Olha, essa habilidade EF69LP02 da BNCC aí é um tanto desafiadora, mas também bem interessante de trabalhar. Na prática, o que a gente quer é que os alunos consigam analisar e comparar diferentes tipos de peças publicitárias, entender como elas se conectam numa campanha e perceber como cada uma é feita para atingir um público-alvo específico. É tipo ajudar eles a sacarem que um anúncio na televisão é pensado de um jeito bem diferente de um post patrocinado no Instagram, sabe? E que ambos podem fazer parte de uma mesma estratégia de venda ou divulgação.
Os meninos já chegam no 6º ano com uma noção básica de texto publicitário porque lá no 5º ano eles já começam a ver isso, mas ainda de forma bem superficial. Então, quando chegam comigo, o que faço é aprofundar e mostrar mais diversidade nesse universo. Eles precisam aprender a olhar além da imagem bonita ou do slogan marcante e começar a entender o que tá por trás disso: quem fez, por quê, pra quem... essas coisas.
Vamos lá pras atividades que faço com eles. Primeiro, sempre começo com uma roda de conversa sobre propaganda. Pedir pra eles falarem sobre aquele comercial que não sai da cabeça é um bom ponto de partida. A galera adora falar daquelas propagandas engraçadas ou dos jingles que grudam na cabeça. O Davi, por exemplo, sempre lembra do jingle da loja de colchões aqui da cidade que passa direto na TV. É engraçado observar como cada um tem suas preferências e referências.
A primeira atividade prática que faço é levar uma série de folhetos e cartazes pra sala – coisa dessas que a gente pega em supermercado mesmo ou na porta da escola. Divido a turma em grupos pequenos, tipo cinco ou seis alunos, e dou um tempo pra eles analisarem cada material. Peço que observem as cores, as imagens, os slogans e tentem imaginar quem seria o público-alvo. Essa atividade leva mais ou menos uma aula inteira, uns 50 minutos.
Na última vez que fiz isso, a Maria Clara percebeu que todos os cartazes de produtos de beleza tinham imagens de pessoas sorrindo e com pele perfeita. Já o Pedro se perguntou por que os folhetos de supermercado tinham tantas cores chamativas. Aí entramos numa discussão bem rica sobre como as cores podem chamar atenção e passar sensações diferentes. Essa atividade é sempre um sucesso porque eles adoram poder mexer no material e discutir entre si.
Outra atividade legal é a análise de comerciais em vídeo. Eu seleciono alguns comerciais populares – coisas que eles já viram na TV ou no YouTube – e a gente assiste junto na sala com o projetor. Depois discutimos a construção do comercial: música, imagens, roteiro. Pergunto o que eles acham que funciona ou não funciona em cada peça. Isso costuma levar umas duas aulas porque eles têm muita coisa pra falar e eu deixo mesmo a discussão rolar solta.
No semestre passado, quando fizemos isso, a Juliana comentou sobre um comercial de refrigerante dizendo que a música era tão animada que dava vontade de sair correndo comprar uma latinha na hora. Olha aí o poder da música bem escolhida! E o Lucas notou como o uso das cores fazia o refrigerante parecer muito mais refrescante do que realmente é. Eles começam a perceber essas sutilezas bem rápido.
E tem também uma atividade super divertida com jingles. Peço pra turma criar seus próprios jingles em grupos. Eles escolhem um produto imaginário – lembro da última turma criando um biscoito com sabor inusitado – aí têm que compor uma musiquinha curta pra “vender” esse produto pra classe toda. Isso dá pra fazer em duas aulas: uma pra criação e outra pras apresentações.
É muito engraçado ver o quanto eles se empenham nisso! Da última vez, o grupo da Ana inventou um jingle pra um refrigerante sabor melancia com uma coreografia super elaborada e foi um sucesso total! Até quem era mais tímido se soltou na apresentação e todos riram bastante.
