E aí, pessoal, tudo bem? Hoje vou falar sobre uma habilidade da BNCC que eu trabalho com a turma do 6º ano aqui em Goiânia. É a EF69LP31, que tem a ver com os alunos usarem pistas linguísticas pra entender como as ideias de um texto estão organizadas. Na prática, isso quer dizer que os alunos precisam saber quando uma informação é mais importante que outra, quando uma coisa é consequência de outra e por aí vai. Sabe quando a gente lê um texto e tem aquelas expressões tipo "em primeiro lugar", "por outro lado", "por exemplo"? É disso que estamos falando. Essas palavrinhas ajudam a entender a estrutura do texto e o que o autor quer destacar. E claro, os meninos já chegam com alguma noção disso do 5º ano, onde geralmente começam a identificar algumas dessas palavras em textos mais simples. Mas no 6º, a gente tenta aprofundar essa compreensão.
Aí, vou contar um pouco de como eu trabalho essa habilidade em sala. Uma das atividades que faço é a leitura de uma notícia de jornal. Pegamos uma reportagem simples e atual, algo que chame a atenção da galera. Eu trago cópias da notícia pra todo mundo e a gente lê junto, em voz alta. Depois da leitura, peço pra eles sublinharem as expressões que organizam o texto: "primeiro", "depois", "consequentemente". A turma fica em duplas ou trios pra isso, porque acho que discutir entre eles ajuda na compreensão. Essa atividade não leva muito tempo, uns 30 minutinhos dá pra fazer tranquilo. A última vez que fiz isso, o Lucas ficou super empolgado e até começou a marcar umas palavras que ele achava importantes, mesmo não sendo conectivas. Ele disse: "Olha, prof, essa parte aqui parece mais importante." E foi ótimo ver ele tentando entender o texto por si próprio.
Outra atividade legal é montar junto com eles um texto oral usando essas expressões. A gente faz uma roda de conversa e eu proponho um tema — tipo "Como foi nosso último passeio escolar". Cada aluno tem que contar uma parte da história usando expressões sequenciais, tipo "primeiro", "em seguida", "por fim". Isso ajuda eles a organizarem as ideias na cabeça antes de falar. Normalmente fazemos isso em uns 20 minutos no máximo, porque senão eles perdem o foco. Na última roda que fizemos, a Mariana começou toda tímida, mas quando chegou a vez dela, ela mandou super bem: "Primeiro nós entramos no ônibus, depois fizemos uma parada pra lanche." Foi bem legal ver como ela seguiu a sequência direitinho.
E tem também uma atividade de síntese escrita. Eu dou um texto expositivo pequeno pra eles — pode ser um parágrafo sobre algum tema que estamos estudando em Ciências ou História — e peço pra eles reescreverem esse parágrafo com as próprias palavras usando conectivos de hierarquização. Isso é um pouco mais desafiador e leva mais tempo, uns 40 minutos pelo menos, porque cada um faz individualmente e depois lemos algumas respostas juntos. Na última vez que fizemos isso, pedi pra sintetizarem um parágrafo sobre as fases da água e como elas se transformam. A Ana mandou muito bem: "Primeiro a água evapora por causa do calor; depois ela se condensa nas nuvens; por fim cai como chuva." Eu fiquei todo orgulhoso! Ver essa evolução é recompensador.
No geral, os alunos reagem bem a essas atividades. Claro que tem aqueles dias em que estão mais dispersos ou reclamam um pouco de ter que ler ou escrever, mas sempre tem algum momento que um ou outro se destaca e percebe algo novo no texto. E isso motiva os outros também. Eu percebo que quando eles conseguem identificar essas pistas linguísticas e usar elas pra organizar suas ideias, tanto na fala quanto na escrita, dá aquele clique de entendimento maior do texto todo.
