Olha, essa habilidade EF15AR21 da BNCC, eu entendo como uma coisa super bacana que mexe com a criatividade e a empatia dos meninos. Deixa eu explicar, é tipo assim: a gente quer que a criançada não só brinque de faz de conta, mas que ela realmente entre na pele dos personagens, use a imaginação pra ressignificar objetos e situações do dia a dia, e entenda como é estar no lugar do outro. É meio que transformar um cabo de vassoura em um cavalo e sair por aí vivendo uma aventura. E mais do que isso, eles têm que pensar sobre o que tão fazendo, refletir. Não é só brincadeira sem propósito. Quando o aluno consegue isso, ele não só tá desenvolvendo habilidades cênicas, mas também tá aprendendo a se colocar no lugar do outro, algo que é importante pra vida inteira.
Considerando o que os meninos já aprenderam nos anos anteriores, eles já vêm com uma noção básica do faz de conta e da importância do jogo simbólico. No 1º e 2º anos, eles já tiveram contato com atividades de teatro mais livres, onde o foco era mais na expressão corporal e nas emoções. Agora no 3º ano, é hora de dar um passo além e tornar essa brincadeira mais intencional e reflexiva. Eles precisam começar a pensar sobre o personagem: quais são os sentimentos dele? Quais são as motivações dele? E como eles, enquanto atores mirins, podem demonstrar isso pro público?
Bom, vou contar aqui três atividades que rolam lá com minha galerinha do 3º ano.
A primeira atividade é chamada de “A Caixa Mágica”. É bem simples e divertida. Eu levo uma caixa grande de papelão pra sala e encho ela com objetos bem diversos: um chapéu velho, uma colher de pau, um pedaço de pano colorido, uma máscara de carnaval... Coisas que a gente acha em casa mesmo. A turma fica em círculo e cada aluno vem à frente pegar um objeto da caixa. Depois que todo mundo escolheu um objeto, eu peço pra eles pensarem em quem ou o quê aquele objeto pode se transformar. Então cada um precisa contar uma pequena história sobre o seu objeto e encenar uma situação onde ele é usado. Essa atividade leva uns 40 minutos no total. Os meninos adoram porque é bem livre e eles podem soltar a imaginação. Na última vez que fizemos isso, a Ana pegou um guarda-chuva quebrado e disse que ele era na verdade uma asa de fada mágica. A galera toda embarcou na ideia dela e foi uma delícia ver a criatividade fluindo.
A segunda atividade é o “Teatro das Emoções”. Aqui eu uso cartões coloridos, cada um com o nome de uma emoção – alegria, tristeza, medo, raiva... Eu divido a turma em pequenos grupos de três ou quatro alunos. Cada grupo sorteia um cartão e precisa criar uma cena curta mostrando aquela emoção sem usar palavras, só com expressões faciais e gestos. Eu dou uns 20 minutos pra eles pensarem na cena e depois apresentam pro restante da turma. Os colegas têm que adivinhar qual emoção está sendo representada. As crianças se divertem muito tentando adivinhar e muitas vezes acabam rindo com as situações engraçadas que surgem sem querer. Na última vez que fizemos isso, o grupo do Pedro teve que representar "medo". Eles montaram uma cena super dramática onde estavam presos numa casa assombrada. O Pedro deu um grito tão realista que até me assustou! A turma toda caiu na risada.
A terceira atividade é “História Coletiva Encena”. Aqui eu trabalho com textos curtinhos ou imagens que sirvam como ponto de partida pra criação de uma história coletiva. Eu divido a turma em grupos maiores dessa vez (seis ou sete alunos). Cada grupo recebe um texto pequeno ou uma imagem e precisa criar uma cena completa em cima disso. Eles têm uns 30 minutos pra planejar tudo: quem são os personagens, qual é o enredo da história, como vão usar os recursos disponíveis (cadeiras podem virar janelas, a mesa pode ser um carro...). Depois todos apresentam suas cenas para os colegas. Essa atividade costuma ser mais demorada porque sempre rola muita empolgação na hora das apresentações. Lembro da última vez que fizemos isso: o grupo da Luísa pegou uma imagem de dois pinguins num iceberg e transformou numa cena onde os pinguins tinham perdido seu iglu e estavam pedindo ajuda pros outros animais do Polo Sul pra encontrá-lo. A criançada improvisou até sons dos animais, foi maravilhoso!
