Olha, trabalhar a habilidade EF09CO10 na prática é um desafio e tanto, mas também é muito gratificante. No fundo, o que a gente tá tentando fazer é ajudar os meninos a entenderem esse mundão de informações que recebe todo dia. O aluno tem que ser capaz de olhar uma notícia, um post na rede social ou até mesmo uma pesquisa escolar e pensar: “Será que isso é verdade? Por que alguém postou isso? Isso é importante pra mim?” Na prática, eles têm que saber diferenciar o que é informação confiável do que é boato. E mais: saber quais ferramentas tecnológicas usar para se expressar e resolver problemas. É como dar a eles uma lente crítica pra observar a sociedade digital em que vivem.
Na série anterior, lá no 8º ano, a turma já começou a entender um pouco sobre fontes seguras e fake news. A gente trabalhou com algumas notícias falsas bem conhecidas pra debater em sala. Então, agora no 9º ano, aprofundamos isso e tentamos conectar com o uso de tecnologias pra comunicação e resolução de problemas. É como se a gente estivesse colocando um alicerce e agora começando a construir as paredes da casa.
Uma das atividades que eu gosto muito de fazer se chama "Caça ao Tesouro da Informação". Basicamente, eu levo algumas matérias impressas de diferentes jornais e sites (alguns conhecidos pela credibilidade, como a Folha de S.Paulo, e outros nem tanto). Divido a turma em grupos de quatro ou cinco alunos. Cada grupo recebe um conjunto de matérias e deve avaliar cada uma em questão de veracidade, credibilidade e relevância. A ideia é que eles discutam entre si antes de chegar a um consenso. Geralmente levo uma aula completa pra essa atividade. Na última vez que fizemos isso, o João e a Mariana tiveram uma discussão boa sobre uma notícia de saúde que parecia verdadeira, mas tinha dados inflacionados. Foi bacana ver como eles conseguiram argumentar citando outras fontes que já tinham visto.
Outra atividade bacana é o "Desafio das Fake News". Aqui a coisa muda um pouco: os alunos têm que criar suas próprias fake news sobre temas inventados (nada sério ou sensível). Depois da criação, cada grupo apresenta suas fake news pros outros grupos, que precisam tentar identificar qual notícia é falsa e por quê. Isso ajuda os meninos a pensarem na construção de uma notícia falsa e nos elementos que fazem algo parecer verdadeiro quando não é. Lembro que quando fiz isso da última vez, o Lucas criou uma notícia tão absurda sobre o "descobrimento" de uma nova espécie de animal capaz de voar embaixo d'água que fez todo mundo cair na gargalhada. Apesar do tom descontraído, eles aprenderam muito sobre os elementos persuasivos usados em notícias falsas.
E também faço um trabalho com podcasts na aula. Os meninos adoram tecnologia, né? Então, eles têm que criar um podcast curto discutindo um tema atual, tipo os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho. Primeiro, eu mostro alguns exemplos de bons podcasts (uso meu próprio celular pra isso) e depois os alunos se dividem em duplas pra gravar usando aplicativos gratuitos nos próprios celulares ou tablets da escola. Normalmente isso leva umas duas aulas: uma pra planejamento e gravação e outra pra apresentação dos podcasts. Da última vez, o Pedro e a Júlia fizeram um podcast superinteressante sobre como as fake news influenciam eleições e me surpreenderam ao citar estudos reais que encontraram online.
Essas atividades não só ajudam os alunos a desenvolverem um olhar mais crítico sobre o mundo digital mas também permitem práticas colaborativas. Eles aprendem com o erro dos outros, discutem ideias diferentes e aprendem a valorizar fontes confiáveis. E mais importante ainda: começam a perceber como as tecnologias podem ser ferramentas poderosas quando bem utilizadas.
No final das contas, fazer tudo isso dá trabalho, mas ver os meninos crescendo como cidadãos críticos vale cada minuto investido. É uma satisfação enorme ver eles saindo prontos pra enfrentar as complexidades desse mundo digital maluco em que vivemos hoje. Bom demais ver eles questionando tudo ao redor e não aceitando qualquer coisa como verdade absoluta. E por aí vai... é esse o caminho!
Aí, pessoal, continuando aqui sobre a habilidade EF09CO10, vou contar como eu percebo que os meninos aprenderam de verdade, sem fazer aquela prova formal. Olha, quando tô circulando pela sala de aula, eu gosto mesmo é de ficar atento aos papos, às expressões. Quando tô lá caminhando entre as mesas, ouço umas conversas boas demais. O aluno que entendeu mesmo começa a fazer perguntas mais profundas ou até explicar pro colega do lado. Esses dias, o Pedro tava explicando pra Sofia sobre como saber se uma notícia na internet era confiável, ele falou: "É tipo quando você vê uma notícia sensacionalista, vê quem postou, vê se tem fonte confiável. É igual naquele site tal…" Aí eu pensei: "Esse aí já pegou a ideia".
Outra coisa é na hora dos trabalhos em grupo. Eu sempre deixo um tempo pra eles trocarem ideias. É incrível ver quando um aluno ajuda o outro a enxergar o que ele não via antes. A Maria tava com umas dúvidas sobre como usar umas ferramentas online pra fazer pesquisa e o João foi lá e disse: "Maria, lembra do que o professor falou? Clica aqui e vê essas opções de filtro". Esse tipo de interação só rola quando eles já estão começando a pegar a coisa.
Agora falando dos erros que eles cometem, isso já é outra história. Um erro comum é acreditar em tudo que lêem na internet, sem questionar nada. O Lucas, por exemplo, chegou um dia todo empolgado com uma matéria que viu sobre alienígenas. "Professor, você viu isso?" E eu fui lá e usei isso como exemplo pra turma toda: "Gente, vamos checar essa informação? Quem escreveu? Onde tá a fonte?". Isso acontece porque a gente vive inundado de informação e eles ainda não têm o hábito de duvidar. Quando pego esses erros na hora, levo como oportunidade de ensinar. Faço perguntas que provocam: "Por que você acha que isso é verdade?".
E sobre os desafios com o Matheus e a Clara, cada um tem suas necessidades e eu acho super importante adaptar as atividades pra eles. O Matheus tem TDAH e precisa de mais movimento e pausas durante a aula. Então faço intervalos curtos onde ele pode andar um pouco pela sala ou dar uma volta pelo pátio rapidinho. Deixo ele usar fones de ouvido quando acha que tá sendo muito barulho ao redor e precisamos focar em algo importante.
Já a Clara, que tem TEA, se beneficia muito de uma estrutura clara e previsível. Eu sempre começo as aulas com um cronograma no quadro e explico cada passo da atividade do dia para ela saber o que esperar. Tem vezes que uso material visual extra pra ajudar ela a compreender o conteúdo de forma mais concreta.
Uma coisa que não funcionou foi quando tentei misturar muitas atividades de uma vez só, pensando em dar dinamismo à aula pro Matheus. Ele acabou ficando mais disperso ainda. Aí aprendi que menos é mais e comecei a dividir as atividades em blocos menores.
Bom, pessoal, é isso aí! Cada dia é um aprendizado diferente na sala de aula e essas experiências fazem a gente crescer como professor também. Espero que essas histórias possam ajudar vocês nas suas salas de aula ou pelo menos dar uma ideia do que rola por aqui. Vamos trocando ideias por aqui! Até mais!