Ei, pessoal! Hoje vou falar um pouco sobre como trabalho a habilidade EF02LP14 da BNCC com meus alunos do 2º Ano aqui em Goiânia. A ideia é a galera planejar e produzir pequenos relatos de observação, o que é uma habilidade bem legal pra eles desenvolverem logo cedo. Assim, eles já vão pegando o jeito de contar uma história ou relatar um acontecimento de uma forma mais organizada e clara.
Na prática, essa habilidade é sobre eles conseguirem escrever sobre algo que viram ou viveram, mantendo a estrutura certinha de um relato. Sabe quando a gente quer contar uma história e precisa começar do começo, ir pro meio e terminar no fim? Então, é mais ou menos isso que trabalhamos. Eles têm que pensar no que vão escrever antes de começar, tipo planejar mesmo. Isso inclui decidir o que é importante pra contar e o que pode deixar de fora. E claro, tem que pensar em quem vai ler o texto deles. Se é pros coleguinhas da sala, pros pais ou pro professor, porque isso muda o jeito como as coisas são escritas.
Antes de chegar nesse ponto, a turma já viu algumas coisas no 1º Ano sobre como descrever objetos e eventos, mas agora a expectativa é que eles consigam juntar essas descrições num relato mais estruturado. Eles já sabem fazer listas e pequenas descrições, então agora é um passo além. É usar essa base pra contar algo com começo, meio e fim.
Uma atividade que faço pra isso é o "Diário do Fim de Semana". A cada segunda-feira, peço pra eles escreverem um relato sobre algo que aconteceu no fim de semana. Pode ser algo simples, tipo um passeio no parque ou uma visita à casa da avó. Eu uso cadernos comuns que eles mesmos decoram no início do ano com desenhos e adesivos. Damos uns 25 a 30 minutos pra escreverem e depois alguns leem para a turma. Da última vez, o Pedro contou sobre como ele ajudou o pai a fazer um bolo e todo mundo gostou porque ele usou bastante detalhe, até falou dos ingredientes! A Mariana ficou toda animada dizendo que também queria fazer bolo no próximo fim de semana.
Outra atividade que funciona bem é a "Roda das Histórias". Pra essa eu uso umas cartinhas com temas ou situações desenhadas (tipo "um dia chuvoso", "um passeio na praia", etc.). Organizo os meninos em grupos de quatro ou cinco e cada grupo pega uma cartinha. Eles têm uns 20 minutos pra planejar e escrever um relato em conjunto baseado na situação da cartinha. Depois apresentamos os relatos para a turma toda. É legal porque além de trabalhar a escrita, eles se comunicam entre si e trocam ideias. Na última vez que fizemos isso, o grupo da Ana começou contando sobre "um dia chuvoso" e acabou virando uma história de aventura com piratas no meio! Foi uma risada só!
E tem também a atividade do "Relato de Observação". Essa eu gosto porque leva os meninos a observar mais o ambiente ao redor. Damos uma volta pela escola ou pelo quarteirão (com supervisão) e depois eles têm que escolher algo que viram durante o passeio pra escrever um relato curto sobre isso. Usamos papel sulfite normal pra esse exercício e eles têm uns 30 minutos pra fazer tudo: observar, planejar e escrever. Dá sempre umas observações interessantes! Na última vez, a Laura escreveu sobre um ninho de passarinhos numa árvore perto da escola e como ela ficou encantada com os filhotes tentando voar. É muito bacana ver como cada um percebe as coisas ao seu redor de forma diferente.
Os alunos adoram essas atividades porque elas são dinâmicas e envolventes. E pra mim é ótimo ver como eles vão melhorando aos poucos na escrita dos relatos. Tipo assim, eles começam meio travados no início do ano, mas com o tempo vão se soltando e escrevendo com mais naturalidade e detalhe.
Bom, é isso aí galera! Espero ter ajudado quem tá começando e se tiverem dicas também eu tô sempre aberto a aprender coisas novas! Abraços!
... e precisa começar do começo, ir pro meio e terminar no fim? É isso que eu tento ensinar pra eles. Não adianta nada a gente ter uma história na cabeça, se a gente não conseguir passá-la pro papel de uma forma que os outros entendam, né?
Agora, sobre como eu percebo que os meninos entenderam essa habilidade, é bem no dia a dia mesmo. Quando eu tô circulando pela sala, ouvindo eles conversarem, dá pra pegar uns sinais de que tão pegando o jeito. Outro dia, por exemplo, a Maria tava contando pro João sobre um passeio que ela fez no zoológico. Ela começou direitinho: “Primeiro a gente chegou lá cedo, depois fomos ver os elefantes...” e por aí foi. Aí eu pensei: “Olha só, ela tá organizando a história dela certinho!”.
Outro momento é quando um aluno explica pro outro. Tipo quando o Pedro tava ajudando a Ana a escrever sobre um jogo de futebol que eles jogaram. Ele dizia pra ela: “Começa contando como foi o primeiro gol!”. Nesse momento, você vê que um tá entendendo e ajudando o outro a organizar as ideias.
Agora, falar sobre os erros comuns, ah... isso é uma parte bem interessante. Os erros acontecem bastante na hora de manterem a sequência dos eventos. O Lucas, por exemplo, tem aquele hábito de pular etapas. Ele começa contando uma coisa do meio da história e depois volta pro começo. Outro dia ele escreveu sobre ir à casa da avó e começou com: “Comi bolo de chocolate”. Aí tive que parar ele: “Lucas, mas como você chegou lá? Conta pra mim desde o início!”. Acho que esses erros acontecem porque eles tão cheios de ideias na cabeça e querem contar tudo de uma vez. Quando pego esses erros na hora, eu sempre dou uma pausa pra gente reorganizar juntos e mostrar como faz diferença seguir a sequência.
Sobre o Matheus, que tem TDAH, eu tento trazer atividades mais curtas e variadas pra manter a atenção dele. Se for uma atividade muito longa, ele tende a se perder no meio do caminho ou se distrair. Então, quando a turma tá escrevendo um relato mais extenso, eu divido em partes pra ele: primeiro escrevemos só o começo, depois só o meio... E também dou tempo extra se ele precisar. Já a Clara, que tem TEA, se beneficia muito com o uso de imagens. Aí procuro usar cartões com figuras ilustrativas dos eventos (tipo fotos do passeio ou desenhos dos personagens). Fiz isso uma vez quando eles precisavam relatar um dia no parque e funcionou bem melhor do que só falar ou escrever.
Já tentei também usar algumas tecnologias pra ajudar o Matheus e a Clara, mas nem sempre dá certo. Uma vez tentei usar um aplicativo de organização de texto que acabou complicando mais do que ajudando. Eles ficavam mais focados em como mexer no aplicativo do que em organizar suas histórias!
Enfim, pessoal... É sempre um aprendizado contínuo com cada turma e cada aluno. Cada um tem seu jeito de aprender e cabe a nós ir ajustando as coisas pra ajudar cada um da melhor forma possível. Se vocês têm experiências parecidas ou sugestões, manda aí! Gosto demais desse nosso espaço pra trocar ideias.
Até mais!