E assim vou tocando essas atividades com os meninos. Cada dia é uma surpresa diferente e eu acabo aprendendo muito com eles também nessa construção coletiva da arte! É isso aí pessoal, espero que essas dicas ajudem vocês a animar suas aulas de Arte também! Abraços!
Aí, é o seguinte: quando eu quero ver se os meninos entenderam essa tal habilidade, eu não fico só esperando uma prova ou algo escrito, não. Eu ando pela sala, fico de olho nas conversas, nas trocas entre eles. Dá pra perceber muito nesse momento. Tipo assim, é como quando tô olhando a turma durante uma atividade de teatro. A Marcela, por exemplo, tava improvisando uma cena com o João e, na hora, ela pegou uma folha de papel e começou a usar como se fosse um mapa do tesouro. Aí você percebe que ela entendeu bem a questão de ressignificar objetos e criar uma história em cima disso. E quando ela explica pro João que aquele papel é um mapa e ele embarca na ideia dela, aí meu amigo, tá claro que os dois estão entendendo a proposta.
Outro dia, o Pedro tava explicando pro Lucas como eles podiam transformar as cadeiras da sala numa espécie de castelo. Aí o Pedro disse: "Imagina que isso aqui é tipo uma torre de vigia!" E o Lucas completou: "E aqui é onde a gente se esconde dos dragões!" Quando vejo esse tipo de interação, sei que eles tão realmente absorvendo a ideia de se colocar no lugar do outro e usar a imaginação com propósito.
Agora, falando dos erros mais comuns, tem sempre aquela confusão básica. Tipo, a Larissa às vezes fica presa na ideia de que a atividade tem que ser exatamente como ela pensou no começo. Outro dia, ela queria que o bastão fosse uma espada, mas não conseguiu aceitar as sugestões dos outros de transformar aquilo em outra coisa ao longo da brincadeira. É aí que entra minha função de mediador. Eu chego e tento mostrar como é legal abraçar as ideias dos outros também, transformar o cenário todo junto. Aí explico que arte é esse diálogo constante entre o que a gente imagina e o que os outros trazem pra cena.
Os erros muito vêm por conta dessa dificuldade de soltar um pouco as rédeas da imaginação e também de ouvir a visão do coleguinha. A solução que eu tento aplicar é aproveitar esses momentos pra falar sobre como a arte pode ser colaborativa e rica quando a gente junta as ideias.
Agora deixa eu falar do Matheus e da Clara. O Matheus tem TDAH e precisa de mais estrutura na atividade. Tipo assim: dou instruções bem claras e curtas pra ele. Ao invés de dizer "faça uma cena", eu desmembro em etapas: "Agora finge que tá pegando um objeto", "Transforma esse objeto". E funciona bem dividir o tempo em blocos pequenos porque ele consegue manter a concentração por períodos mais curtos.
Com a Clara, que tem TEA, eu preciso ajustar o ambiente pras necessidades dela. Isso significa minimizar os estímulos visuais e sonoros quando percebemos que ela tá começando a se desorganizar. Uma coisa que ajudou muito foi usar cartões visuais pra ela entender melhor a sequência das atividades. Visualizar as etapas faz muita diferença pra ela.
Teve uma vez que tentamos fazer uma atividade ao ar livre e foi caótico porque o ambiente tinha muitos estímulos pro Matheus e pra Clara. Então, aprendi que atividades em locais mais controlados são melhores pra eles. Por outro lado, atividades com música calma funcionaram bem pra ambos; ajuda a criar um foco natural.
Olha, cada dia é um aprendizado diferente com esses dois. Eu vejo que ajustar o jeito da atividade faz toda diferença pra eles participarem junto com a turma sem se sentirem perdidos ou sobrecarregados.
Bom, é isso aí pessoal! Acho que já falei demais por hoje. Mas assim é o nosso cotidiano na sala de aula, né? Sempre cheio de surpresas e aprendizados. Adoro compartilhar essas coisas com vocês porque sei que cada um aí do outro lado também tem suas histórias e truques na manga! Vamos trocando essa ideia sempre! Abraço!