Olha, essa habilidade EF09CO09 da BNCC é bem interessante de trabalhar com a galera do 9º Ano. Na prática, o que a gente tá falando aqui é sobre ensinar os meninos a criar e usar conteúdo no meio digital com responsabilidade, pensando nos direitos autorais e no uso de imagem. Não é só sair tacando foto ou texto na internet sem se ligar nas consequências. Eles precisam saber que tudo tem um dono, né? Então, se vão usar um vídeo, uma música ou mesmo uma imagem, tem que saber quem fez aquilo e se pode usar. E não é só isso, também tem a ver com entender que a internet não é terra de ninguém. Tem leis, tem regras, e a gente precisa respeitar isso.
A turma já vem do 8º ano com uma noção básica de pesquisa na internet e até de criar uns trabalhinhos online, mas muitas vezes eles nem pensam em quem fez o material que eles estão usando. No 9º ano, a gente aprofunda essa conversa, mostrando que não é só questão de certo ou errado, mas de respeito e ética. E é nessa hora que eu trago algumas atividades práticas para ajudar eles a entenderem melhor essa história toda.
Uma das atividades que eu faço é um projeto de pesquisa sobre um tema que eles gostam. Pode ser música, cinema, esportes, qualquer coisa. A ideia é eles montarem uma apresentação digital usando imagens, vídeos e textos da internet. A primeira coisa que eu faço é explicar como funciona essa parada de direito autoral. Mostro exemplos de sites como Creative Commons e explico como procurar imagens que podem ser usadas legalmente. Durante o projeto, eles têm que anotar de onde tiraram cada material e colocar isso na apresentação. Isso leva umas duas semanas pra fazer direitinho e eu divido em grupos de quatro ou cinco alunos pra rolar uma colaboração e troca de ideias. Da última vez que fizemos isso, o João ficou surpreso ao descobrir que não podia usar a música completa do seu artista favorito sem pagar ou pedir autorização. Foi bem bacana ver ele entendendo isso na prática.
Outra coisa que eu faço é uma discussão em sala sobre o uso ético das redes sociais. Aí eu levo algumas notícias recentes sobre casos de violação de privacidade ou uso indevido de imagens pessoais. A ideia é provocar uma reflexão sobre como eles mesmos usam as redes sociais e o que pode acontecer se não tomarem cuidado com as informações que compartilham. A turma geralmente adora dar opinião, então essa conversa sempre rende bastante. Leva uma aula inteira fácil. Lembro da Maria comentando sobre uma situação em que uma foto dela foi compartilhada sem permissão num grupo da escola, e como isso a deixou desconfortável. Foi ótimo pra turma entender o impacto real disso.
Por último, tenho uma atividade mais prática com criação de conteúdo original. Os meninos usam tablets (quando estão funcionando!) pra criar pequenos vídeos sobre temas sociais importantes pra eles. A tarefa é criar tudo do zero: roteiro, filmagem, edição... E claro, apresentar pra turma no final. Aqui eles começam a ver como dá trabalho criar conteúdo e valorizam mais o trabalho dos outros. Essa atividade leva umas três semanas porque tem muitas etapas. A turma se empolga bastante e até os mais tímidos soltam a criatividade quando percebem que podem falar das coisas que realmente importam pra eles. Quando o Lucas apresentou um vídeo sobre bullying, causou um impacto danado porque ele usou relatos reais da galera da escola, mas com todo cuidado pra proteger as identidades.
No final das contas, acho que essas atividades ajudam muito os alunos a entenderem a importância do uso seguro e responsável da tecnologia. É muito bacana ver como essa consciência vai crescendo neles ao longo do ano letivo. E claro, essas são só algumas ideias – tem muito mais coisa legal pra fazer nesse tema! E aí na escola de vocês, como vocês têm trabalhado essa questão? Compartilha aí também! Valeu!
