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EF35EF12Educação Física · Ano · Ensino Fundamental - Anos Iniciais

Identificar situações de injustiça e preconceito geradas e/ou presentes no contexto das danças e demais práticas corporais e discutir alternativas para superá-las.

DançasDanças do Brasil e do mundo Danças de matriz indígena e africana
CE

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por professores com experiência em sala de aula · Atualizado para 2026

Olha, quando a gente fala dessa habilidade da BNCC, EF35EF12, a gente tá falando de ajudar os meninos a reconhecerem injustiças e preconceitos que podem rolar em práticas corporais, tipo danças. E isso é essencial, porque a dança é muito mais do que só mexer o corpo por aí. É expressão cultural, é história de vida de muitos povos, principalmente indígenas e africanos. Na prática mesmo, eu entendo que o aluno precisa conseguir olhar pra uma dança ou qualquer prática corporal e perceber quando tem alguma exclusão rolando. Tipo se alguém tá fazendo piada de uma dança indígena ou se alguém não tá deixando um colega participar porque acha que ele não tem o jeito pra aquilo.

Pra essa turminha do 4º Ano, eles já vêm com alguma bagagem do ano anterior. Eles já têm uma noção básica do que são práticas culturais e já ouviram falar de diversidade nas aulas de história e geografia. Então, o desafio é fazer essa conexão entre o que eles já sabem e a realidade das danças que estudamos. A ideia é que eles consigam perceber preconceitos até no dia a dia deles e pensem em maneiras de mudar isso.

No começo do semestre, eu planejei algumas atividades bem legais pra trabalhar isso com eles. Vou contar três aqui que funcionaram bem.

A primeira atividade é o "Círculo das Culturas". É bem simples: a gente usa um espaço amplo da quadra da escola e eu levo algumas músicas diferentes no celular. A ideia é formar um círculo grande com todos os alunos e, à medida que a música toca, cada um tem que tentar imitar o ritmo ou os movimentos principais da dança daquela cultura. A gente escuta música indígena, afro-brasileira, samba, forró... coisa curta, uns 2 minutos de cada. Depois disso, a gente para pra conversar: "Vocês conhecem essa dança? Já viram alguém fazendo? Como vocês acham que essa dança conta a história daquela cultura?" Os meninos ficam meio tímidos no começo, mas logo já querem mostrar o que sabem ou acham que sabem. Da última vez que fizemos, a Mariana perguntou se podia mostrar uma dança que viu o tio dela fazer numa festa de Moçambique. Foi legal ver como ela se empolgou e os colegas ficaram curiosos.

A segunda atividade é um "Teatro Improvisado". Aí a gente precisa de umas faixas de tecido colorido e alguns acessórios simples que já temos na escola. Divido a turma em pequenos grupos e dou um tempo pra eles prepararem uma mini encenação sobre uma situação de injustiça ou preconceito envolvendo danças ou qualquer prática corporal. Eles têm uns 15 minutos pra bolar tudo, depois cada grupo apresenta sua cena pros outros. O legal é que eles mesmos têm que pensar numa solução pro problema apresentado. Quando fizemos isso na semana passada, o grupo do Lucas fez uma cena sobre uma competição de dança onde só as meninas podiam participar e um menino queria entrar também. A solução deles foi conversar com os organizadores pra abrir a competição pra todos. O pessoal riu bastante, mas também refletiu sobre o tema.

A terceira atividade chama "Roda de Conversa Reflexiva". É mais tranquila e não precisa de material nenhum além da vontade de falar. Eu começo relembra algo que aconteceu recentemente na escola ou notícias sobre preconceito em danças ou práticas culturais. Depois abro pra quem quiser falar. Essa atividade não tem tempo certo, pode durar uma aula inteira se a conversa fluir bem. O importante é garantir que todo mundo tenha voz. Na última vez, o Pedro trouxe uma história sobre como num aniversário ele viu alguém imitando uma dança indígena de forma desrespeitosa e como aquilo deixou ele desconfortável. Aí foi um prato cheio pra discutirmos como reagir nessas situações.

