Olha, pessoal, essa habilidade EF02LP04 da BNCC parece um bicho de sete cabeças quando a gente lê lá no documento, mas na prática, a coisa é bem mais simples. A ideia é fazer com que os meninos e meninas do 2º ano consigam ler e escrever palavras conhecendo as sílabas que formam essas palavras. Na prática, isso quer dizer que eles precisam saber identificar que toda sílaba tem pelo menos uma vogal: tipo em "casa", que tem "ca" e "sa", ou "sol", que é só uma sílaba, mas tem a vogal ali no meio.
Quando a turma chega no 2º ano, eles já vêm sabendo algumas coisas do 1º ano. A maioria já se vira bem com sílabas simples, aquelas do tipo CV (consoante + vogal), como "me", "ta", "lo". Mas aí no 2º ano a gente entra com umas sílabas um pouco mais complicadas, tipo CVC (consoante + vogal + consoante), como "sol" ou "pão", e CCV (consoante + consoante + vogal), como "pra" ou "tri". A missão é fazer esse quebra-cabeça das palavras ficar mais claro pra eles.
Uma atividade que eu gosto de fazer e que funciona bem é a do jogo da forca. Eu sei, eu sei, é clássico, mas olha, os meninos adoram! Eu uso só o quadro e giz mesmo. Divido a turma em dois times pra dar aquela agitada, sabe? Cada equipe escolhe uma palavra que a outra tem que adivinhar. Aí o lance é que eles têm que pensar nas letras e nas sílabas. Começo com palavras simples tipo "gato" ou "vaca", e vou complicando até chegar em umas palavras como "branco" ou "tigre". Geralmente uns 30 minutos dá pra brincar legal. A última vez que fizemos, o Joãozinho tava todo empolgado tentando advinhar "prato" e errou umas três vezes antes de acertar o 'p'. A galera do time dele ficou puxando cabelo de nervoso! É divertido ver como eles vão descobrindo as letras pouco a pouco.
Outra atividade que rola muito bem é o ditado ilustrado. Pra isso, eu preparo umas cartelas com desenhos simples e os nomes dessas figuras escritos ao lado. Pode ser coisa tipo sol, flor, bola, prato... Coisa comum que tá no dia a dia deles. Divido os alunos em grupos pequenos, de uns quatro ou cinco. Cada grupo ganha um conjunto de cartelas. Eles têm uns 20 minutos pra organizar as cartelas na ordem certa: primeiro o desenho, depois o nome certo daquilo ali.
É bacana ver quem já sabe ler ajudando quem ainda tá com dificuldades. A última vez que fizemos isso, a Maria ficou toda animada porque reconheceu a palavra “flor” sem precisar de ajuda. O legal é ver as crianças se sentindo capazes e animadas por estarem aprendendo, sabe? Dá aquele quentinho no coração de professor.
Por fim, uma atividade que o pessoal curte é a oficina de palavras recortadas. Pro material dessa atividade eu só peço revista velha e tesoura sem ponta pra segurança dos pequenos. Cada criança recorta letras grandes das revistas e depois tenta montar palavras novas com elas. O desafio é montar palavras respeitando essa estrutura das sílabas: CV, CVC ou CCV.
Eles ficam numa mesa grande em círculo e têm cerca de 40 minutos pra fazer isso. A gente dá muita risada porque às vezes sai cada palavra que não existe! Mas aí entra o papel do professor de guiar e mostrar como juntar as letras pra formar palavras reais. Na última vez, o Pedro tava numa dificuldade tremenda pra montar “tigre”. Tava tentando usar só duas letras! Mas aí os coleguinhas ajudaram mostrando outras letrinhas e ele foi entendendo como as sílabas se conectam.
Essas atividades ajudam demais os alunos a entenderem melhor como as palavras são formadas, e é impressionante ver o progresso deles ao longo do ano letivo. E claro, sempre tem aqueles momentos engraçados ou emocionantes quando um aluno consegue ler ou escrever algo pela primeira vez sozinho.
