Olha, essa habilidade EF69LP06 da BNCC é um desses trecos que, à primeira vista, parece um bicho de sete cabeças com tanta coisa junta, mas quando a gente vai olhar de perto, dá pra entender que é sobre ajudar os meninos a explorar e experimentar várias formas de comunicação que a gente vê no dia a dia. É como se fosse um convite pra eles se tornarem pequenos repórteres, críticos, ou mesmo youtubers. Mas o foco é dar a eles uma noção de como a gente produz, publica e interage com esse tipo de conteúdo na internet e além dela.
Pra começar, o aluno precisa conseguir criar uns textos ou mídias que façam sentido na vida real. Bom, por exemplo, eles precisam aprender a escrever uma notícia sobre um evento da escola, ou talvez fazer uma fotorreportagem sobre um tema local, tipo o aniversário da cidade ou uma festa popular. Eles já chegam no 6º ano sabendo algumas coisas básicas de texto, tipo narrativas e descrições que aprenderam antes. Aqui, a conversa é sobre dar um passo além e pensar em quem vai ler ou ver o que eles produzem. E é claro que tudo isso precisa ser feito com responsabilidade, pensando em como isso circula na internet.
Agora vou falar das atividades que rolam lá na sala com a turma do 6º ano. A primeira que faço é bem direta: produção de uma notícia sobre algo que aconteceu na escola. Não precisa de muito material: só papel e caneta mesmo. Divido a turma em grupos de quatro ou cinco pra eles aprenderem a trabalhar juntos e discutir o que é importante. A gente geralmente leva duas aulas pra isso. Na última vez que fizemos, pegamos um evento recente – o campeonato de futsal das turmas – e foi um barato ver como cada grupo escolheu ângulos diferentes pra contar a história. Teve o grupo do Lucas que enfocou mais nos resultados e estatísticas de gols, enquanto o grupo da Ana preferiu contar histórias dos bastidores e falar do entrosamento entre as equipes. Eles ficam animados porque percebem que têm liberdade pra dar o toque pessoal no texto.
Outra atividade bacana é criar um podcast curto sobre alguma questão que tá pegando no bairro ou na cidade. Isso envolve mais tecnologia, então usamos os celulares da galera mesmo pra gravar os áudios. Organizamos no pátio da escola em pequenos grupos e cada grupo precisa fazer uma pesquisa antes de começar a gravar. Isso leva umas três aulas: uma pra pesquisar, outra pra gravar e uma terceira pra ouvir os podcasts uns dos outros e comentar. A última vez fizemos sobre a questão da coleta seletiva no bairro e teve aluno que até entrevistou alguém de casa pra trazer mais informações. O Pedro teve uma sacada legal em entrevistar a avó dele sobre como ela faz reciclagem há anos, isso trouxe mais riqueza pro trabalho do grupo dele.
Agora, uma das atividades mais divertidas: os vlogs culturais. Os meninos adoram porque muitos já assistem youtubers e querem fazer igual. Aqui eles precisam escolher algo cultural – pode ser um filme novo, jogo ou até música – e produzir um vídeo curto falando disso. A gente faz isso usando celulares também e eles aprendem não só a falar bem mas também edição básica usando aplicativos grátis como o Kinemaster ou InShot. A organização é individual ou dupla, conforme eles se sentem confortáveis. Essa atividade pode levar umas quatro aulas porque além de planejar e gravar, eles ainda precisam editar os vídeos. Na última vez teve a Júlia que fez um vídeo super engraçado sobre um livro que leu nas férias e acabou inspirando outros alunos a querer ler também.
Olha só como os meninos se empolgam quando percebem que podem criar algo que as pessoas vão realmente ver ou ouvir! Ver essa transformação é incrível porque eles começam a perceber o poder das palavras e imagens na comunicação deles com o mundo ao redor. E sempre tem aqueles momentos especiais sabe, quando um aluno tímido resolve tomar a frente numa gravação ou quando outros começam a respeitar mais as opiniões uns dos outros depois de ouvir podcasts diferentes.
E assim vamos levando as aulas, tentando juntar teoria com prática de uma forma que seja interessante pra todos nós. E mais importante ainda é ver como eles vão crescendo nesse processo todo, se tornando não só melhores escritores e comunicadores, mas também leitores mais críticos e atentos do mundo ao redor deles.
