Olha, galera, quando a gente fala dessa habilidade EF15CO08 da BNCC, a ideia é entender como os meninos e as meninas vão usar as tecnologias que eles já conhecem e por aí vai, pra resolver problemas, se expressar e, principalmente, criticar e pensar de forma criativa. É mais do que saber mexer no computador, é usar isso tudo pra fazer algo útil. No 3º ano, eles já chegam com uma certa noção de tecnologia básica. Eles sabem o que é um computador, sabem mexer em algumas coisas simples, porque hoje em dia a criançada já nasce com um celular na mão, né? Mas a gente tem que ir além disso. A gente precisa ajudar a molecada a ver que dá pra usar essas tecnologias de forma inteligente.
Tipo assim, a primeira coisa que eu sempre tento fazer é mostrar que o computador não é só pra jogo ou ver vídeo. Aí eu dou uns exemplos da vida real. Por exemplo, se eles querem saber alguma coisa sobre animais pra uma pesquisa de ciências, eles podem usar o Google pra isso. Mas não é só jogar a pergunta lá e aceitar a primeira resposta que aparece. Tem que saber buscar informações confiáveis, entender o que tá lendo e depois saber explicar aquilo com as próprias palavras. É isso que eu quero que eles consigam fazer.
Agora vamos às atividades. Uma das coisas que eu faço é o "Desafio do Detetive". Eu levo os meninos pro laboratório de informática da escola, tem umas 10 máquinas lá. Eles ficam em duplas ou trios, depende do número de alunos presentes no dia. Eu dou umas pistas impressas sobre uma história fictícia de mistério. Por exemplo, “O sumiço do cachorro do vizinho”. Eles têm que pesquisar na internet diversas informações pra resolver o caso: conhecer raças de cachorro, pesquisar horários possíveis para o sumiço olhando tabela de tempo (clima), coisas assim. Isso leva uma aula inteira, uns 50 minutos. Eles ficam super empolgados! Da última vez, a Maria e o João conseguiram resolver o mistério antes do tempo com uma criatividade fantástica! Eles deram um palpite sobre o cachorro ter fugido por causa de um trovão forte naquele dia. Foi muito legal ver como eles pensaram fora da caixinha.
Outra atividade que faço é o "Jornal da Turma". Aqui a ideia é trabalhar como repórteres digitais. A cada mês, eles têm um tema sobre algo da escola ou do bairro. Eles têm que pesquisar notícias reais na internet, entrevistar pessoas (mesmo que seja só os coleguinhas ou professores) e depois escrever um texto curto no computador usando um editor de texto simples como o Word ou Google Docs. O mais legal é quando eles escolhem temas do interesse deles; uma vez o Pedro quis falar sobre o novo parquinho da escola e se chateou porque ainda tava sem balanço. Eles ficam em grupos de quatro ou cinco pra juntar mais cabeças pensando juntas. Essa atividade leva umas três aulas porque tem busca de informação, escrita e depois apresentação pros colegas. Quando a Ana apresentou sobre a feira do bairro e pôde mostrar fotos que ela mesma tirou com uma câmera digital velha minha (que deixo pra usarem nas atividades), a turma toda ficou vidrada!
A última atividade é "Criação de Histórias com Animação". Essa funciona melhor no final do semestre quando eles já tão mais acostumados com várias habilidades tecnológicas. Uso um software bem básico de animação tipo Scratch porque ele tem uma interface intuitiva pros pequenos. A turma faz duplas ou trios novamente e fica responsável por criar uma historinha animada sobre algum tema livre ou às vezes relacionado ao currículo mesmo, tipo alimentação saudável ou meio ambiente. Normalmente leva umas duas aulas inteiras pra fazerem as animações simples e depois mais uma aula só pra apresentação dos trabalhos deles na frente dos amigos. Da última vez teve uma dupla formada pelo Lucas e pela Beatriz que fez uma história sobre dinossauros vivendo nos dias atuais; foi hilário ver os dinossauros tentando entender como usar um smartphone! E essa parte criativa faz parte do processo porque precisam imaginar narrativas novas usando ferramentas tecnológicas.
