Olha, essa habilidade EF01LP23 da BNCC é bem interessante porque a gente acaba combinando várias coisinhas que os meninos já sabem com novas técnicas de comunicação. Basicamente, o que a gente faz é ensinar os pequenos a planejar e produzir entrevistas ou curiosidades, tudo isso em grupo, com nossa ajuda como professor. E o legal é que eles vão fazer isso de um jeito que dá pra ser gravado, em áudio ou vídeo. O propósito é que eles saibam adaptar o que querem comunicar de acordo com a situação, quem vai ouvir, essas coisas.
Na prática, isso significa que os alunos precisam aprender a pensar em perguntas relevantes se for uma entrevista ou saber organizar informações legais se for uma curiosidade. Eles têm que entender quem é o público-alvo e como comunicar isso de forma clara. E olha, não podemos esquecer que eles ainda estão desenvolvendo a escrita e a leitura, então a oralidade tem um papel importante aqui.
Normalmente, quando chegam no 1º Ano, os meninos já têm alguma familiaridade com contar histórias ou falar sobre algo que sabem. Então, o desafio é planejar isso de forma organizada e colaborativa pra criar um material comunicável mais claro e direto. Aí você vê que começa a dar frutos quando eles percebem que podem construir algo juntos e comunicar pro mundo.
Agora, vou te contar umas atividades que faço na minha sala pra trabalhar essa habilidade:
1. Entrevista com os colegas: Bom, essa é clássica e sempre dá certo. Primeiro, cada aluno escolhe um colega pra entrevistar. Usamos uma folha de papel pra anotarem as perguntas e respostas. Primeiro, eu explico o que é importante numa entrevista: prestar atenção no que o outro diz, fazer perguntas abertas, coisas assim. Aí eles se dividem em duplas e têm uns 20 minutos pra se entrevistarem. Depois disso, cada um vai à frente da turma e apresenta seu colega como se estivesse num programa de TV. Da última vez, a Mariana entrevistou o Lucas e foi hilário quando ela perguntou qual era a comida favorita dele e ele respondeu "brocólis", mas quis dizer "brócolis". A galera riu muito, mas aí foi uma boa oportunidade de falar sobre como reagir a imprevistos numa entrevista.
2. Curiosidades Comunitárias: Nessa atividade, pedimos pra cada aluno trazer uma curiosidade sobre o bairro ou a comunidade onde vivem. Coisas simples mesmo, tipo uma lenda local ou um personagem interessante da vizinhança. Eu deixo uns dias pra eles pesquisarem com os pais ou vizinhos e depois organizamos as apresentações. Eles falam pro restante da turma enquanto eu gravo em vídeo com meu celular (nada high-tech). A última vez que fizemos isso foi muito bacana porque o João trouxe a história de uma árvore centenária da praça perto da casa dele e todo mundo ficou impressionado. A apresentação leva uns 5 minutinhos por aluno e no final editamos tudo num vídeo só pra mostrar aos pais numa reunião.
3. Podcast da Turma: Essa atividade dá um pouco mais de trabalho mas é super legal. A ideia é criar um podcast curtinho com as curiosidades ou entrevistas feitas por eles. Divido a turma em grupos de quatro ou cinco alunos e cada grupo foca num tema: animais favoritos, brinquedos antigos, coisas assim. Solto algumas ideias de pauta junto com eles pra ajudar na escolha do tema. A gente faz no canto da sala mesmo usando meu notebook e um microfone simples que conecto via USB. Dura cerca de duas aulas pra gravar tudo porque às vezes eles precisam repetir até ficar bom. Da última vez fizemos um podcast sobre "brinquedos antigos" e foi massa ouvir o Pedro falando do pião como se fosse a novidade do século!
O mais legal é ver como os pequenos começam tímidos mas depois ganham confiança com o passar das atividades. O Gustavo era super quietinho no começo, mas quando viu que podia gravar sua voz contando algo interessante ele ficou todo animado! É aí que você vê como essas atividades realmente ajudam na comunicação deles.
E olha, não tem erro: essas experiências de planejamento e produção colaborativa deixam eles mais seguros na hora de falar em público e ainda ensinam muito sobre respeito ao tempo do outro, sobre ouvir ativamente e adaptar sua fala pro público certo.
