Fala, pessoal! Hoje eu queria compartilhar com vocês como eu trabalho a habilidade EF05MA02 da BNCC aqui com a galera do 5º ano. Olha, esse negócio de ler, escrever e ordenar números racionais na forma decimal é super importante, né? Na prática, o que eu entendo é que os meninos precisam saber lidar com aqueles números que têm vírgula, saca? Tipo 3,5 ou 0,25. Eles têm que entender de onde vem essa vírgula, o que ela significa, e conseguir colocar esses números numa reta numérica pra entender qual número é maior ou menor. Eles também precisam entender como quebrar esses números em partes menores — como 3,5 ser o mesmo que 3 inteiros e 5 décimos — e remontá-los de novo. Parece complicado, mas na verdade é só uma continuação do que eles já vêm aprendendo desde as séries anteriores sobre números inteiros e as operações básicas.
A primeira atividade que eu faço é bem simples e usa material que todo mundo tem em casa: papel e lápis. A gente começa com a boa e velha composição e decomposição dos números decimais. Eu peço pra eles desenharem uma tabela no papel com três colunas: uma pra unidade, outra pra décimos, e a última pra centésimos. Aí dou alguns números decimais pra eles escreverem ali. Por exemplo, o número 3,47 seria escrito como 3 na coluna das unidades, 4 na dos décimos e 7 nos centésimos. Depois, a gente decompõe esse número juntos: eles escrevem que 3,47 é igual a 3 + 0,4 + 0,07. Geralmente faço isso na parte da manhã, uns 30 minutos dá conta. A reação dos alunos sempre varia — alguns fazem rapidinho e outros demoram um pouco mais. Lembro que da última vez a Ana Luiza ficou super empolgada quando conseguiu compor e decompor os números rapidinho. Ela até ajudou o João Pedro no fim! É legal ver esse tipo de cooperação aparecer.
A segunda atividade envolve usar uma reta numérica no chão da sala de aula. Eu pego fita crepe ou giz (dependendo se o chão é de azulejo ou cimento) e faço uma linha bem grande no chão. Depois divido essa linha em partes iguais e marco os números inteiros — tipo 0, 1, 2 e assim por diante — e algumas posições decimais entre eles. Os alunos recebem cartões com um número decimal escrito neles e têm que se posicionar na reta numérica no lugar certo. Essa aí já toma um pouco mais de tempo, uns 45 minutos a uma hora. Os meninos ficam bem animados porque vira uma espécie de competição pra ver quem acha o lugar certo mais rápido. Sempre tem aquele aluno que dá um jeito de inovar. Da última vez foi o Lucas que resolveu pular até o ponto dele na reta ao invés de andar normalmente! A sala toda caiu na gargalhada.
A terceira atividade é "a feira decimal". Eu trago alguns itens pequenos pro sala — tipo assim balas, borrachinhas ou lápis — e coloco preços decimais neles: R$0,50, R$1,75 e por aí vai. Os alunos ganham um orçamento fictício (uns R$5) pra gastar e precisam calcular quanto podem comprar sem estourar o valor. O legal é que isso vira um exercício de vida real pra eles do uso dos decimais! Ponho eles em duplas ou trios pra que possam discutir entre si as melhores opções de compra. Essa leva umas duas aulas pra dar tempo deles planejarem bem as compras e depois apresentarem o que compraram e quanto sobrou do orçamento. Na última vez o Miguel fez questão de calcular tudo sozinho sem ajuda da dupla dele (a Isa), mas depois reconheceu que trabalhar junto seria mais rápido! É sempre um jeito prático de mostrar como os decimais aparecem no dia a dia.
Bom, pessoal, essas são algumas formas que eu aplico essa habilidade com a turma do 5º ano aqui em Goiânia. Eu gosto bastante dessas atividades porque elas são bem práticas e ajudam os meninos a verem sentido nos números além do papel. Espero que tenha dado algumas ideias aí pro pessoal do fórum também!
