Olha, essa habilidade da BNCC, EF67LP03, eu entendo como ensinar os meninos a serem mais críticos e atentos com o que leem e assistem. A gente vive num mundo cheio de informação, né? Tudo é notícia, tudo é post, tudo é vídeo. E aí, eles têm que aprender a comparar essas informações que recebem de um mesmo fato em diferentes fontes. Não é só ver uma coisa e acreditar de primeira. É tipo assim: sabe quando falam que vai chover, mas um canal diz que vai chover só de tarde, outro diz que a chuva começa de manhã? Então, eles precisam avaliar qual fonte parece mais confiável.
Na prática, o aluno tem que conseguir pegar uma notícia sobre um mesmo assunto em dois ou três lugares e perceber o que muda. Tem que ver quem tá dando a notícia, se é um jornalista conhecido ou só alguém no Instagram. Eles também precisam avaliar se a linguagem é neutra ou se tá puxando mais pra um lado da história. O legal é que no 5º ano eles já começam a trabalhar com leitura crítica, então já chegam com alguma noção de checar a fonte e ver se faz sentido o que tão lendo.
Vou te contar três atividades que eu faço pra trabalhar isso com a turma do 6º ano. A primeira é com jornal. Isso mesmo, jornal físico que eu levo de casa. Eu gosto de dividir a turma em grupos de quatro ou cinco alunos. Dá pra fazer isso numa aula só, uns 50 minutinhos. Cada grupo recebe uma página e eu peço pra eles escolherem uma notícia e depois buscarem essa mesma notícia na internet usando os celulares (eles têm acesso controlado à internet na escola). Aí a comparação começa. Na última vez, a Letícia achou super estranho como no jornal falava bem do prefeito e no site dizia que ele tava enrolado num escândalo. Rendeu uma discussão boa sobre as intenções por trás das notícias.
A segunda atividade envolve vídeos do YouTube. Eu mostro dois vídeos sobre um mesmo assunto, por exemplo: desmatamento na Amazônia. Um vídeo pode ser um documentário da BBC e outro de um canal menor que tem uma pegada mais ambientalista radical. A turma assiste os dois em sequência numa aula de 50 minutos também. Depois eles têm tempo pra discutir em duplas o que viram e no final cada dupla apresenta o que achou das abordagens diferentes. Na última vez que fizemos isso, o João ficou chocado como o vídeo do canal menor parecia mais dramático e falava algumas coisas sem mostrar muita prova.
A terceira atividade é mais prática ainda: uso redes sociais. Peço pra cada aluno trazer prints de publicações sobre algo recente, tipo uma notícia quente da semana. Normalmente isso leva uns dois ou três dias pra eles conseguirem juntar os materiais. Eles trazem de tudo: Facebook, Twitter, até WhatsApp. Em sala, a gente coloca tudo no quadro (usando um projetor) e começa a debater o que ali parece confiável ou não e por quê. Na última atividade dessas, rolou com as eleições municipais e nossa! A galera ficou dividida com algumas notícias exageradas do WhatsApp. O Pedro levantou a questão das fake news e foi uma super oportunidade pra gente conversar sobre isso.
O mais bacana é ver como essas atividades deixam os meninos mais atentos no dia a dia deles fora da escola também. Eles começam a questionar mais as coisas, pedir provas pras informações antes de acreditarem nelas cegamente. Não tem jeito certo nem errado de ensinar isso, mas essas são algumas formas que eu encontrei e têm funcionado bem na minha sala.
Eu acho importante sempre adaptar pro contexto da turma porque cada grupo reage diferente às atividades. Alguns precisam de mais orientação e outros já saem discutindo por conta própria. E claro, tem aquele lance da responsabilidade: ensinar eles a questionarem sem virar caçadores de conspiração em tudo quanto é canto também! Sempre mantenho o diálogo aberto pra eles trazerem as dúvidas ou situações do cotidiano deles pras aulas.
E assim vou encerrando esse post porque já falei bastante, né? Espero ter ajudado quem tá começando a entender como trabalhar isso na prática. Se alguém tiver outras dicas ou quiser discutir mais sobre o assunto, tô por aqui! Abraço!
