Olha, essa habilidade EF69LP21 da BNCC, o bicho pega mesmo é no jeito que a gente entende e trabalha com os meninos essa coisa de criticar e se posicionar sobre temas do dia a dia que estão fora da escola, mas que falam diretamente com eles. É como fazer eles perceberem e falarem sobre aquelas coisas que veem na rua, na internet, nas músicas que escutam, nos grafites na avenida. Eles precisam olhar essas manifestações, entender o contexto, e pensar: "O que esse artista tá querendo dizer? Qual problema ele tá expondo? E o que eu acho disso?" Aí eles precisam juntar tudo isso com o que já sabem e conseguir expressar uma opinião. No ano anterior, a galera já tava começando a se ligar mais em textos argumentativos e a entender contexto de produção, então agora é aprofundar isso.
A primeira atividade que faço pra trabalhar essa habilidade é algo que os meninos adoram: análise de músicas de rap. Escolho umas músicas que sempre trazem uma mensagem forte, tipo Racionais MC’s ou Emicida. Aí eu levo a letra impressa pra sala – é um material simples, mas faz toda a diferença. Coloco a música pra tocar também porque né, ouvir faz parte do processo. Primeiro deixo eles ouvirem tudo na íntegra, sem interrupção. Depois, a gente forma grupos de quatro ou cinco alunos pra debater sobre o que entenderam. Leva uns 50 minutos essa atividade no total. Eles ficam empolgados e sempre tem algum aluno tipo o João Pedro que puxa a conversa trazendo coisas do cotidiano deles. Da última vez, fizemos isso com uma música do Djonga e o pessoal começou a discutir sobre desigualdade social. A Larissa até trouxe um exemplo da rua dela, dizendo que o grafite lá na esquina fala justamente sobre essa luta.
Outra atividade que rola bem é levar a turma pra um passeio pela cidade pra ver intervenções urbanas – tipo grafites e murais. Claro que não dá pra ir muito longe por conta do tempo e da burocracia, mas tem uns lugares perto da escola onde já dá pra ver bastante coisa legal. Antes de ir, mostro algumas imagens dessas intervenções na sala e explico quem fez e por quê. Durante o passeio, eles anotam o que chama atenção e depois voltamos à sala pra discutir em roda. Costuma levar uma manhã inteira essa atividade inteira incluindo o passeio e a discussão. Os meninos gostam bastante porque sai daquela rotina de sala de aula tradicional e muitos convivem com esses murais todos os dias sem parar pra pensar no significado deles. Uma vez, quando fomos dar uma volta pelo setor Campinas, a Maria Clara ficou espantada ao ver um mural gigante falando sobre preservação do Cerrado – ela nunca tinha reparado apesar de passar lá todo dia.
E tem também uma atividade bem bacana que é escrever cartas abertas para um problema ou manifestação que eles viram na rua ou online. Eu explico antes como funciona uma carta aberta, dou exemplos de algumas famosas e aí deixo cada um escolher seu tema baseado em algo que já discutimos ou vivenciaram. Eles escrevem individualmente mas depois compartilham com a turma. Essa leva umas duas aulas porque tem todo o processo de escrita e revisão. A reação dos meninos varia: alguns ficam meio perdidos no início, mas depois pegam o jeito. Da última vez, a Ana Luiza escreveu sobre o lixo jogado na rua perto da casa dela e como isso afeta a comunidade inteira – ela compartilhou emocionada e o pessoal se engajou muito na discussão.
O mais legal dessas atividades é ver como eles vão ligando os pontos entre o que veem no mundo e o que aprendem na escola. E quando eles conseguem verbalizar isso, sinto que tô no caminho certo com eles. Não é fácil não, mas aí quando vejo aquele brilho no olho deles ao conseguir expressar uma opinião estruturada sobre algo importante, é recompensador demais! E você aí? Como anda trabalhando essas habilidades com seus alunos? Me conta aí!
E aí, pessoal! Continuando a nossa conversa sobre essa habilidade EF69LP21, quero contar pra vocês como eu percebo quando os meninos realmente entenderam o conteúdo, sem precisar aplicar uma prova formal. Olha, é um exercício de observação constante. Na verdade, é no dia a dia da sala de aula que a gente percebe essas coisas.
Primeiro, tem aquele momento clássico em que eu tô circulando pela sala enquanto eles estão em grupos discutindo alguma atividade. Aí, de repente, você escuta um aluno explicando pro outro com palavras dele, com exemplos próprios. É aí que a mágica acontece. Lembro de uma vez que o João tava explicando pra Maria sobre um texto que eles leram sobre meio ambiente. Ele disse algo tipo: "Olha, Maria, é igual aquele lixo que a gente vê jogado lá no parque. O texto tá falando que isso não é só lixo, mas um problema social sério". Quando ele faz essa ligação com o mundo real, a gente vê que ele captou a mensagem.
Outro jeito é escutando as conversas entre eles nos intervalos ou até durante as atividades. Às vezes eles comentam sobre algo que viram na TV ou na internet e conseguem relacionar com o que discutimos em sala. A Ana, por exemplo, veio me dizer toda animada que viu uma entrevista sobre um artista de rua e lembrou do que falamos sobre grafites serem manifestações artísticas e políticas. Isso mostra que ela tá aplicando o conhecimento fora do contexto da aula.
Agora, falando sobre os erros mais comuns... Ah, esses acontecem mesmo e fazem parte do processo. Um erro comum é a galera confundir opinião pessoal com argumento crítico. O Pedro, por exemplo, numa vez escreveu: "Eu não gosto daquela música porque o cantor é chato". Aí eu tive que explicar pra ele que criticar é mais do que dizer se gosta ou não; é sobre justificar sua opinião com base em algo concreto do texto ou contexto. Esse tipo de erro acontece porque é fácil cair na armadilha de só expressar preferências pessoais sem reflexão crítica.
Quando vejo esses erros na hora, eu gosto de intervir imediatamente. Chamo o aluno de canto e faço perguntas pra ele chegar na resposta certa sozinho: "Por que você acha isso? Tem alguma parte da música que te fez pensar assim?". Isso ajuda muito mais do que só corrigir. Eles começam a entender que a crítica é baseada em observações e não só em sentimento.
Agora, trabalhando com o Matheus, que tem TDAH, e a Clara, que tem TEA, é sempre um desafio encontrar aquele ponto certo onde eles se sintam confortáveis e engajados. Pro Matheus, eu sempre tento usar atividades mais dinâmicas e curtas. Por exemplo, divido uma tarefa maior em várias partes pequenas e dou prazos menores pra cada uma. Isso mantém ele focado sem se sentir sobrecarregado. Uma vez tentei usar aqueles áudios longos de análise crítica e percebi que não dava certo; agora faço ele gravar as próprias análises em áudio curto e isso funciona melhor.
Com a Clara, já notei que ela responde muito bem a roteiros visuais. Então eu preparo cartões com imagens e ícones pra ajudar ela a organizar o pensamento antes de começar uma atividade escrita. A gente teve uma experiência maravilhosa quando ela conseguiu montar uma linha do tempo visual de um texto crítico sobre educação. Por outro lado, atividades com muito ruído ou movimento atrapalham bastante; então eu busco sempre garantir um ambiente mais calmo quando ela tá trabalhando.
Bom, gente, é isso! Cada dia na sala é uma descoberta diferente e cada aluno tem seu jeito único de aprender. Espero ter ajudado compartilhando essas experiências e trocando umas ideias com vocês aqui no fórum! Se alguém tiver outras dicas ou quiser compartilhar suas histórias também, tô por aqui pra gente continuar essa conversa boa.
Até a próxima!