Enfim, essas atividades são maneiras da garotada usar tecnologia não só pra brincar mas também pra pensar criticamente e criar coisas novas. E sem contar que ainda desenvolvem outras habilidades como trabalho em equipe e comunicação. No fim das contas, o desafio é sempre esse: transformar a curiosidade deles em aprendizado significativo usando as ferramentas digitais como aliadas e não apenas distração. E você aí, como tem feito na sua sala?
Então, continuando sobre essa habilidade EF15CO08, perceber que os alunos estão entendendo o conteúdo sem aplicar uma prova formal é algo que a gente vai desenvolvendo com o tempo. É aquele feeling de professor, sabe? Quando eu circulo pela sala, eu fico muito atento. Tipo assim, se eu vejo a Júlia explicando pro Caio como fazer alguma coisa no computador e ela tá usando termos do que a gente discutiu em aula, aí eu penso "opa, essa aí tá ligada". O mesmo acontece quando ouço eles conversando entre si. Outro dia, eu tava passando ali perto do grupo do Pedro e da Luana, e eles estavam falando sobre como criar uma apresentação mais criativa. Eles tavam empolgados, tentando decidir qual aplicativo usar. Fiquei só ouvindo e deu pra ver que eles tavam compreendendo bem a ideia de escolher ferramentas diferentes dependendo do objetivo.
Agora, tem uns momentos que são quase mágicos. Teve uma vez que eu pedi pra eles criarem uma história em quadrinhos usando um aplicativo no tablet. Aí o Lucas começou a explicar pro Gabriel como ele tava usando um recurso pra fazer o fundo da história parecer mais dinâmico. Eu fiquei só observando de longe e pensei "esse entendeu como usar a tecnologia pra se expressar, é isso". É nessas horas que a gente percebe claramente que os alunos não só entenderam, mas estão usando o conhecimento de forma prática e criativa.
Bom, falando dos erros comuns... Ah, isso acontece direto! A Sofia, por exemplo, sempre tem dificuldade com a parte de salvar o trabalho. Ela faz um monte de coisa bacana no computador, mas na hora de salvar as mudanças, muitas vezes esquece e acaba perdendo tudo. Isso acontece porque às vezes os meninos e meninas se empolgam tanto com o que estão fazendo que esquecem dos procedimentos básicos. Quando eu percebo que ela tá nessa situação, eu dou um toque rápido: "Sofia, já salvou o teu trabalho?" E assim vou reforçando a importância dessas etapas.
Outro erro comum é na hora de usar as ferramentas online. O João tem essa mania de fechar tudo sem querer e depois me chamar dizendo que sumiu o mundo dele. Isso geralmente acontece por falta de paciência ou por clicar sem prestar muita atenção. Pra ajudar nisso, sempre reforço o passo a passo nas atividades e coloco lembretes visuais pela sala pra guiá-los.
Agora quando falamos do Matheus que tem TDAH e da Clara que tem TEA, as abordagens precisam ser ajustadas. O Matheus é aquele menino cheio de energia e que perde o foco rapidamente. Com ele, eu tento segmentar as atividades em partes menores e dou intervalos curtos pra ele se mover um pouco mais. Atividades práticas funcionam bem com ele, tipo usar jogos educativos que prendam a atenção dele por mais tempo. Lembro que uma vez tentei uma atividade longa demais e não deu certo. Ele simplesmente não conseguiu se concentrar. Aprendi que com ele o segredo é sempre variar as atividades.
A Clara é mais tranquila, mas precisa de instruções muito claras e diretas por conta do TEA. Com ela, uso muito suportes visuais: figuras grandes, ícones bem claros nos materiais digitais. Quando ela vê o que precisa fazer em cada etapa fica muito mais fácil pra ela seguir adiante sem se perder no meio do caminho.
Em ambos os casos, tento não deixar eles sobrecarregados com muitas informações ao mesmo tempo. O importante é eles sentirem que estão acompanhando no ritmo deles e não ficarem ansiosos por conta disso.
Bom pessoal, acho que é isso por hoje. Espero que essas experiências ajudem vocês aí também na sala de aula. Se tiverem dicas ou quiserem compartilhar algo daí das experiências de vocês, tô sempre por aqui pra trocar uma ideia! Abraços!