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EF08LP03Língua Portuguesa · Ano · Ensino Fundamental - Anos Finais

Produzir artigos de opinião, tendo em vista o contexto de produção dado, a defesa de um ponto de vista, utilizando argumentos e contra-argumentos e articuladores de coesão que marquem relações de oposição, contraste, exemplificação, ênfase.

Produção de textosTextualização de textos argumentativos e apreciativos
CE

Escrito pela equipe pedagógica do Profez

Conteúdo revisado por professores com experiência em sala de aula · Atualizado para 2026

Olha, trabalhar a habilidade EF08LP03 com a galera do 8º Ano é um desafio e tanto, viu? Mas é um desafio bom, que traz muita satisfação quando a gente vê os meninos realmente entendendo e aplicando o que aprenderam. Basicamente, essa habilidade é sobre ensinar os alunos a escreverem artigos de opinião, mas não de qualquer jeito. Eles têm que saber defender um ponto de vista, usar argumentos e contra-argumentos de forma coesa, e ainda usar aquelas palavrinhas mágicas que ajudam a dar coesão ao texto, tipo “por outro lado”, “além disso”, “por exemplo”, e por aí vai.

Na verdade, isso tudo tá muito ligado ao que a galera já viu no 7º Ano, quando eles aprenderam sobre textos argumentativos de uma forma mais simples, tipo fazer uma redaçãozinha defendendo se gostam mais de cachorro ou gato. Agora no 8º Ano a coisa fica mais séria, porque eles precisam justificar melhor suas opiniões e começar a pensar nos argumentos contrários também. E não é só falar o que pensa, mas sim convencer quem tá lendo. Uma habilidade e tanto pra vida toda.

Então, como eu trabalho isso na prática? Vou contar três atividades que eu faço com os meninos e que tem dado certo.

Primeira atividade, que é um clássico: análise de notícias e opiniões na mídia. Eu trago pra sala alguns jornais e revistas simples — pode ser até online se o acesso permitir — com artigos de opinião sobre temas atuais que sejam relevantes pra idade deles. Divido a classe em grupos de 4 ou 5 alunos e dou uns 15 ou 20 minutos pra eles escolherem um artigo e discutirem o que foi apresentado ali. A ideia é eles identificarem qual é o ponto de vista do autor, quais argumentos ele usa, se tem contra-argumentos e quais articuladores foram usados.

A última vez que fizemos isso foi bem interessante. Teve uma revista com um artigo sobre proibição de celulares nas escolas. O grupo do João ficou super empolgado porque, olha só, eles tinham acabado de ser suspensos por causa de uso de celular em sala. Eles conseguiram identificar que o autor era contra a proibição total e usaram exemplos próprios pra debater os pontos do artigo. Foi uma discussão super rica, deu pra ver que a turma tava ligada no assunto.

A segunda atividade é uma produção coletiva de texto. Aí eu trago um tema polêmico ou relevante pra idade deles, tipo uso das redes sociais ou esportes na escola. Primeiro, a gente faz uma roda de conversa pra todo mundo opinar e debater — isso já ajuda eles a pensarem nos argumentos. Depois, como tarefa em aula mesmo, cada grupo fica responsável por uma parte do artigo: introdução, desenvolvimento (com argumentos pró e contra), conclusão. Dou uns 30 minutos pra isso.

Eles costumam se envolver bem. Tipo assim, da última vez o Carlos cismou que tinha que mencionar um estudo que ele viu no YouTube sobre como redes sociais podem ajudar nos estudos — ele conseguiu convencer os colegas a incluir isso no texto deles e foi muito legal ver a defesa apaixonada dele.

A terceira atividade é mais individual: cada aluno escreve seu próprio artigo de opinião sobre um tema que ele escolher dentro das opções dadas. Pra ajudar quem ainda tem dificuldade com estrutura, eu forneço um esquema básico que eles podem seguir: introdução com ponto de vista claro, dois ou três parágrafos com argumentos (e pelo menos um considerando o ponto de vista contrário) e conclusão reforçando o argumento inicial.

