Olha, essa habilidade da BNCC aí, a EF09LP02, é uma daquelas que, de cara, parece mais complicada do que realmente é. Quando eu vi pela primeira vez, pensei: “Como é que eu vou fazer os meninos entenderem isso?” Mas, na verdade, é uma questão de ajudar a galera a perceber como a imprensa conta histórias diferentes sobre a mesma coisa e por quê. É tipo assim: quando a gente vê um jogo de futebol, a torcida do time que ganha conta uma história bem diferente da torcida do time que perde, né? É mais ou menos isso que precisamos mostrar pra eles sobre as notícias.
Então, na prática, o aluno precisa conseguir fazer algumas coisas. Primeiro, ele precisa ler duas ou mais matérias sobre o mesmo acontecimento e perceber as diferenças e semelhanças. Aí vem a parte de entender o porquê dessas diferenças — será que tem a ver com o público-alvo do jornal ou com a linha editorial? E isso liga diretamente com o que eles já estudaram antes. No 8º ano, por exemplo, os meninos já começaram a entender um pouco sobre o gênero jornalístico e como fazer leitura crítica de algumas notícias. Agora é aprofundar isso.
Vou contar então três atividades que faço pra trabalhar essa habilidade com a turma do 9º ano. A primeira atividade que rola é o “jornal comparativo”. Eu pego dois jornais diferentes ou sites de notícias — tipo assim: um mais tradicional como O Globo e outro mais digital como G1. Escolho uma notícia quente da semana, algo que está todo mundo falando. Divido a turma em grupos de quatro ou cinco alunos e dou um tempo pra eles lerem os textos e discutirem as diferenças entre eles. Em geral, isso leva umas duas aulas de 50 minutos cada. Acho legal que eles começam a perceber coisas simples, como a diferença no vocabulário ou no tom da matéria. Lembro da última vez que fizemos isso; o João até comentou: “Olha só, professor, aqui nesse jornal eles só falam dos problemas do governo, mas nesse outro eles falam como se estivesse tudo bem.” Dá pra ver que os meninos vão pegando o jeito.
A segunda atividade é um debate. Depois que todo mundo já entendeu as diferenças entre os jornais, eu organizo um debate em sala. Pegamos uma notícia polêmica e cada grupo defende o ponto de vista de um veículo de comunicação. Antes do debate começar mesmo, dou meia aula pra eles se prepararem nos grupos e levantarem argumentos. O debate em si ocupa uma aula inteira. Ah, e claro, no fim eu dou espaço pra turma refletir sobre o que rolou ali na hora e o que aprenderam. Numa dessas vezes, a Ana Clara falou: “Nossa, professor, nem tinha me tocado como a mesma coisa pode parecer tão diferente dependendo de quem conta.” Isso me mostra que eles estão começando a sacar qual é o lance.
A terceira atividade é uma espécie de projeto contínuo chamado “jornal na prática”. A ideia é cada grupo escolher um tema ao longo do bimestre e acompanhar como ele é tratado na imprensa. Cada semana eles coletam notícias sobre o tema e vão montando uma espécie de dossiê com essas informações. No fim do bimestre, cada grupo apresenta suas descobertas pra turma toda. Essa atividade demanda mais tempo e comprometimento dos alunos — em torno de duas aulas por semana durante todo o bimestre. Os grupos ficam responsáveis por pesquisar em casa e trazer novidades pra discutir em sala. É sensacional quando eles começam a fazer descobertas; uma vez o Pedro contou empolgado: “Professor! Olha só! Aqui nesse site eles falam super bem desse político porque ele tem ligação com a empresa dona do site!” Isso mostra como eles estão começando a entender a importância do contexto.
Os materiais que uso são simples: jornais impressos quando dá pra conseguir (a escola sempre apoia nessas horas), links de sites confiáveis no celular ou tablet dos próprios alunos e também uso projeção na sala quando necessário. A reação dos alunos varia bastante; alguns ficam interessados logo de cara porque adoram discutir essas coisas, mas outros precisam de um empurrãozinho até entenderem a importância disso tudo.
