Olha, essa habilidade EF69LP27 da BNCC pode parecer meio complicada de primeira, mas na prática é sobre ajudar os meninos a entenderem e produzirem textos que a gente encontra no nosso dia a dia, tipo cartas de reclamação ou até mesmo propaganda política. É basicamente ensinar eles a analisarem esses textos de forma crítica. Eles precisam saber identificar o que o texto tá propondo, quais são os argumentos usados, e isso tudo ajuda a formar uma base pra eles criarem seus próprios textos quando precisarem.
No 6º ano, a molecada já vem com uma bagagem do 5º ano onde eles começam a perceber as diferenças entre um texto informativo e um texto opinativo, por exemplo. Então, quando chegam no 6º ano, eles já têm uma noção básica de que cada tipo de texto tem um objetivo e um jeito de ser escrito. Aí, a gente trabalha em cima disso pra aprofundar e mostrar como analisar textos mais específicos que eles vão encontrar na sociedade, como os normativos e os políticos.
Uma das atividades que faço com a turma envolve analisar cartas de reclamação. Eu trago algumas cartas reais (claro, sem expor detalhes pessoais) que pego em sites ou até mesmo invento baseadas em situações comuns, tipo cobrança indevida de uma conta de luz. Divido a turma em grupos de quatro ou cinco alunos e dou uma carta pra cada grupo. Cada grupo tem cerca de 30 minutos pra ler e discutir entre eles o que aquela carta tá reclamando, quais argumentos estão sendo usados e como ela poderia ser mais clara ou mais persuasiva.
Na última vez que fiz isso, o grupo do João e da Ana percebeu que uma das cartas tava muito agressiva e sugeriram reformular pra ficar mais objetiva. Eles disseram: “Se a pessoa já começa brigando, ninguém vai querer resolver nada!” A reação da turma foi bem legal porque normalmente eles não percebem como o tom pode influenciar na resposta que você recebe.
Outra atividade que gosto bastante é trabalhar com propaganda política. Em época de eleição municipal, é fácil encontrar panfletos de candidatos espalhados por aí. Eu junto um monte desses panfletos e levo pra sala. Aí, faço uma dinâmica onde cada aluno escolhe um panfleto aleatório—sem ler antes—e precisa apresentar pra turma o que aquele candidato tá prometendo. Dão uns cinco minutos pra cada um se preparar e depois eles têm dois minutos pra apresentar.
É interessante ver como eles ficam surpresos ao perceberem promessas vagas ou repetitivas. Uma vez, o Lucas pegou um panfleto que prometia “mais segurança”, mas não explicava como seria feito. Ele perguntou: “Mas como é que esse cara vai melhorar a segurança? Não tá dizendo nada!” Isso ajuda a galera a entender que nem tudo o que se fala ou promete é realmente claro ou possível.
Também faço uma atividade com petições online. Escolho umas petições atuais sobre temas relevantes pro cotidiano deles, como melhorias na escola ou no transporte público. A atividade começa com a leitura da petição em duplas e leva uma aula inteira. Depois da leitura, peço pra eles identificarem qual é o problema, quem tá sendo afetado, quais ações estão sendo propostas e por quê. É uma forma deles verem como argumentar em prol de algo que pode beneficiar a comunidade deles.
Na última vez que fiz isso, teve um lance engraçado com a Júlia e o Pedro. Eles pegaram uma petição sobre reforma de quadras esportivas nas escolas públicas. No começo da discussão, ficaram meio perdidos sobre quais argumentos realmente sustentavam as mudanças propostas. Mas quando começaram a lembrar das condições das quadras da nossa escola mesmo, aí sim engajaram e até queriam criar nossa própria petição!
Essas atividades não só ajudam na compreensão dos textos normativos ou políticos mas também incentivam os meninos a pensar criticamente sobre o conteúdo que consomem no dia a dia. Olha, não é sempre fácil prender a atenção deles, mas quando eles entendem que aquilo pode ter um impacto direto na vida deles, fica muito mais interessante pra todo mundo.
