Olha, quando a gente fala da habilidade EF02LP25 da BNCC, o que vem na cabeça é como ajudar os meninos a identificar e reproduzir a estrutura de textos diferentes. Na prática, isso quer dizer que eles precisam entender que cada tipo de texto tem uma cara própria, sabe? Tipo assim, um relato de experimento tem um jeito de começar, de contar os passos, e de concluir, que é diferente de uma entrevista ou de um verbete de enciclopédia. O que a gente quer é que eles consigam não só reconhecer essas diferenças quando estão lendo ou escutando, mas também que consigam reproduzir isso quando vão criar seus próprios textos.
No segundo ano, a turma já teve contato com alguns tipos de texto lá no primeiro ano. Eles já viram textos narrativos, descritivos e até alguns informativos mais simples. Agora a ideia é aprofundar esse conhecimento e dar a eles a chance de brincar com essas estruturas. Costumo dizer que é como dar uma caixa de ferramentas e ensinar como usar cada uma. Eles precisam saber identificar quando um texto é um martelo, uma chave de fenda ou um alicate.
Uma das atividades que eu faço pra trabalhar isso é o "Dia do Cientista". É assim: peço para os meninos trazerem de casa algum material simples, tipo copos de plástico, água, corante alimentício e bicarbonato de sódio. Aí a gente faz um experimento básico de vulcão na sala de aula. Enquanto isso, eles anotam o passo a passo do experimento no caderno. Primeiro eles têm que identificar o material necessário, depois escrever o que fizeram em cada etapa e por último o que aconteceu e por que acham que isso aconteceu. Essa atividade leva mais ou menos uma hora. Eles se divertem muito, porque é bem mão na massa. Na última vez que fizemos essa atividade, o João ficou tão empolgado com a "erupção" do vulcão que quase derrubou o copo todo no chão! Mas no final ele entendeu direitinho como organizar o relato do experimento.
Outra atividade bacana é a "Entrevista Imaginária". Eu divido a turma em duplas e cada um escolhe ser um personagem famoso ou inventar um personagem. Eles preparam perguntas e respostas antes, tentando seguir aquele formato clássico de perguntas diretas e respostas curtas e objetivas. Primeiro eles escrevem as perguntas no papel e tentam imaginar o tipo de resposta que o entrevistado daria. Depois fazem isso em voz alta na frente da turma. Isso geralmente leva uns dois dias: um dia pra escrever e ensaiar, e outro pra apresentação. Os alunos adoram porque podem usar a imaginação. Na última entrevista que fizeram, a Ana resolveu entrevistar uma astronauta chamada Júlia, e o Pedro foi o entrevistador. Foi hilário ver a Ana respondendo como se estivesse flutuando no espaço!
E pra trabalhar verbetes de enciclopédia infantil, eu levo pra sala algumas enciclopédias antigas ou acesso sites educativos no computador da escola. A ideia é eles perceberem como um verbete é organizado: sempre tem o título em destaque, uma descrição curta do tema, às vezes uma imagem ou desenho e algumas curiosidades adicionais. Cada aluno escolhe um animal ou planta e cria seu próprio verbete num pedaço de cartolina que depois expomos na sala. Isso geralmente leva uma aula inteira. Eles ficam fascinados com as curiosidades! Da última vez, a Sofia escolheu falar sobre o ornitorrinco e descobriu umas coisas incríveis sobre ele. Ela não parava de contar pra todo mundo como ele era esquisito!
Essas atividades mostram como esses gêneros têm suas próprias diagramações e formatações específicas. Aos poucos eles vão percebendo essas diferenças e aprendendo a usá-las nos seus próprios textos. O mais legal é ver como isso ajuda na autonomia deles pra lerem sozinhos mais tarde. Aí é aquele orgulho ver quando aplicam essas habilidades em outros contextos sem a gente precisar mandar.
