Olha, a habilidade EF15AR04 da BNCC, que fala sobre experimentar diferentes formas de expressão artística, é basicamente dar a chance pros meninos explorarem tudo quanto é tipo de arte. É fazer eles meterem a mão na massa com desenho, pintura, colagem... até coisa que a gente às vezes nem pensa, tipo escultura ou fotografia. É colocar eles pra testar e sentir como cada material e técnica funciona, sempre pensando em usar os materiais de forma sustentável, sem desperdiçar. O lance é ajudar eles a desenvolverem a criatividade e expressarem o que sentem de uma maneira livre, mas consciente.
A turma já vem com uma base do ano anterior, sabe? No 1º Ano, os meninos já têm uma noçãozinha de desenho e pintura básica. Eles estão começando a pegar aqueles lápis de cor e já sabem que precisam cuidar bem deles, não quebrar as pontas toda hora. Aí, quando chegam no 2º Ano, é mais fácil introduzir outras técnicas porque eles já têm esse cuidado inicial com o material. O que eu quero é que eles percebam que a arte não tem um jeito certo de fazer. Não tem que ficar igualzinho ao exemplo do livro. Na verdade, quanto mais diferente e pessoal, melhor.
Agora vou contar umas atividades que faço com eles pra gente trabalhar essa habilidade. Uma das atividades que a galera adora é a pintura com materiais naturais. A gente sai ali no pátio da escola pra coletar folhas secas, galhos, pedrinhas... qualquer coisa que dê pra usar como pincel. Eu levo umas tintas atóxicas e uns papéis reciclados. Divido os alunos em grupos pequenos de quatro ou cinco porque acho que assim eles conseguem se ajudar mais e compartilhar ideias. Essa atividade leva mais ou menos uns 40 minutos. É legal porque as crianças adoram ver como dá pra fazer texturas diferentes só mudando o objeto usado pra pintar. Teve uma vez que o Joãozinho usou uma folha de mamona como pincel e ficou encantado com o desenho das nervuras que apareceram no papel. As meninas do grupo dele quiseram copiar a ideia dele e saiu cada coisa linda!
Outra atividade bacana é a colagem com materiais reciclados. Nessa a gente usa revista velha, jornal, embalagem de papelão de caixa de suco, essas coisas. Peço pros alunos trazerem esses materiais de casa durante uma semana. Depois a gente senta em roda na sala e começa a recortar figuras e letras pra montar painéis temáticos sobre algo que esteja acontecendo na escola ou no mundo. Essa atividade demora um pouco mais, geralmente umas duas aulas seguidas de 50 minutos, porque envolve muita criação e montagem. Na última vez que fizemos isso, eu lembro do Miguelzito todo orgulhoso mostrando um cartaz sobre preservação da natureza. Ele tinha colado várias imagens de árvores e animais recortadas das revistas, ficou muito bonito!
Uma coisa bem legal também é trabalhar com dobradura e origami simples. Eu levo aqueles papéis coloridos próprios pra origami e ensinei pros meninos algumas dobraduras fáceis, tipo barquinho e aviãozinho. Eles ficam todos empolgados tentando acertar as dobras e depois disputando qual avião voa mais longe lá no pátio! Essa atividade é geralmente rápida, uns 30 minutos dá pra fazer numa aula só, mas o desafio maior é conseguir ensinar as dobras direitinho sem confundir tudo. Uma vez o Pedrinho tava achando difícil demais fazer o passarinho e quase desistiu, mas aí a Luana foi lá ajudar ele e no final ele conseguiu até inventar um novo jeito de dobrar!
E aí é isso mesmo, né? A ideia dessas atividades é instigar os meninos a usarem a criatividade sem medo de errar. A gente vai trabalhando essa habilidade aos poucos, mostrando novos caminhos e possibilidades dentro da arte. E o mais bacana é ver como cada um se expressa de um jeito único usando os materiais disponíveis. Espero ter ajudado aí quem estiver pensando em como colocar essa habilidade em prática na sala de aula! Valeu!