Abraço!
Aí, na hora de perceber que a galera tá realmente sacando o lance dos números decimais, eu não fico só na prova, não. É no dia a dia mesmo, no meio da aula, que dá pra ver quem tá entendendo e quem ainda tá meio perdido. Sabe quando você dá aquela circulada pela sala e escuta as conversas entre eles? Bom, é nessa hora que eu capto muito do que tá rolando.
Teve uma vez que eu tava passando pelas mesas e ouvi a Mariana explicando pro João como comparar 0,4 com 0,35. Ela falou: "João, olha só, é como se fosse dinheiro. Tipo, 0,4 é igual a 40 centavos e 0,35 é 35 centavos. Qual que é maior?” Aí, na hora que ela deu esse exemplo, eu pensei: “Puts, a Mariana entendeu o espírito da coisa!” É gratificante ver quando um aluno consegue explicar pro outro e o outro faz aquela cara de “Ahhh, saquei!”.
Outra coisa que eu percebo muito é quando eles começam a usar o conhecimento de forma natural no meio de outras atividades. Tipo assim, se a gente tá fazendo algum jogo ou desafio envolvendo pontos ou medidas e os meninos começam a colocar os números decimais na conversa de modo certeiro, aí eu vejo que internalizaram mesmo.
Agora, sobre erros comuns... Olha, tem uns clássicos. O Felipe, por exemplo, vivia confundindo a ordem dos números decimais. Pra ele, 0,3 era maior que 0,25 porque ele só olhava o primeiro dígito depois da vírgula. Eu explicava pra ele que precisava olhar de forma mais ampla e considerar cada casa decimal como valor menor. Dizia pra ele pensar assim: "Felipe, pensa nos números como frações de um todo. Se fosse uma pizza dividida em 100 pedaços, qual pedaço seria maior?"
Já teve vezes também que a Ana ficava perdida na hora de colocar os números na reta numérica porque ela confundia onde a vírgula ia influenciar na posição do número. Quando pegava esse erro na hora, levava ela pro quadro e fazia ela mesma montar uma reta numérica com vários exemplos até entender direitinho.
Agora vou contar um pouco sobre como adapto as coisas pro Matheus e pra Clara. O Matheus tem TDAH e precisa de atividades mais dinâmicas pra manter o foco. Então, eu uso bastante material visual com ele. Jogos de tabuleiro com números decimais são uma mão na roda. Uma vez fizemos um bingo com números decimais e ele adorou! Só que preciso sempre estar atento pra mudar de atividade antes dele perder o interesse. Rolar um dado gigante também foi uma boa ideia. Ele ficava super empolgado em fazer as operações rápidas.
Com a Clara, que tem TEA (Transtorno do Espectro Autista), a coisa é um pouco diferente. Ela gosta de rotina e previsibilidade. Então eu sempre deixo claro o cronograma do dia pra ela e busco usar muito material tátil e visual. Tipo assim, quando estamos tratando de números decimais, dou pra ela um conjunto de fichas com desenhos que representam valores diferentes. Assim ela consegue tocar e ver as diferenças entre os valores. A Clara tem uma capacidade incrível de aprender quando tem o tempo dela respeitado e os estímulos visuais são adequados.
Nem tudo funciona bem desde o começo. Já teve atividade que não deu certo com eles. Uma vez tentei usar vídeos educativos pros dois ao mesmo tempo pensando em atingir ambos com uma só estratégia visual e dinâmica. Mas acabou ficando confuso porque não consegui manter a atenção do Matheus enquanto ao mesmo tempo não atendia à necessidade da Clara por clareza e simplicidade no conteúdo.
Mas é isso aí, pessoal. Todo dia é um aprendizado diferente com essa turma, mas é esse o desafio que faz tudo valer a pena. Bom trocar essas experiências aqui com vocês! Se alguém tiver mais dicas ou quiser compartilhar algo parecido por aí nas suas salas de aula, tô aqui pra ouvir também! Até mais!