E é isso! Trabalhar essa habilidade não é fácil, mas é super importante pra formar cidadãos críticos que saibam analisar o que leem por aí. E olha, cada vez mais vejo que os meninos estão pegando essa visão crítica das coisas — e isso faz valer todo esforço! Valeu galera, até a próxima!
Então, na prática, o aluno precisa ser capaz de ver essas diferentes narrativas e entender o que tá por trás delas, né? Mas como é que a gente percebe que eles realmente aprenderam sem botar uma prova na frente deles? Bom, eu gosto de circular bastante pela sala enquanto eles estão fazendo atividades. E é incrível como dá pra perceber quem tá entendendo só de ouvir as conversas. Tipo, teve um dia que a Ana tava explicando pro Pedro que em duas reportagens sobre o mesmo protesto, uma chamava os manifestantes de “ativistas” e a outra de “baderneiros”. Aí o Pedro respondeu: “Ah, entendi! Eles querem passar uma imagem diferente pra quem tá lendo.” Foi aí que eu pensei: “Esse aí pegou a ideia direitinho!”
E o que eu também faço é reparar nas perguntas que eles fazem. Quando um aluno pergunta algo do tipo “Professor, mas por que esse jornal tá mostrando só uma parte da história?”, eu já sei que ele tá começando a sacar as coisas. Eles começam a desenvolver um senso crítico, sabe? E quando um explica pro outro, como eu ouvi o João falando pro Lucas: “Olha o jeito que essa matéria aqui fala do político X... Parece até que ele é herói!” Aí eu vejo que estão ligando os pontos.
Agora, sobre os erros mais comuns... Olha, um erro clássico é eles acharem que todas as reportagens são de má-fé, que toda diferença é manipulação pesada. Lembro do Gustavo dizendo: “Ah, mas isso aí é mentira!” quando viu duas matérias com enfoques diferentes. Aí tive que explicar que não é bem assim. Às vezes as diferenças são só questões de perspectiva ou interesses editoriais, não necessariamente mentiras. Muitas vezes a gente debate isso em sala pra abrir mais a visão deles.
Outra coisa comum é eles não perceberem a importância da fonte. A Mariana uma vez veio com uma reportagem de um blog qualquer afirmando algo bem polêmico e falou: “Olha só o absurdo!” Aí aproveitei pra falar sobre checar a credibilidade das fontes. Nessas horas, sento do lado e mostro como verificar autores, datas, histórico do site... Essas coisinhas fazem falta quando não são trabalhadas desde cedo.
Sobre o Matheus e a Clara, cada um tem suas necessidades específicas e eu sempre procuro adaptar as atividades pra facilitar o aprendizado deles. O Matheus tem TDAH e precisa de atividades mais curtas e diretas. Então, o que funciona pra ele são tarefas divididas em etapas pequenas. Por exemplo, se estamos analisando uma notícia, primeiro ele identifica quem escreveu e depois passa pra análise do conteúdo. Também uso cronômetros visuais pra ajudar ele a gerenciar o tempo. Com o Matheus não dá muito certo esperar que ele fique sentado por muito tempo sem interrupções. Então, dou intervalos breves pra ele se mexer um pouco.
Já a Clara, que tem TEA, se beneficia bastante de materiais visuais. Uso muito diagramas e mapas mentais com ela. Lembro uma vez quando fiz um esquema enorme na lousa com desenhos das diferentes abordagens das notícias e vi como os olhos dela brilharam! Ela gosta de saber exatamente o que vai acontecer em cada aula, então sempre antecipo o plano do dia pra ela ficar mais tranquila. E também percebo que ajuda permitir que ela entregue algumas tarefas oralmente ou por meio de desenhos.
Claro que às vezes nem tudo dá certo. Teve uma atividade em grupo em que a Clara meio que travou porque tinha muita gente falando ao mesmo tempo. Aprendi daí a deixá-la trabalhar em duplas ou sozinha em alguns momentos.
Enfim, cada dia na sala de aula é único e é na base da tentativa e erro mesmo. A gente vai ajustando conforme precisa e conforme conhece melhor cada aluno. No fim das contas, ver eles conseguindo pensar criticamente e entendendo o mundo ao redor já vale todo o esforço. Ah, deixa eu ir aqui porque já tô quase na hora da minha próxima aula! Qualquer coisa me chamem aqui no fórum! Abraço!