Enfim, espero ter dado umas ideias boas aí pro pessoal! Se alguém já fez algo parecido ou tem outras sugestões, compartilha aqui também! Abraço!
continuar o raciocínio, entender o que é importante numa entrevista, saber fazer perguntas que realmente tragam informações. Então, como é que eu sei que eles pegaram o jeito? Aí é que entra o dia a dia da sala de aula. Quando eu circulo pela sala e vejo eles discutindo entre si sobre qual pergunta seria melhor fazer para o "entrevistado", ou quando um vira pro outro e fala "não, essa pergunta é muito aberta, a gente tem que ser mais específico", eu já sinto que a sementinha foi plantada. E não é só isso. Quando a gente tá na hora da gravação e um deles lembra de falar mais devagar ou de olhar pra câmera, é sinal de que entenderam o recado sobre comunicação eficaz.
Um exemplo disso foi com a Júlia e o Pedro. Eles estavam discutindo sobre as perguntas pra entrevista fictícia com um bombeiro. O Pedro sugeriu algo tipo "como é seu trabalho?", mas aí a Júlia rebateu com "tá muito vago, Pedro! Pergunta pra ele sobre o resgate mais difícil que já fez, vai ser mais interessante!". Naquele momento, percebi que a Júlia estava entendendo a importância do planejamento das perguntas. É em momentos assim que a gente enxerga o entendimento deles.
Agora, os erros mais comuns... Ah, esses acontecem mesmo, né? Tipo, tem uma galera que ainda confunde quem é o entrevistador e quem é o entrevistado na prática. O Lucas, por exemplo, começou uma gravação se apresentando como se fosse o bombeiro quando ele era o entrevistador da vez. Isso acontece porque às vezes eles se empolgam tanto com o tema que acabam se perdendo no papel. Aí eu paro tudo na hora, dou aquela risadinha pra descontrair e explico novamente qual é o papel de cada um.
Outra coisa comum é as perguntas saírem muito fechadas ou muito abertas. A Ana Clara fez uma lista de perguntas onde tudo era "sim" ou "não". Não ajuda muito a extrair informação, né? Então eu mostro exemplos na hora: "Olha, Ana Clara, se você quer saber sobre a rotina dele, pergunta algo tipo 'como começa seu dia?' ao invés de 'você acorda cedo?'". É tudo questão de prática e ajuste no decorrer das atividades.
Agora, o Matheus e a Clara têm suas particularidades. O Matheus tem TDAH e às vezes fica mais disperso durante as atividades. Pra ele, eu tento sempre quebrar as tarefas em partes menores e dar bastante feedback ao longo do processo. Tipo assim: enquanto a turma tá planejando as perguntas em grupo, eu dou uma passada no grupo do Matheus e sempre verifico se ele tá acompanhando bem e ajudo a focar no próximo passo.
Já a Clara tem TEA e ela pode ter dificuldades com essa parte de interação social e comunicação. Para ajudar, uso roteiros visuais bem detalhados das perguntas e respostas possíveis. Também faço com que os colegas dela estejam cientes de como incluir ela ativamente. Uma vez fiz uma atividade onde ela foi responsável por escrever as perguntas enquanto outro colega fazia a entrevista. Assim, ela participou da maneira que se sentiu confortável.
Ah, teve uma tentativa que não deu muito certo, foi tentar fazer todo mundo gravar um vídeo estilo reportagem no começo do ano. Matheus ficou super ansioso com a ideia de falar pra câmera por tanto tempo e a Clara ficou sobrecarregada com a quantidade de movimentos e sons ao redor. Aprendi rápido que precisava adaptar essas experiências de forma mais individualizada.
E pra fechar aqui minha conversa com vocês, acho importante dizer que cada aluno aprende no seu ritmo e do seu jeito. A gente, como professor, tem que ser flexível e ter várias cartas na manga pra ajudar cada um a encontrar seu caminho nesse processo todo de aprendizado. E por hoje é isso! Espero ter ajudado vocês com esses exemplos do dia a dia na sala de aula.
Até a próxima!