Olha, a habilidade EM13LGG501 da BNCC é uma daquelas que, quando a gente lê, parece meio complicada de entender na prática. Mas pensa comigo: é sobre usar o corpo pra se comunicar e interagir com os outros de forma consciente, sabe? Tipo quando a gente ensina os meninos a trabalhar em grupo, mas além de só discutir ideias, eles têm que usar o corpo, o espaço e o movimento de forma intencional, pra que todos se sintam incluídos, respeitados e ouvidos. É algo além do simples falar. É pensar em como gestos e posturas podem ajudar a criar um ambiente mais acolhedor e empático.
No segundo ano do ensino médio, a galera já tem uma base legal porque no ano anterior a gente trabalhou bastante com comunicação e expressão corporal nas aulas de apresentação de seminários, por exemplo. Eles já sabem que o corpo fala tanto quanto a boca e que saber usar isso faz diferença. Agora, a gente aprofunda isso, fazendo com que eles percebam como suas ações físicas podem impactar num contexto social mais amplo. Tipo assim, não é só sobre ficar parado ou se mexendo muito na frente da turma: é sobre como seu corpo ajuda ou atrapalha na hora de passar uma mensagem respeitosa e ética.
A primeira atividade que eu gosto de fazer é o "teatro das emoções". O material é bem simples: só preciso de um espaço amplo na sala ou no pátio e algumas situações escritas em pedaços de papel. Aí eu divido a turma em pequenos grupos de 4 ou 5 alunos. Cada grupo pega um papelzinho que descreve uma situação do dia a dia escolar — pode ser uma briga por um lugar no ônibus escolar, uma conversa entre amigos sobre um trabalho ou até um mal-entendido com um professor. Eles têm uns 10 minutos pra discutir e ensaiar uma cena curta mostrando aquela situação usando o corpo e as expressões faciais ao máximo, sem falas. O resultado é sempre muito interessante! Na última vez que fizemos essa atividade, o Pedro e a Sofia protagonizaram uma cena em que dois amigos tentavam se reconciliar após uma briga por causa de um boato. A galera toda ficou impressionada com como o uso dos gestos deles passou tanta emoção e compreensão mútua. Durou cerca de 40 minutos no total e os alunos saíram comentando sobre como se sentiram ao ver as situações representadas.
Outra atividade bacana é a "dança das culturas". Aqui, eu levo algumas músicas típicas de diferentes culturas — pode ser samba, tango, forró, até música indígena — e faço uma breve introdução sobre cada uma. Então divido a turma novamente mas agora em duplas, porque quero que eles explorem como seus corpos se movem juntos ou separadamente. Cada dupla escolhe uma música pra criar um pequeno número de dança que respeite as características culturais daquela música. Eles têm uns 15 minutos pra bolar algo e depois apresentam pros colegas. Quando fizemos isso da última vez, a Joana e o Lucas escolheram o forró e foi demais ver como eles conseguiram manter o respeito aos elementos culturais enquanto criavam algo pessoal e único. E olha só, depois das apresentações fizemos uma roda de conversa sobre as experiências deles durante aquela criação coletiva. No fim, levamos cerca de uma hora.
E por fim tem a "mímica das profissões". Aqui os materiais são ainda mais simples: só papel e caneta pra escrever várias profissões num pedaço de papel. Eu faço isso com toda a turma junta e cada aluno sorteia uma profissão sem mostrar pros outros. A missão é cada um representar sua profissão em frente aos colegas usando só mímicas — sem som nenhum — enquanto os outros tentam adivinhar. O mais interessante é quando eles têm que pensar em como o movimento do corpo muda de acordo com o tipo de trabalho: alguém imitando um chef pode usar gestos amplos como se estivesse cortando legumes, por exemplo. Da última vez que fizemos essa atividade acontecia cada coisa engraçada! Teve o João imitando um astronauta que fez todo mundo rir com seus passos flutuantes pela sala. Essa atividade costuma durar uns 30 minutos e sempre deixa todo mundo animado.