Na prática, o aluno te mostra que entendeu quando começa a questionar mais, sabe? Aquele momento que você vê o Olavo lá no fundo levantando a mão e perguntando: "Professor, mas será que essa informação aqui tá certa mesmo? Porque eu li num outro lugar que falava diferente..." É nessa hora que você percebe que ele tá começando a pegar o jeito da coisa, tá ligado? Ou então quando você tá circulando pela sala e vê a Ana explicando pro colega do lado: "Ah, isso aqui é meio suspeito. Olha só, esse site aqui não parece confiável porque tem muita propaganda." Esses momentos são ouro, porque mostram que eles tão aplicando o que tão aprendendo.
E assim, andar pela sala ouvindo as conversas também é um ótimo termômetro. Às vezes, você escuta um grupo discutindo sobre uma notícia e um deles fala: "Eu vi isso no jornal lá de casa e disse que era diferente." Então você percebe que eles tão trabalhando a comparação de fontes. Isso é sinal de que tão começando a pensar criticamente. Ou quando você vê um aluno pegando o celular pra procurar uma informação antes de dar uma resposta definitiva. Aí você pensa: "Ah, esse aí já tá com o pé na estrada."
Agora, sobre os erros mais comuns... olha, tem bastante coisa engraçada. O Lucas, por exemplo, ele sempre lê uma fonte e já sai espalhando como verdade absoluta. Uma vez ele chegou todo animado falando que tinha visto um vídeo dizendo que ia ter feriado na sexta. Metade da sala comprou essa ideia antes de eu intervir. Expliquei pra ele que precisava verificar em mais lugares a mesma informação. Então combinei com ele de sempre me trazer pelo menos duas fontes diferentes antes de afirmar qualquer coisa.
A Sofia vive confundindo opinião com fato. Tipo, ela lê um artigo de opinião e acha que aquilo é uma verdade incontestável. Outro dia, ela veio com uma notícia dizendo que "todo mundo" tava pensando em mudar de escola por causa de uma coisa que aconteceu, mas era só um texto refletindo sobre possibilidades. Eu mostrei pra ela que precisava ler mais atentamente pra separar o joio do trigo, sabe?
Sobre o Matheus, que tem TDAH... Bom, ele tem dificuldades pra se concentrar por longos períodos, então preciso ser criativo. O que faço é dividir as atividades em partes menores e dar pequenos intervalos. Assim ele não se cansa tanto e consegue se focar em cada etapa por vez. Também uso materiais visuais pra ajudar a manter a atenção dele. Uma vez fizemos cartazes coloridos pra colar na parede com dicas de como identificar notícias falsas. Ele se envolveu bastante porque adorou desenhar e colorir.
A Clara, que tem TEA, precisa de instruções bem claras e diretas. Ela funciona bem com roteiros visuais do que vai ser feito durante a aula. Outra coisa é criar um ambiente com menos distrações pra ela concentrar melhor. Tem vezes também que preciso adaptar o conteúdo pra ela no computador ou tablet porque ela responde bem aos recursos digitais. Por exemplo, já usei vídeos curtos com legendas grandes porque ela gosta de visualizar as coisas sem pressa.
Ah, teve uma coisa que não funcionou muito bem, foi quando tentei fazer um debate em grupo grande com a Clara participando ativamente. Ela ficou sobrecarregada com tanto barulho e gente falando ao mesmo tempo. Então ajustei pra grupos menores, aí ela conseguiu contribuir melhor.
Enfim, cada aluno tem seu jeitinho e suas necessidades, né? O importante é ir testando estratégias novas até achar o que funciona melhor para cada um deles. E claro, sempre estar aberto ao diálogo com os próprios alunos pra entender como eles se sentem.
Bom, gente, acho que por hoje é isso! Espero ter ajudado compartilhando essas experiências com vocês. Se alguém tiver alguma dica ou quiser contar algo parecido, vou adorar ler! Abraço!