Enfim, trabalhar essa habilidade é dar asas pra criatividade dos meninos enquanto ensinam algo importante sobre leitura e escrita. E olha, ver o brilho nos olhos deles quando percebem que aprenderam algo novo não tem preço! Vamos continuar nessa missão porque vale cada momento gasto ali com eles!
E aí, continuando o papo sobre a habilidade EF02LP25, que é tão importante pra galera do 2º ano, vou contar como a gente percebe se os meninos estão sacando mesmo essa história de estrutura textual. Olha, uma das maneiras que eu mais gosto é andando pela sala enquanto eles estão trabalhando. Quando você circula por ali, dá pra sacar muita coisa. Tipo, outro dia o João tava explicando pro Pedro como começou o texto de uma receita que a gente tinha lido juntos. Ele falou assim: "Ó Pedro, toda receita começa com uma lista dos ingredientes, e depois vem o modo de fazer, senão ninguém entende nada!". Aí eu pensei: "Esse pegou a ideia!".
Outra coisa que eu faço é prestar atenção nas conversas deles em grupo. Aí tem aquelas trocas que são pura aprendizagem. Uma vez, tava rolando um debatezinho sobre como começar uma entrevista e a Laura disse pra Ana: "Você tem que pensar nas perguntas primeiro, né? Senão vai virar conversa fiada!". E nesse momento, a gente nota que tá funcionando porque eles tão começando a internalizar essas estruturas.
Agora, claro que nem tudo são flores (quem dera!). Os erros aparecem e são parte do processo. Um erro comum que vejo os meninos cometerem é misturar estilos. Tipo assim, eles começam um texto como se fosse uma história e no meio mudam pra uma entrevista sem perceber. Isso aconteceu na semana passada com o Lucas. Ele tava fazendo um texto sobre "um dia na vida de um astronauta" e de repente começou a fazer perguntas no texto como se estivesse entrevistando o astronauta. Eu chamei ele e disse: "Lucas, olha só, você tá escrevendo uma narrativa aqui. Vamos pensar em como contar essa história sem mudar o formato?". Esse erro não é raro e acontece muito porque eles ainda tão aprendendo a diferenciar os jeitos de escrever.
O legal é que a gente pode corrigir isso na hora, né? Eu costumo fazer algumas perguntas pro aluno perceber o próprio erro: "O que a gente costuma encontrar primeiro numa narrativa?" ou "Qual é a estrutura comum de uma entrevista?" Assim eles param e pensam, às vezes até dão um sorriso quando percebem onde se perderam.
Agora deixa eu contar como eu faço com o Matheus, que tem TDAH, e a Clara, que tem TEA. Esses dois me ensinam tanto quanto eu ensino pra eles! Com o Matheus, por exemplo, eu tento deixar as instruções bem diretas e curtas. Se eu dou muitas informações ao mesmo tempo, ele se perde fácil. Então faço assim: divido as atividades em partes menores e depois vou passando uma de cada vez. Usei esse método numa atividade de escrita de convite pra festa e funcionou bem melhor do que das outras vezes.
Já com a Clara, o foco é mais na questão sensorial e na previsibilidade. Ela gosta muito quando as atividades seguem um padrão claro e previsível. Então pra ela, sempre deixamos à vista um cronograma diário bem visual (com imagens) do que vamos fazer naquela aula. Pra uma atividade de leitura em grupo, eu faço questão de explicar antes quem vai ler o quê e em qual ordem.
Tem coisas que não deram certo também. Por exemplo, tentei usar jogos de tabuleiro pra reforçar estrutura narrativa com o Matheus achando que ia ser massa, mas ele ficou mais distraído do que nunca com os detalhes do tabuleiro. Descobri que menos estímulo visual funciona melhor pra ele.
Bom pessoal, acho que já falei bastante dessa habilidade EF02LP25! Espero que as dicas ajudem vocês aí também. Cada aluno tem seu jeito e sua velocidade de pegar as coisas, mas é isso que torna nosso trabalho tão desafiador e recompensador ao mesmo tempo. E vocês aí? Como tão lidando com essas diferenças em sala? Valeu por ler até aqui!