Dou uns 50 minutos pra isso porque prefiro dar tempo pros meninos pensarem e escreverem com calma. E depois faço uma correção em sala mesmo, convidando alguns alunos pra lerem seus textos em voz alta pros colegas darem feedback. A última vez que fizemos isso foi emocionante — a Rafaela escreveu sobre igualdade de gênero no esporte escolar e tocou tanto todo mundo que gerou até uma discussão extra depois da aula.

Bom, acho que o segredo mesmo tá em mostrar pra eles que artigo de opinião não é só falar o que acha — é saber convencer quem lê. E sinceramente? Quando eles pegam o jeito, é gratificante demais ver como conseguem articular bem suas ideias. Sinto que tô preparando eles não só pra uma prova de português mas pra vida em sociedade mesmo. E claro, sempre rola aquele friozinho na barriga antes das atividades porque nunca sei exatamente como vai ser a reação da turma... mas no fim sempre vale a pena!

to além de só escrever, né? A gente tem que olhar e ouvir o que tá rolando na sala. E é interessante porque você consegue captar esses momentos de aprendizado sem ter que aplicar uma prova formal. Tipo assim, tô circulando pela sala, vendo os grupos discutirem sobre o tema que tão escrevendo, e aí você percebe quando um aluno começa a usar aqueles conectivos que a gente ensinou, e ele faz isso de maneira natural, como se já fizesse parte do vocabulário dele. Isso é um indício claro de que entendeu.

Outro momento é quando um aluno explica algo pro colega. Esses dias, por exemplo, o João tava meio perdido sobre como começar o artigo dele e aí veio a Mariana e disse "Olha, você pode começar com uma pergunta retórica pra chamar atenção, tipo 'Já parou pra pensar em como isso afeta o nosso dia a dia?'". Quando a gente vê isso acontecendo, a gente pensa "Ah, esse aí pegou a ideia direitinho".

Mas nem tudo são flores, né? Tem uns erros clássicos que a galera comete. O Pedro, por exemplo, começou o artigo dele com uma tese bem legal, mas aí ao longo do texto ele começou a se contradizer. Primeiro ele dizia que era contra o uso excessivo da tecnologia, mas depois começou a listar só os benefícios sem nenhum contraponto. Isso acontece porque muitas vezes eles não revisam o texto ou se empolgam demais com um lado do argumento. Quando pego isso na hora, dou aquele toque: "Pedro, volta aqui no começo e lê de novo a sua tese. Será que tudo isso tá alinhado com o que você começou falando?"

Outra coisa é o uso errado dos conectivos. A Beatriz tem mania de querer usar todos na mesma frase. Fica tipo "Além disso, por outro lado, contudo...". É importante mostrar pra ela que a coesão não vem só de encher de conectivo, mas de usá-los apropriadamente pra fazer sentido no texto.

Sobre o Matheus que tem TDAH e a Clara com TEA, eu procuro adaptar as atividades pra eles da melhor forma possível. Pro Matheus, eu tento quebrar as tarefas em partes menores e mais gerenciáveis. Em vez de pedir pra ele fazer um artigo inteiro de uma vez, peço pra começar só com a introdução ou com os argumentos principais e vou dando feedbacks rápidos. Isso ajuda ele a não perder o foco e sentir que tá avançando.

Já pra Clara, o que funciona bem é usar recursos visuais. Eu uso mapas mentais com ela pra planejar os textos. Assim ela consegue ver visualmente como as ideias se conectam. E também dou mais tempo pra ela concluir as atividades. Quando ela tá escrevendo e começa a ficar ansiosa por causa do tempo, eu digo "Fica tranquila, Clara. Você tem mais um tempinho extra".

O que não funcionou muito bem foi tentar usar jogos de debate na turma pensando que todos iam se beneficiar da mesma forma. O Matheus ficava tão agitado que perdia o foco total no tema e começava a falar qualquer coisa só pra participar da competição. A Clara às vezes ficava desconfortável em situações mais caóticas e barulhentas assim. Então agora eu prefiro atividades mais estruturadas e previsíveis pra eles.

É assim que vou seguindo aqui nessa loucura gostosa que é ensinar. E vocês? Como tão lidando com os desafios nas salas por aí? Se tiverem sugestões ou quiserem compartilhar experiências também, bora conversar! Tenho certeza de que todo mundo ganha quando troca ideias.

Até a próxima!

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