Aí é isso, professores! Espero ter ajudado vocês a ter algumas ideias práticas pra trabalhar essa habilidade na sala de aula! Qualquer dúvida ou ideia nova que vocês tenham por aí, compartilhem também!
ue sejam claros, coerentes e que façam sentido pro público que ele tá pensando, né? Tipo assim, eles têm que saber pra quem tão falando e como vão organizar essa fala ou esse texto pra fazer sentido. Eu gosto muito de ver quando eles começam a pegar o jeito e perceber que tem mil formas de se expressar, seja escrevendo, falando, ou até mesmo editando um vídeo. Mas aí surge a pergunta: como eu percebo que eles tão aprendendo isso sem ter que aplicar uma prova formal?
Bom, uma das formas mais legais é quando eu tô circulando pela sala enquanto eles tão em atividade. É nessas horas que dá pra ver quem tá se esforçando pra entender a lógica da coisa. Por exemplo, teve um dia que a Ana tava explicando pro Lucas que não adianta só encher de informação sem organizar, senão ninguém entende nada. Ela usou o exemplo de um texto que eles fizeram sobre o cerrado e mostrou como tinha reorganizado as partes pra deixar mais claro. Ah, aí eu pensei “essa entendeu o recado”.
Outro momento bacana é quando ouço as conversas entre eles. Às vezes fico meio de longe, só escutando. Aí ouvi o Gustavo dizendo pra Júlia que ela tava usando muito “e” pra conectar as frases e que isso deixava o texto meio cansativo. Ele sugeriu dividir algumas sentenças em pontos finais pra dar um respiro. Quando aluno começa a dar esse tipo de dica pro outro, é porque tá realmente entendendo o processo de comunicação.
Agora, sobre os erros mais comuns… Bom, tem erro que é quase clássico. O Pedro, por exemplo, sempre começa com muita energia, mas aí vai perdendo o foco no meio do caminho e o texto acaba ficando sem começo, meio e fim claros. É tipo aquela história que começa num assunto e termina em outro nada a ver. Acho que ele quer colocar tanta coisa que se perde no meio do caminho. Quando pego isso na hora, dou um toque pra ele parar e reler com calma, revisitar o planejamento do texto.
Tem também quem acha que palavra difícil é sinônimo de texto bom. A Mariana é mestre nisso. Ela adora encaixar umas palavras rebuscadas no meio da redação, mas muitas vezes nem sabe direito o significado delas! Aí eu falo pra ela: “Mari, a gente precisa que as pessoas entendam o que você tá dizendo sem ter que correr pro dicionário toda hora”. Costumo sugerir que ela simplifique e troque por palavras do cotidiano dela.
Sobre lidar com o Matheus que tem TDAH e a Clara que tem TEA, a gente tem que ir adaptando algumas coisas nas atividades. Com o Matheus, por exemplo, é importante quebrar as tarefas em partes menores e dar uma orientação mais direta. Tipo assim, ao invés de falar “faz uma redação sobre o meio ambiente”, eu divido em passos menores: primeiro escreve sobre qual lugar você acha mais bonito na natureza e por quê; depois pesquisa uma curiosidade sobre ele; por último pensa em como a gente pode ajudar a conservar esse lugar.
Com a Clara é diferente… ela gosta de rotina e previsibilidade. Então sempre deixo claro no início da aula qual vai ser o passo a passo do dia e tento seguir isso ao máximo pra ela se sentir mais confortável. E ela curte muito usar recursos visuais, então eu preparo materiais com imagens e esquemas sempre que posso. Teve uma vez que tentei usar um jogo digital pra revisar conteúdo com a turma toda e percebi que não funcionou bem pra ela porque era rápido demais e barulhento.
A questão do tempo também é importante pros dois. Eu dou um pouquinho mais de tempo pras atividades porque sei que cada um tem seu ritmo diferente. Às vezes até deixo eles começarem antes ou terminarem depois das aulas formais.
E é isso galera! Cada dia a gente aprende mais com essa troca na sala de aula, né? Espero que essas histórias ajudem vocês aí também. Até a próxima!