E assim vou tocando as aulas por aqui... E vocês? Como têm trabalhado essa habilidade nas suas turmas?
de textos que circulam por aí, mas é no 6º que a coisa fica mais concreta, sabe? Agora, sobre perceber se os alunos realmente estão entendendo, sem precisar de uma prova formal... vou te contar. O legal é que dá pra notar no dia a dia mesmo. Quando eu tô circulando pela sala, dou uma parada nas mesas e escuto as conversas. É incrível como eles repetem conceitos que a gente discutiu em aula.
Por exemplo, teve uma vez que a Ana tava explicando pro Pedro como identificar o argumento principal de um texto. Ela usou um exemplo de uma propaganda que a gente analisou na aula anterior. Aí eu pensei: "Pô, ela entendeu!" Não precisei aplicar nenhuma prova pra ver isso. E quando o Pedro conseguiu dar outro exemplo por conta própria, tive certeza que ele também tava no caminho certo.
Outra coisa que observo é quando eles fazem perguntas que mostram um entendimento mais profundo. Tipo, outro dia o João me perguntou como a escolha de certas palavras em uma carta de reclamação pode influenciar o resultado final. Essa sacada dele me mostrou que ele tava começando a perceber o impacto das palavras nos textos.
Agora, falando dos erros mais comuns... ah, esses são até previsíveis às vezes. O Miguel, por exemplo, sempre tem dificuldade com a diferença entre opinião e fato. Ele lê uma frase e já assume que é um fato só porque parece convincente. Isso acontece porque os meninos ainda estão desenvolvendo esse olhar crítico e às vezes aceitam tudo que leem como verdade absoluta. Quando pego esse erro na hora, gosto de fazer perguntas pro Miguel: "Por que você acha que isso é um fato? Que evidências ele te deu pra acreditar nisso?" Ele pensa um pouco e acaba percebendo que faltam provas concretas.
Outro erro comum é confundir os tipos de argumentos. Tipo assim, teve uma aula em que a Júlia leu uma carta de opinião e achou que ela tava cheia de argumentos objetivos quando, na verdade, eram bem emocionais. Isso rola porque as linhas entre esses tipos de argumentos nem sempre são claras pra eles. Quando vejo isso acontecendo, costumo trazer exemplos bem distintos e peço pra eles classificarem em duplas. Isso ajuda bastante!
Agora vou falar do Matheus e da Clara, meus alunos com TDAH e TEA respectivamente. Cada um tem suas necessidades e exigem um cuidado especial nas atividades. Com o Matheus, eu tento quebrar as tarefas em partes menores e dou intervalos frequentes. Ele se distrai fácil se a atividade for muito longa ou monótona. Uma vez tentei usar jogos educativos como recurso e funcionou super bem! Ele ficou super engajado e conseguiu concluir a tarefa sem se dispersar tanto.
Já a Clara, com TEA, precisa de instruções bem claras e previsíveis. Eu costumo usar recursos visuais sempre que posso porque ela responde muito bem a eles. Por exemplo, ao explicar sobre tipos de textos, eu uso quadros de referência visuais na parede da sala com exemplos concretos pra ela consultar sempre que precisar. Isso dá autonomia pra Clara e ela não precisa ficar perguntando toda hora.
O que não rolou tão bem foi quando eu tentei misturar muitas coisas diferentes numa única atividade achando que ia incluir todo mundo de forma mais dinâmica. Percebi que tanto o Matheus quanto a Clara ficaram meio perdidos com tanta informação ao mesmo tempo. Aprendi com isso que às vezes menos é mais.
Bom gente, acho que já falei demais por hoje! Espero que essas pequenas histórias ajudem vocês a pensar em como lidar com essas situações aí nas salas de vocês também. E se tiverem dicas ou experiências pra compartilhar também, vou adorar ouvir! Até a próxima!