O mais bacana dessas atividades é ver como os meninos vão mudando ao longo do tempo. Eles começam mais observadores e críticos ao próprio comportamento e ao dos outros. Claro que ninguém vira expert em reconhecer preconceito do dia pra noite, mas plantar essa sementinha é fundamental pra formar cidadãos mais conscientes.

E é isso aí! Acho que esse tipo de abordagem faz diferença lá na frente, quando eles forem jovens adultos decidindo como agir no mundo. E vocês aí, colegas professores? Como trabalham essa habilidade com suas turmas? Me contem!

continuando o post... Bom, aí você me pergunta, como que eu sei que os meninos entenderam essa habilidade sem dar uma prova formal? Eu gosto é de observar o dia a dia deles. Quando tô circulando pela sala, escuto as conversas, vejo como eles reagem às atividades que proponho. Tem hora que a gente dá aquela espiada e percebe se pegou mesmo a coisa no ar. Tipo assim, teve um dia que a turma tava fazendo um debate sobre danças tradicionais e a Luana virou e explicou pro João como algumas danças têm um significado muito além do movimento. Ela usou um exemplo ótimo de uma dança africana que a gente viu e falou sobre como é uma forma de resistência cultural. Na hora pensei: "ah, essa entendeu!"

Aí tem aqueles momentos em que um aluno tenta explicar pro outro algo que tá difícil de pegar. O Pedro tava com dificuldade em entender por que algumas piadas sobre dança podiam ser ofensivas. Aí a Maria sentou do lado dele e, com toda paciência do mundo, explicou como certas piadas reforçam estereótipos, e que isso não é legal. Quando eles começam a ter esse tipo de conversa entre si, é sinal de que tão entendendo.

Agora, os erros mais comuns... Olha, tem dois que aparecem direto. Primeiro é confundir o que é preconceito com opinião pessoal. Outro dia o Lucas disse que não gostava de uma dança específica e falou que isso era preconceito. Aí tive que parar tudo e explicar: "Lucas, não gostar é uma coisa sua, mas quando você desrespeita ou faz piada de quem gosta aí é preconceito". É comum essa confusão acontecer porque muitos ainda estão entendendo esses conceitos básicos de respeito e diversidade.

Outra situação engraçada foi com a Carol. A gente tava falando sobre inclusão e ela achou que inclusão era só chamar todo mundo pra participar. Mas na prática, inclusão é entender necessidade de cada um também. Tipo o Matheus, nosso aluno com TDAH. Pra ele, eu busco sempre atividades mais dinâmicas, algo que ele consiga se movimentar sem se perder no meio do caminho. A gente faz uns circuitos onde ele pode gastar energia sem perder o foco da atividade.

Já a Clara, que tem TEA, precisa de mais previsibilidade nas atividades. Então eu faço questão de preparar um calendário visual pra ela com o passo a passo das danças ou atividades do dia. Ajuda muito ela saber o que vem depois, deixa ela mais segura pra participar.

Ah! E teve aquela vez que tentei uma atividade com música super alta achando que ia animar todo mundo... foi um desastre! A música alta deixou a Clara desconfortável e o Matheus ainda mais agitado. Aprendi na marra que pra eles preciso equilibrar estímulo e calma. E desde então procuro sons mais suaves ou deixo eles escolherem as músicas juntos.

Na prática diária, cada um desses meninos me ensina mais do que eu poderia imaginar. E cada erro ou acerto é uma forma da gente crescer junto. Não tem fórmula mágica nem receita pronta... só tem atenção e vontade de fazer funcionar.

Bom, pessoal, por hoje é isso aí! Espero que as histórias e exemplos tenham ajudado a clarear como a gente consegue perceber essas habilidades no dia a dia da sala sem precisar aplicar prova formal. E como os tropeços dos meninos são na verdade grandes oportunidades de aprendizado pra nós todos.

Vou ficando por aqui e espero trocar mais ideias nos próximos posts! Até mais!

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