Enfim, trabalhar essa habilidade é um processo contínuo e desafiador às vezes, mas ver os meninos desenvolvendo essa capacidade de se expressar melhor e entender mais profundamente os textos vale muito a pena. E vocês? Como fazem aí na escola? Curioso pra ouvir outras experiências! Abraço!
E aí, pessoal, continuando a conversa sobre a habilidade EF69LP31, vou contar pra vocês como eu percebo quando os meninos realmente entenderam o conteúdo, sem precisar fazer aquela prova formal. Quem tá na sala de aula sabe que a gente sempre tem aqueles momentos de "eureka" que não dá pra medir só com nota. Eu, por exemplo, adoro circular pela sala enquanto eles fazem atividades. Aí você vai ouvindo as conversas, vendo como eles interagem com o texto e entre eles. Uma coisa que me ajuda muito é observar quando um aluno consegue explicar pro outro. Teve uma vez que a Mariana tava tentando ajudar o Lucas com um texto. Ela virou pra ele e falou: "Lucas, olha aqui ó, quando o texto fala 'em primeiro lugar', é porque quer mostrar que isso é uma das ideias principais". Pronto! Ali eu já saquei que a Mariana tinha entendido legal o conceito.
Outra coisa que adoro é quando, em grupos, eles começam a usar essas pistas linguísticas naturalmente nas conversas. Tipo, o Tiago argumentando no debate da turma: "Olha, por exemplo, se a gente não cuidar do meio ambiente agora, no futuro vai piorar", aí você percebe que eles estão internalizando o uso dessas expressões sem nem perceber. É nesses detalhes do dia a dia que você vê o aprendizado acontecendo.
Agora, os erros mais comuns... Ah, esses sempre aparecem. E é normal! Um erro que vejo bastante é os alunos confundirem as expressões, tipo em vez de "por outro lado", usarem "por exemplo". Já vi isso acontecer várias vezes. A Júlia fez isso numa atividade em grupo quando tava tentando mostrar um ponto contrário e saiu com "por exemplo". Aí acaba não fazendo sentido no contexto. O problema geralmente é aquela ansiedade de querer logo responder e não parar pra pensar direito na função das palavras no texto. Quando pego esses erros na hora, normalmente dou uma pausa e falo: "Vamos pensar um pouco aqui juntos. O que você tá querendo dizer com 'por exemplo'? Será que encaixa bem aqui?" e deixo eles refletirem.
Com relação ao Matheus, que tem TDAH, e a Clara, que tem TEA, eu procuro adaptar as atividades pra eles. Tipo assim, pro Matheus é importante dividir as tarefas em partes menores. Ele tem dificuldade em manter a atenção por muito tempo numa mesma atividade. Então eu dou uma folha em que ele possa marcar cada etapa completada. Funciona como um checklist que ele mesmo vai ticando, sabe? Assim ele vê o progresso e não fica tão perdido. Já com a Clara eu percebo que ela responde bem quando dou apoio visual. Então uso bastante imagens ou gráficos simples junto com os textos. Outra coisa é o tempo: deixo ela trabalhar no ritmo dela sem pressa e às vezes até numa área mais tranquila da sala se precisar de menos estímulos.
Ah, nem tudo dá certo logo de cara! No começo tentei usar aqueles aplicativos de leitura em voz alta pra ajudar o Matheus a ouvir o texto enquanto lia, mas ele ficou mais distraído ainda com a tecnologia do que concentrado no texto. Então foi um aprendizado pra mim também! Com Clara também tive que ajustar o modo de apresentar alguns textos porque percebi que ela precisava de mais contexto do que eu tava dando inicialmente. Aprendi a importância de perguntar diretamente pra ela se tá tudo claro.
Bom, pessoal, acho que é isso por hoje! Compartilhar essas experiências sempre me faz repensar minhas práticas e espero que possa ajudar vocês também de alguma forma. Vamos sempre trocando ideias por aqui porque a sala de aula é esse lugar vivo onde a gente aprende junto com os alunos todos os dias, né? Abração e até a próxima!