O massa dessas atividades é que os meninos vão percebendo aos poucos como esse lance de movimento corporal não serve só pra teatro ou dança: eles começam a entender como isso pode ajudar no relacionamento entre eles mesmos fora da sala de aula também. É gratificante ver quando eles começam a ter essas sacadas durante essas práticas! E seguimos aí nesse caminho... O importante é praticar sempre!
Então, continuando... no segundo ano do ensino médio, é interessante perceber como os meninos começam a se soltar mais e usar essas habilidades de comunicação corporal de forma espontânea. Acho que a gente percebe que eles aprenderam mesmo não só quando respondem certo numa prova, mas nas pequenas coisas do dia a dia da sala de aula.
Às vezes tô ali circulando pela sala, observando as atividades em grupo, e vejo a Maria dando uma sugestão, mas não só isso - ela tá meio que fazendo contato visual com o João, inclinando o corpo pra frente, usando as mãos pra mostrar o que quer dizer. Aí você vê que não é só uma fala solta, mas todo um conjunto de comunicação que ela tá usando. Outro dia, o Pedro tava explicando um conceito pro Lucas e, além das palavras, ele tava fazendo um gesto com as mãos que ajudava a entender melhor o que ele queria dizer. Isso é um sinal claro de que eles estão pensando em como usar o corpo pra melhorar a comunicação.
Aí tem aquele momento mágico de sala de aula em que um aluno ajuda o outro. Vi isso acontecer quando a Júlia estava perdida numa atividade, e a Ana chegou perto, apontou pra parte do exercício e começou a falar e gesticular ao mesmo tempo pra explicar. A Júlia fez aquela cara de "ah! agora entendi!", e eu pensei: "é isso aí". Quando eles começam a ensinar uns aos outros e usam toda essa linguagem corporal, é quando você sente que o aprendizado tá acontecendo.
Sobre os erros mais comuns nessa habilidade, tem uns que são bem recorrentes. O Marcos, por exemplo, vira e mexe acha que tá fazendo contato visual quando na verdade tá olhando pro quadro ou pro chão enquanto fala. É como se ele estivesse tão focado no que vai dizer que esquece do resto. Aí eu costumo dar aquele toque discreto: "Ei, Marcos, olha pros seus colegas também enquanto fala, faz diferença". Isso acontece porque muitos meninos ainda não se ligaram completamente em como a postura e o olhar são importantes na comunicação.
Tem também uma galera que exagera nos gestos. O Carlos é um desses. Ele fica tão empolgado explicando qualquer coisa que parece até que vai levantar voo! Eu tento mostrar pra ele que os gestos são legais, mas têm limite. Dou uma dica tipo: "Carlos, tenta usar os gestos pra dar ênfase nas partes mais importantes do que você tá falando".
Agora falando do Matheus que tem TDAH e da Clara com TEA... com o Matheus, eu tento sempre quebrar as atividades em partes menores. Em vez de deixar ele sentado por muito tempo, eu faço intervalos curtos onde ele pode levantar e fazer alguma atividade prática ou movimento rápido pra ajudar a manter o foco. Uma coisa simples como pedir pra ele entregar algo pra mim ou buscar um material na outra sala já ajuda muito. E quando ele tá numa atividade de grupo, costumo dar a ele papéis mais ativos, onde ele possa se movimentar mais.
Com a Clara, eu descobri que ela se beneficia muito de instruções visuais claras e diretas. Então eu sempre tento ter algumas imagens ou esquemas na mão pra ajudar nas explicações. Ela também gosta de previsibilidade nas atividades - então sempre aviso com antecedência se vamos mudar algo na rotina do dia. Além disso, dou um tempo extra pra ela processar as informações antes de responder ou participar das atividades.
O que não funcionou tão bem foi tentar fazer uma atividade muito caótica ou ruidosa sem preparação prévia pros dois. Já tentei fazer uma dinâmica em grupo meio improvisada e percebi que o Matheus ficou disperso e a Clara ficou desconfortável. Aí aprendi: planejamento e comunicação clara são chaves com eles.
Bom, acho que é isso. Cada aluno é uma descoberta e um aprendizado constante pra gente também. Compartilhar essas experiências aqui me faz sentir parte de um grupo maior de professores tentando fazer o melhor pros nossos alunos todos os dias. Valeu por ler até aqui! Até a próxima conversa!