estímulos. Isso só fez ele ficar ainda mais disperso. Já com a Clara, tentei usar metáforas muito abstratas no começo e vi que ela ficou um pouco perdida.
Ah, outra coisa bacana é organizar o tempo de forma a dar o espaço necessário pra cada um desses alunos processar as informações no seu ritmo. Na hora da correção em sala, sempre dou uma esticadinha no tempo pra eles poderem participar sem pressa. E olha, isso acaba ajudando todos eles.
Bom pessoal, acho que é isso por hoje. É sempre desafiador e gratificante ver a galera aprendendo e superando suas dificuldades junto com a gente. Continuamos essa conversa aí nos próximos posts! Qualquer coisa, tô por aqui.
Abraços!