Acho que é isso por hoje! Se alguém tiver mais dicas ou sugestões de atividades para trabalhar essa habilidade, compartilha aí também! Porque afinal, ensinar é também aprender junto com outros professores. Abraços!
Aí, continuando o papo sobre a EF02LP04, a gente percebe que os meninos entenderam mesmo quando começam a usar essas habilidades de forma natural no dia a dia. Tipo, ao invés de aplicar uma prova formal e ver se eles acertam ou erram, eu gosto de ficar observando a sala durante as atividades. Quando eu circulo pela sala e vejo o Joãozinho ajudando a Maria a entender que "pato" tem duas sílabas — "pa" e "to" — e não só uma como ela pensava, eu sinto que ele captou bem a mensagem. Ver um aluno explicando pro outro é um sinal claro de que ele tá segura naquilo que aprendeu.
Outra coisa que eu faço é escutar as conversas entre eles quando estão em grupo. Tem uma vez que eu ouvi a Luiza dizendo pro Pedro: "Ah, é só separar assim, igual quando a gente bate palma: ca-sa." Aí, quando eles conseguem discutir entre eles e corrigir os erros sem intervenção minha, é sinal de que tá tudo caminhando bem. E tem aquele momento mágico quando um aluno levanta a mão todo animado pra ler uma palavra nova que encontrou num livro lá do cantinho da leitura, e ele consegue separar as sílabas sem tropeçar. Isso aí é música pros ouvidos de qualquer professor.
Agora, sobre os erros mais comuns que os pequenos cometem, tem uns clássicos. O Felipe, por exemplo, sempre confunde duas sílabas quando elas são bem parecidas, tipo "pato" e "papo". Ele lê tudo meio correndo e aí acaba trocando as bolas. E isso acontece porque às vezes eles olham só pras primeiras letras e chutam o resto. Quando esse tipo de situação acontece, eu paro na mesma hora e peço pra ele ler devagarzinho junto comigo, mostrando com o dedo cada sílaba.
Outra situação comum é com as palavras que têm encontros consonantais, igual "prato". A Júlia sempre dá uma travada ali na hora de separar as sílabas. Ela fica com aquela cara de dúvida se começa com "p" ou se é "pra". Nesses casos, eu procuro usar fichas com figuras que representem essas palavras e faço um jogo de montar as sílabas usando essas fichas.
Bom, agora falando do Matheus, que tem TDAH... Eu já sei que ele tem uma energia danada e prestar atenção por muito tempo é complicado. Então o jeito é fazer atividades dinâmicas e bem curtas. Também uso muito material visual pra ele, porque isso ajuda a manter o foco. Por exemplo, em vez de só falar como se separa "banana", eu dou pra ele fichinhas com imagens e letras pra ele montar as sílabas. E tem o cronometrozinho que virou meu amigo nessas horas: marcamos tempos curtos pra cada atividade e isso funciona bem pra ele não perder o interesse.
A Clara, por outro lado, tem TEA e precisa de uma abordagem diferente. Ela gosta de rotina e previsibilidade, então procuro manter a mesma sequência nas atividades. Faço questão de criar um ambiente bem tranquilo na sala sem muitos estímulos visuais ao mesmo tempo. E uma coisa que funciona com ela é usar histórias que ela já conhece bem pra introduzir palavras novas. Aí ela vai fazendo as conexões do conhecido com o novo aprendizado.
O que não funcionou foi tentar fazer atividades em dupla sem antes preparar bem a Clara para isso. Ela ficava super incomodada com a interação inesperada. Então agora eu preparo ela antes e escolho colegas mais calmos pra trabalhar junto.
Olha, lidar com todas essas particularidades não é tarefa fácil não, mas cada vitória deles é uma alegria imensa pros pais e pra mim também! Quem trabalha em sala de aula sabe como cada criança tem seu jeitinho único de aprender.
É isso aí pessoal! Vou ficando por aqui. Espero ter ajudado de alguma forma com essas experiências. Qualquer coisa estou por aqui no fórum! Abraços!