Essas atividades ajudam muito os alunos a verem as peças publicitárias com outros olhos e perceberem todo o trabalho criativo e estratégico por trás delas. Claro que nem tudo sai perfeito sempre, mas o importante é engajar a galera e provocar esse olhar crítico neles desde cedo.
Bom, acho que é isso aí! Curtam essas ideias e depois me contem como foi em sala de aula! Abraço!
E aí, voltando aqui pra continuar a conversa sobre essa habilidade EF69LP02. Olha, identificar que os alunos aprenderam sem uma prova formal é um jogo de observação. É questão de estar presente na sala e ficar atento às sutilezas do dia a dia. A primeira dica é quando eu circulo pela sala enquanto eles tão fazendo uma atividade em grupo ou discutindo sobre uma campanha publicitária que trouxeram. Ouço quando um aluno tá explicando pro outro que "olha, essa propaganda aqui é mais pra quem gosta de tecnologia, não pra quem quer economizar". Isso mostra que ele sacou a diferença no público-alvo.
Outro momento é quando surge uma discussão. Lembro do dia em que o Lucas tava conversando com a Júlia – ele dizia que o anúncio de um novo celular tinha uma linguagem mais jovem. A Júlia discordava, dizendo que a escolha das cores também importava. E aí começa uma troca rica entre eles, o que mostra que tão pensando de forma crítica e analisando bem os detalhes.
Agora, os erros mais comuns que eles cometem? Ah, esses aparecem direto. Um erro frequente é confundir o veículo da propaganda com o público-alvo. Tipo, o Pedro uma vez disse que o anúncio na TV era pra todo mundo, sem se ligar que aquele horário específico era mais voltado pra adultos. Isso acontece porque eles ainda tão desenvolvendo a habilidade de segmentar o público. Então, o que faço é puxar uma conversa com ele e a turma sobre como horários e canais específicos têm públicos-alvo diferentes. Aí, trago exemplos do cotidiano deles mesmos, tipo por que tem tanto comercial de brinquedo na TV durante os desenhos.
Outro erro comum é não perceber a diferença entre linguagem verbal e visual e como cada uma impacta o público. A Ana, por exemplo, sempre se atenta mais às imagens e esquece de analisar o texto. Quando noto isso, faço um exercício onde eles tentam descrever uma imagem sem usar palavras e depois só com palavras, pra verem como cada um transmite mensagens diferentes.
Agora falando do Matheus, que tem TDAH, e da Clara, que tem TEA – adaptar as atividades pra eles é fundamental. Com o Matheus, eu percebi que dividir as atividades em partes menores ajuda bastante. Ele gosta quando tem objetivos claros e curtos pra cumprir. Às vezes, uso cronômetros visuais ou aplicativos pra ajudar ele a manter o foco por períodos curtos. O que não funciona é tentar fazer ele prestar atenção em algo por muito tempo sem breaks.
A Clara já precisa de um ambiente mais previsível e sem surpresas bruscas. Sempre aviso com antecedência sobre qualquer mudança na rotina da aula ou atividades diferentes. Uso recursos visuais bem marcados, como cartazes ou imagens grandes que ela possa tocar e manipular. O problema maior é quando tento algo muito abstrato ou sem exemplos concretos – aí ela fica perdida. Então sempre busco usar materiais palpáveis ou criar histórias visuais pra ela entender melhor.
No final das contas, o segredo tá em ficar sempre atento aos sinais – tanto dos acertos quanto dos tropeços – e ter paciência pra entender cada estudante no seu tempo e jeito. Ensinar vai muito além do livro didático; é saber adaptar o aprendizado pro cotidiano dos meninos e dar aquele apoio extra pra quem precisa.
Bom, acho que já falei demais por hoje! Espero ter ajudado com essas ideias e experiências de sala de aula. Qualquer coisa, tô por aqui no fórum pra continuar essa prosa ou ouvir as histórias de vocês também! Abraço!