A turma do primeiro ano, quando tá envolvida nessas atividades mais práticas, me dá várias pistas de que eles tão sacando a parada da habilidade EF15AR04, mesmo sem ter uma prova formal no meio. Aí você pode perguntar: "Mas, Carlos, como é que você sabe que eles aprenderam?". Bom, é assim: quando eu tô circulando pela sala e noto que o Lucas tá explicando pro Rafael como misturar as tintas pra conseguir uma cor específica, ou quando a Julia mostra toda empolgada pra amiga dela um desenho que ela fez e diz "olha só o que eu consegui fazer com o lápis de cera", eu sei que eles captaram o espírito do negócio. Às vezes, só de ouvir as conversas entre eles, já dá pra perceber. Tipo quando um fala pro outro "não precisa copiar, faz do seu jeito", ou seja, eles estão se apropriando da ideia de que não existe certo ou errado no processo artístico, mas sim a experimentação e o toque pessoal de cada um.
Outro dia mesmo, a Isabela tava explicando pro João como fazer uma colagem usando recortes de revista e folhas secas. Ela falou tão direitinho sobre combinar texturas e cores que eu pensei "ah, essa entendeu mesmo". É na troca entre eles, nesses pequenos momentos do dia a dia, que vejo o aprendizado acontecendo de forma orgânica.
Agora, falando dos erros comuns, tem sempre aqueles tropeços que a galera dá. Um exemplo clássico é quando o Pedro tenta fazer uma escultura usando argila e acaba ficando frustrado porque não saiu do jeito que ele imaginava. Isso acontece porque eles ainda estão desenvolvendo a coordenação motora e também porque às vezes têm dificuldades em visualizar o resultado final. Nessas horas eu chego junto e mostro que errar faz parte do processo de aprender, e que a argila pode ser modelada de novo até chegar num resultado legal.
Outra situação comum é quando a Maria tenta fazer uma pintura toda elaborada mas acaba misturando tantas cores que vira tudo um marrom sem graça. Isso é normal na fase inicial de experimentação com as tintas. Eu costumo sugerir pra ela dar uma olhada nas cores antes e pensar em quais combinam melhor. Às vezes mostro umas obras de artistas conhecidos pra ela ver como as cores podem ser usadas de formas diferentes.
A gente também tem na turma o Matheus e a Clara. O Matheus tem TDAH e a Clara tem TEA, então procuro ajustar as atividades pra que eles se sintam confortáveis e participem junto com os outros. Pro Matheus, deixar o ambiente mais organizado ajuda bastante. Aí eu crio um esquema de passos pra ele seguir quando tá fazendo alguma atividade artística. Por exemplo, se ele vai pintar, primeiro ele escolhe as tintas, depois prepara o papel, e assim por diante. Isso ajuda ele a se concentrar numa coisa por vez, sem ficar perdido no meio da bagunça.
Com a Clara é um pouco diferente. Eu percebi que ela responde muito bem a estruturas previsíveis. Então sempre explico antes como será a atividade daquele dia e dou exemplos visuais do que vamos fazer. Outra coisa que ajuda é dar tempo extra pra ela concluir as tarefas ou permitir que ela continue explorando um material específico por mais tempo se ela estiver interessada.
Uma coisa bem legal é usar materiais sensoriais, tanto pro Matheus quanto pra Clara. Tipo massa de modelar com texturas diferentes ou papéis com relevos. Já tentei usar sons durante as atividades mas percebi que isso não funcionou muito bem com a Clara porque acabou distraindo ela mais do que ajudando.
Bom, gente, acho que é isso. Cada dia na sala de aula é uma nova descoberta tanto pra mim quanto pros meninos. E ver eles evoluindo nesse caminho das artes é gratificante demais. Espero ter ajudado vocês com algumas dicas ou pelo menos dado uma ideia de como faço por aqui. Se alguém tiver outras experiências ou truques bacanas pra compartilhar, vou adorar saber! Até a próxima!