Agora, como é que eu percebo que os meninos realmente aprenderam o negócio, sem precisar fazer aquela prova formal, né? Bom, no dia a dia da sala de aula, a gente tem várias formas de perceber isso. Enquanto eu tô circulando pela sala, observando o trabalho deles nos computadores ou até mesmo nos cadernos, dá pra sacar quem pegou a ideia. Por exemplo, teve um dia que eu tava andando pela sala e vi a Júlia explicando pro Pedro como procurar imagens livres de direitos autorais. Ela tava ali, mostrando os sites que já falamos em aula, aqueles tipo Creative Commons, e explicando como conferir se as imagens eram de uso livre ou não. Aí você pensa: "Opa, ela realmente entendeu o recado!"
Outra coisa que me ajuda é ouvir as conversas entre eles. Se eles estão discutindo sobre o porquê de não poder pegar qualquer vídeo da internet pra usar no trabalho deles, já é um bom sinal. Tipo o dia que eu escutei o Lucas falando pra Aninha que "não é só sair pegando as coisas igual na feira", isso me fez rir um pouco por dentro, mas também me deixou seguro de que ele tá entendendo a seriedade do assunto.
E tem aqueles momentos que são super bacanas quando um aluno explica pro outro. Teve uma vez que o Rafael tava com dificuldade pra entender a coisa dos direitos de imagem e o Caio sentou do lado dele e começou a explicar usando exemplos do trabalho deles de história. Quando um aluno assume esse papel de professorzinho assim, você sabe que ele tá entendendo bem.
Mas claro que nem sempre é tudo flores. Tem erros que são bem comuns nesse conteúdo. Por exemplo, a Letícia uma vez tava fazendo uma apresentação e usou várias imagens sem crédito nenhum. Quando eu perguntei de onde ela tirou, ela ficou meio perdida e falou "da internet". Esse é um erro clássico: achar que só porque tá na internet é de graça e pode usar à vontade. Aí eu tive que parar tudo e voltar atrás pra explicar a importância de dar crédito aos autores. Falamos sobre como buscar pelas licenças e se realmente precisa daquela imagem ou se dá pra substituir por algo próprio.
Outro erro comum é não entender bem o conceito de plágio. O João, por exemplo, entregou um trabalho quase inteiro copiado de um site. Ele nem se ligou que isso também é desrespeitar os direitos autorais. Bom, além de explicar novamente sobre plágio, eu incentivei ele a reescrever com as próprias palavras e usar ferramentas como o Google Acadêmico pra encontrar artigos que ele pudesse citar corretamente.
Agora falando do Matheus, que tem TDAH, e da Clara, que tem TEA: trabalhar com eles exige algumas adaptações nas minhas atividades. Com o Matheus, eu tento usar mais recursos visuais e atividades práticas, porque ele se envolve mais quando tá "fazendo" algo em vez de só ouvindo explicação teórica. Também divido as atividades em etapas menores e dou mais tempo pra ele terminar cada uma. O uso de cronômetros visuais tem ajudado bastante a manter ele no foco.
Já a Clara é muito boa com detalhes, mas às vezes tem dificuldade para trabalhar em grupo ou para entender instruções mais abstratas. Pra ela, eu tento ser o mais claro possível nas instruções e uso recursos visuais como esquemas ou fluxogramas que ajudam a organizar as ideias dela. Também dou a opção dela trabalhar sozinha em algumas partes do projeto se isso fizer ela se sentir mais confortável.
Testei alguns aplicativos educativos pra ajudar ambos com essas questões de direitos autorais e uso mais consciente da internet, mas confesso que nem todos funcionaram bem. Alguns eram muito complexos ou tinham muitas informações desnecessárias pros dois. O jeito foi simplificar as informações e usar exemplos do cotidiano deles.
Bom pessoal, acho que por hoje é isso. Trabalhar essa habilidade requer paciência e criatividade da nossa parte como professores, mas ver eles entendendo e aplicando esse conhecimento é muito gratificante! Qualquer dúvida ou ideia nova sobre esse tema, podem compartilhar aqui no fórum! Abraço!